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Encontro de Professores Indígenas Maxakalí no Nordeste de Minas Gerais 01 de Abril de 2022 CIMI Leste Organismos
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“A Educação é um Direito, mas tem que ser do nosso jeito”. Tendo como elemento motivador o tema da Campanha da Fraternidade de 2022 “Fala com conhecimento e ensinar com amor” e como referência o processo educativo desenvolvido pelo povo Maxakalí - Tikumu’un - nesta região e ainda, com o objetivo de proporcionar aos professores indígenas um espaço de reflexão e troca de conhecimentos e dialogar sobre os desafios e perspectivas da educação Maxakalí,  no sábado, 26 de março, aconteceu o  Encontro de Professores Indígenas Maxakalí no Nordeste de Minas Gerais.

O encontro realizado pelo Conselho Indigenista Missionário Regional Leste, reuniu  aproximadamente 100 professores indígenas. A iniciativa teve o apoio do Regional Leste 2 (Minas Gerais) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e das entidades de obras catpolicas Misereor e Adveniat. A atividade foi realizada na Creche Municipal Dona Josefa Sucupira Jardim, no município de Bertópolis no Vale do Mucuri, com a participação dos professores das aldeias de Água Boa no município de Santa Helena de Minas; aldeia Pradinho, município de Bertópolis; e do Município de Teófilo Otoni as aldeias Cachoerinha no distrito de Topázio e Aldeia Escola Floresta em Itamunheque e ainda com a presença dos povos Pankararú  e Pataxó da Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba do município de Araçuaí no Vale do Jequitinhonha, além da presença de representantes da CEBs, Secretaria Municipal de Educação de Bertópolis, equipe local do Cimi no Leste/Nordeste e do coordenador do CIMI Regional Leste/MG, Haroldo Heleno.

Durante as reflexões e debates foram levantadas expectativas e vários desafios que os Maxakalí vêm enfrentando, além do desrespeito com suas tradições e desconhecimento sobre o povo, também destacaram outras dificuldades, tais como: manutenção da infraestrutura dos prédios escolares, acesso à internet, falta de merenda e material didático de qualidade, ao longo deste processo histórico o que resultou numa carta denúncia que será entregue a diversas autoridades e divulgada junto à sociedade envolvente.

Na avaliação dos Tikumu’um o encontro foi um marco histórico onde todas as aldeias indígenas se fizeram presentes com a presença marcante dos professores e da união das forças para cobrar das autoridades e fortalecer a luta pelo direito a uma educação de qualidade e que respeite as especificidades do povo Maxakalí.

O Conselho Indigenista Missionário Regional Leste, entende o encontro dos professores Maxakali, como um importante momento de provocação a todos nós. A partir das reflexões do povo Maxakali, e das reflexões que o tema da CF 2022 no traz, é importante manter vivas certas perguntas: Que escola estamos produzindo? Quais saberes a escola mobiliza? Quais verdades ela institui? Quais outras verdades ela desautoriza? Quais referências de mundo ela toma como base para produzir conhecimentos? Que mudanças a permanência na escola por um longo período de tempo pode produzir na socialização de crianças e jovens, já que no tempo passado em sala de aula eles estão privados de participar do cotidiano da aldeia e dos locais onde tradicionalmente a educação indígena acontece?

A educação é um direito dos povos indígenas, mas tem que ser do jeito deles. E não imposto de fora para dentro.

Ao final do encontro foi divulgada uma carta. Leia a seguir:


Carta de Bertópolis – Educação Tikumu’un

                                                                                                               
Educação é um direito, mas tem qu ser do jeito Maxakli

 

Reunidos na Creche Municipal Dona Josefa Sucupira Jardim, no município de Bertópolis no Vale do Mucuri, no dia 26 de março do ano de 2022. Nós Tikumu’un das aldeias de Água Boa no município de Santa Helena de Minas, aldeia Pradinho, município de Bertópolis, e do Município de Teófilo Otoni as aldeias Cachoerinha no distrito de Topázio e Aldeia Escola Floresta em Itamunheque. Contando com a presença dos parentes Pankararú  e Pataxó da Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba do município de Aracuaí no Vale do Jequitinhonha e contando com o apoio do Conselho Indigenista Missionário, Regional Leste e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Leste 2 e das Prefeituras dos municípios de Bertópolis, Santa Helena de Minas e Teófilo Otoni nos encontramos para discutir os desafios e perspectivas sobre a educação escolar indígena, com o tema “Educação é um direito, mas tem que ser de nosso jeito”.

Tivemos oportunidade de realizarmos reflexões sobre os desafios que enfrentamos para que possamos ter uma Educação Escolar Indígena diferenciada, especifica, bilingue e intercultural que seja compreendida, respeitada e efetuada pelas diferentes esferas de poder, ainda tem que se superar as contradições existentes no modelo da escola dos brancos, que ainda tentam nos impor muitas coisas que não se aplicam em nossos modelos de educação. Entendemos que os nossos espaços de educação não acontecem só nas escolas, e sim todos os espaços de luta e concretizações dos nossos valores culturais e das nossas tradições. Percebemos que não basta mudar apenas os currículos, os calendários, os formatos das escolas, mas percebemos que é preciso mudar a lógica, os objetivos. Neste encontro nos perguntamos e perguntamos a você que lê esta nossa carta: Que tipo de escola estamos construindo? Sabemos que a educação é um direito nosso garantido na Constituição, mas ela está sendo feita do Jeito Maxakali? Acreditamos que mesmo entre nós Tikumu’um a nossa escola não deve ser pensada de maneira única e sim, com as nossas especificidades e as nossas diferentes e múltiplas maneiras de ver o mundo e a educação. Esse é um direito e não uma concessão do Estado.

Por isto ainda precisamos de muito apoio para além do respeito e garantia desta educação do nosso jeito: Precisamos de melhorias na infraestrutura das nossas escolas: Reformas, pinturas, manutenção das partes elétrica e da água, precisamos de internet de qualidade em nossas aldeias, transporte, material didático, e merenda de qualidade, melhores condições de trabalho para todos que atuam com a educação Maxakali, que seja respeitada as diversas fases da nossa escola das crianças aos adultos, reconhecimento e criação de uma política de certificação da categoria de professor indígenas  respeitando as nossas especificidades visando facilitar o acesso as universidades e outros bem como para melhor contribuir com as comunidades.

Por fim chegamos à conclusão que precisamos continuar a lutar pela garantia de nossos direitos e sobretudo queremos nossas terras regularizadas e que precisamos juntar forças com os outros parentes de todo o Brasil, que vivemos momentos muito perigosos de desrespeito e violências contra as nossas comunidades, os nossos territórios continuam sendo invadidos por mineradoras, madeireiros, criadores de gado, grandes empresas, parentes sendo assassinados, um governo que é inimigo declarado de todos nós, destruindo a nossa natureza, retirado nossos direitos que conquistamos com muita luta, a nossa língua, as nossas tradições, a nossa educação, a nossa saúde.

Queremos curar a terra, reflorestar as nossas matas, purificar as nossas águas, celebrar a nossa cultura, fortalecer a nossa língua. Pedimos que nos apoiem nas nossas reivindicações, que nos entendam e nos respeitem. Nós queremos continuar vivendo como Tikumu’um

Ûgmûg pop Hak mûg Pip Yãmîy Xop mûtix (Nascemos, vivemos e resistimos com os Yãmiy xop).

Bertópolis, 26 de março de 2022.

 

 

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