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Arquidiocese de Mariana: 27º Grito dos Excluídos e Excluídas é celebrado em Congonhas (MG) 10 de Setembro de 2021 Arquidioceses e Dioceses
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Gritos de denúncia e anúncio marcaram o 27º Grito dos Excluídos e Excluídas realizado na manhã desta terça-feira, 07 de setembro, em Congonhas (MG). Por causa da pandemia, assim como em 2020, não houve mobilização das pessoas, somente uma pequena representação das cinco regiões pastorais da Arquidiocese de Mariana, sendo o ato transmitido pelas redes sociais da Arquidiocese de Mariana e da WebTV Congonhas e Rádio Congonhas.

Ato em favor da vida

Refletindo sobre o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda, já!”, a programação arquidiocesana do 27º Grito dos Excluídos e Excluídas teve início às 8h30 em frente à Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. À ocasião, lideranças representando as pastorais sociais e os movimentos populares e sociais falaram sobre a temática.

“Cuidar da vida é dever moral e ético do qual ninguém pode subtrair-se”, afirmou o coordenador arquidiocesano da Dimensão Sociopolítica e pároco da paróquia São João Batista, em Viçosa (MG), padre Geraldo Martins. De acordo com o sacerdote, “a tarefa do Estado no cuidado com a vida se sobrepõe à dos demais por caber a ele a construção do bem comum e da paz, base para que se respeite a vida”.

Padre Geraldo também destacou a necessidade de cuidar da vida do planeta. “É impossível cuidar da vida humana sacrificando a natureza”, pontuou. “Nossa esperança em meio à crise que vivemos vem de nossa fé em Cristo que venceu a morte e a cruz”, acrescentou.

Manifestação das lideranças

Sob os olhares atentos dos profetas no adro da Basílica, as lideranças denunciaram a falta de políticas públicas e a perda de direitos que ameaçam a vida dos excluídos. “Temos que suspender o pagamento da dívida pública, reduzir a jornada de trabalho, taxar as grandes empresas e estatizar os bancos e a mineração”, defendeu o líder do Sindicato Metabase de Congonhas, Rafael Duda. “Queremos um outro tipo de sociedade em que todos tenham direito ao emprego, à riqueza, à terra. E fazemos isso a partir da luta”, ressaltou.

Já os representantes da Associação de Moradores dos Sem Casa (AMSCA), da cidade de Entre Rios (MG), José Geraldo e Sônia, destacaram o déficit de moradia no país e o aumento de pessoas em situação de rua na pandemia. “Mesmo na adversidade, é possível construir casas para as pessoas que realmente precisam delas”, disse José Geraldo. “Morar é um direito sagrado [que está sendo] negado a muitos. Há um enorme déficit habitacional no Brasil. A casa que nos abriga é um porto seguro”, sublinhou Sônia.

Pelo Movimento Fé e Política, Bruna Monalisa fez uma defesa enfática do Sistema Único de Saúde (SUS) e da vacina contra a Covid-19 para todos. “O SUS é uma conquista do povo brasileiro e não podemos permitir que ele caia. [Não podemos permitir] que as forças do mercado trabalhem para desmontar o SUS para privilegiar o sistema privado de saúde”, defendeu.

O preconceito e o racismo foram denunciados pela integrante da Pastoral Afro-brasileira, Nícia. Ela condenou a “cultura do ódio” presente no país, além da violência e da discriminação contra negros, indígenas, jovens e a população LGBTQIA+. “Não podemos ficar indiferentes a essa realidade que atenta contra a vida de nosso povo. Queremos um país verdadeiramente independente, sem genocídio de nossa juventude negra e indígena. [Queremos um país] com justiça social e o povo voltando a sonhar e a ter orgulho de ser brasileiro”, observou.

Fátima Sabará destacou a presença do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Congonhas que sofre por causa da barragem da mineradora CSN. “Congonhas vive uma aflição. O povo [está] sofrendo com depressão e com a saúde debilitada, antes, por causa da barragem e, agora, com a pandemia”, disse. Já a coordenadora da Dimensão Sociopolítica, Silene Gonçalves, chamou a atenção para a violência contra a mulher. “A cada duas horas, uma mulher é assassinada no Brasil, que é o quinto país que mais mata mulheres no mundo”, disse.

A volta do Brasil ao mapa da fome e o aumento dos que vivem a insegurança alimentar foram lembrados pelo deputado federal, Padre João Carlos. “São 20 milhões de brasileiros que passam fome por ausência de políticas públicas; 15 milhões de desempregados; 6 milhões de desalentados; 120 milhões que vivem em insegurança alimentar”, denunciou o parlamentar.

Celebração Eucarística

O Grito terminou com a missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, e concelebrada por oito padres no Salão da Rádio Congonhas. Durante a homilia, Dom Airton lembrou o compromisso de todos para com o Brasil. “Rezamos, hoje, pela nossa Pátria. Somos filhos desta terra e, portanto, responsáveis por ela. Dependendo daquilo que escolhermos fazer, vai ser bom ou ruim”, disse. Segundo ele, é preciso escolher os critérios para tomar decisão. “Para nós católicos, os critérios são bíblicos e vêm do ensinamento da Igreja”, explicou.

Dom Airton ainda destacou a necessidade de os cristãos terem uma fé “firme, brava, coerente” e não aceitarem que as coisas se resolvem “pelas contendas, pelas dissensões, pelas brigas”. “Temos de compreender que, como cristãos, devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo a nós mesmos”, acrescentou.

Em mensagem ao fim da celebração, o coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Edmar José da Silva, recordou que o tema do Grito dos Excluídos está em sintonia com uma das prioridades pastorais da Arquidiocese de Mariana para 2021 que é “o cuidado com a vida ameaçada”.

“Cuida-se da vida ameaçada alimentando a indignação ética e denunciando a atual macroestrutura econômica, política e social que não tem a vida como princípio motriz, mas o lucro e o poder que geram morte e exclusão cada vez mais crescentes. Aí está a raiz de toda desigualdade, marginalização e exclusão e disso não temos dúvida!”, pontuou.

Segundo padre Edmar, outra forma de cuidar da vida ameaçada é “mobilizando criativamente ações concretas que possam minimizar o sofrimento” de quem está “sendo privado do básico para sobreviver: o alimento de cada dia, a moradia para se abrigar, o remédio para cuidar da saúde”.

Leia a mensagem do padre Edmar na íntegra

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