(31) 3224-2434
Comentário Homilético
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ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA de de
A a     

1ª LEITURA – Ap 11,19a; 12,1-3 6a.10ab

Diante das perseguições sofridas pelas comunidades cristãs, o livro do Apocalipse procura dar uma resposta, um consolo, um incentivo à luta e à esperança. A linguagem é simbólica, apenas compreensível aos cristãos.
Nosso trecho traz praticamente 4 imagens simbólicas principais:

a) Arca da Aliança

O Templo, a arca, a aliança, os sinais cósmicos indicam que Deus vai falar, vai comunicar-se com os homens. A Arca, no Primeiro Testamento, trazia as tábuas da Lei, expressão de Deus para o povo. A arca, aqui, pode simbolizar aquela que traz em seu seio a própria Palavra de Deus. Ela pode ter o mesmo significado da mulher do capítulo 12.

b) A mulher

Ela estava vestida de glória e protegida por Deus (vestida como o sol) tem traços da eternidade divina (lua sob os pés) e na cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela representa a vitória da comunidade dos filhos de Deus do Primeiro e Segundo Testamento (12 tribos e 12 apóstolos). A mulher é uma imagem polivalente: É Eva, a mãe da humanidade, que vai dar à luz um descendente capaz de esmagar o mal (Gn 3,14-15); é o povo de Deus do Primeiro Testamento (12 estrelas); é Sião-Jerusalém, que dará à luz o Messias; é Maria mãe de Jesus; é a comunidade-Igreja, mãe dos cristãos. A fuga da mulher para o deserto indica a vida da Igreja até o fim da história (= 1260 dias – tempo relativo) em meio às perseguições e na intimidade com Deus. A tradição da Igreja sempre aplicou Ap 12 a Maria que é a Nova Eva, figura da humanidade, figura da Igreja geradora de cristãos. Assunta ao céu, ela antecipa na glória de Jesus o futuro vitorioso de cada cristão.

c) O dragão

É a personificação do mal, a auto-suficiência; é o poder totalitário dos impérios perseguidores da Igreja. No tempo de João, era o Império Romano que perseguia os cristãos. É sanguinário (vermelho), poderoso (sete cabeças, duas coroas), mas seu poder não é absoluto nem perfeito (10 chifres). Pretende lutar contra Deus (estrelas do céu) e quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo.

d) O Filho

É Jesus que, com sua ressurreição (= foi levado para junto de Deus e do seu trono) se tornou o vencedor do dragão, do pecado, do mal e da morte. O v. 10 apresenta “a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo”

2ª LEITURA – 1Cor 15,20-27a

A 1Cor é uma resposta a diversos problemas e questionamentos da comunidade. O capítulo 15 é todo dedicado ao problema da ressurreição, que alguns estavam negando. Primeiro, ele recorda o anúncio fundamental: Cristo morreu e ressuscitou. Essa certeza da nossa fé é testemunhada por muitos que viram o Cristo ressuscitado. Se, como alguns estão afirmando, os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou e, então, é vã a nossa fé. Mas isso não é verdade. No trecho de hoje, Paulo apresenta dois argumentos.

a) Jesus é o Novo Adão (vv. 20-23)

Adão morreu e na sua morte todos morreram. Jesus é o novo Adão ressuscitado. Ele é o primeiro fruto de uma nova colheita (= primícias). Os primeiros frutos garantem a qualidade da colheita. Isto significa que se Cristo ressuscitou como primícias, todos nós ressuscitaremos depois dele. Em Adão a morte, em Cristo a vida.

b) A vitória de Cristo sobre o mal e a morte

Jesus vence todas as forças e estruturas injustas e inimigas da vida. Todos esses inimigos ele os colocará debaixo dos seus pés. Só depois que isso tiver acontecido é que ele entregará o Reino a Deus Pai. Aí será o fim. Mas qual será o maior inimigo da vida? É a própria morte. Este é o último inimigo a ser destruído. Cristo já o destruiu em seu próprio corpo, mas a vitória só será completa, quando ele a destruir em cada um de nós. Aí, sim! Aí, ele entregará o Reino a seu Pai para que Deus seja tudo em todos. É bom lembrar que nesta luta de destruição de tudo que gera a morte cada cristão deve estar profundamente empenhado.

EVANGELHO – Lc 1,39-56

Aqui temos dois encontros: o encontro de duas futuras mães e o encontro de duas crianças!

a) Maria se encontra com Isabel

Quem é Maria? Quem é Isabel? Duas pessoas pobres, mas agradecidas pelo dom da fecundidade. Isabel era estéril e Maria não teve relações com nenhum homem. Deus se manifesta nos pobres trazendo-lhes a riqueza da vida. As palavras de Isabel são inspiradas em textos do Primeiro Testamento.

Jz 5,24 – “Seja bendita entre as mulheres, Jael”.

Jt 13,18 – “Tu és bendita, ó filha, pelo Deus altíssimo, mas que todas as mulheres da terra”.

Dt 28,1.4 – “Bendito seja o fruto do teu ventre”.

2Sm 6,9 – “Como entrará a Arca do Senhor em minha casa?”

Maria é vista aqui como a Arca da Aliança, pois ela traz em seu seio a salvação de Deus e Isabel reconhece o Salvador, que irá nascer do ventre de Maria (v. 43).
As palavras inspiradas de Isabel são repetidas, há dois mil anos!, por milhões de lábios devotos, todos os dias, ao rezarem a Ave Maria (cf. v. 48). Maria é bem-aventurada, porque acreditou nas promessas do Senhor. Sua grandeza provém, sobretudo de sua fé assumida.

b) Jesus se encontra com João Batista

À saudação de Maria, João Batista se agita no seio de Isabel saltando de alegria, e ela se enche do Espírito Santo. É claro que Lucas quer mostrar a presença da Boa Nova no seio de Maria. A presença do Salvador já alegra o coração do precursor.

2) O cântico de Maria

O cântico é apresentado como resposta de Maria à saudação de Isabel. Lucas o compõe também com palavras do Primeiro Testamento, principalmente, inspirado no cântico de Ana em 1Sm 2,1-10, como expressão da gratidão dos pobres – resto de Israel – que aguardavam a libertação. O núcleo do cântico nos mostra uma espécie de inversão de valores. Na dimensão religiosa Deus destrói a auto-suficiência humana (dispensa os soberbos de coração). Na dimensão política, Deus derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes, refazendo as relações de opressão em relações de fraternidade. Na dimensão social, Deus despede os ricos de mãos vazias e enche de bens os famintos, transformando as relações de exploração em relações de partilha. É a misericórdia de Deus chegando na vida de todos os descendentes de Abraão, que conservaram seu temor ao Deus sempre fiel às sua promessas salvíficas.

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