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Comentário Homilético
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5º DOMINGO DA QUARESMA de de
A a     

1ª LEITURA - Jr 31,31-34

Estamos lendo um pequeno e precioso texto tirado dos capítulos 30-31 do livro do profeta Jeremias. Estes dois capítulos são chamados “Livro da Consolação de Israel”, que salienta a esperança da reconstrução da vida nacional. A Aliança antiga feita no Sinai, após a libertação do Egito, não estava conseguindo motivar o povo a uma mudança de vida. Quais eram as características da Antiga Aliança? Era externa, ritual, jurista, inscrita em tábuas de pedra. Era feita através de mediações como o sacerdócio, o templo, o sacrifício, as lideranças políticas e religiosas; tudo isso transformava a experiência pessoal do Deus libertador num código frio de leis. O texto de hoje propõe uma Nova Aliança. Quais são as características da Nova Aliança? Ela é totalmente diferente da antiga. Ela não será feita em tábuas de pedra, mas será gravada no coração de cada pessoa. Assim cada um a carregará consigo para todo o lugar e não poderá jamais esquecê-la. A partir do seu interior o homem e a mulher perceberão que eles pertencem a Deus e sentirão que Deus os ama como seu povo. Não haverá mediações, pois cada um poderá reconhecer a Deus pessoalmente e a ele dirigir suas preces. Da nossa parte uma das características básicas da nova aliança é a experiência pessoal do Deus libertador. Da parte de Deus é o dom do perdão das nossas culpas e do esquecimento do nosso pecado. É claro que esta Nova e Eterna Aliança foi realizada na cruz de Cristo.

2ª LEITURA - Hb 5,7-9

O tema principal da carta aos Hebreus é o Sacerdócio de Cristo. Para uma pessoa ser sumo sacerdote, o Primeiro Testamento exigia entre outras coisas uma semelhança com as pessoas pelas quais se deveria interceder através de orações e sacrifícios. Uma exigência quase desnecessária, mas lembrando-a, entendemos, porque a carta aos Hebreus insiste tanto que Jesus era um ser humano totalmente semelhante a nós e experimentou profundamente nossa condição humana menos o pecado. Na verdade, Jesus experimentou todas as consequências do pecado sem nunca ter pecado. Jesus rezou ao Pai “com clamor e lágrimas para que o Pai o salvasse da morte”. É uma referência à agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. E ele foi atendido por causa do seu profundo respeito ao Pai. No fundo, ele reconheceu que é a vontade do Pai que deveria realizar-se e não a sua. Acho que nos ensina muito esta frase: “Mesmo sendo Filho aprendeu a obediência através do sofrimento”. Nós, muitas vezes, pensamos que não devemos sofrer, pois somos bons, somos filhos de Deus, somos religiosos, de comunhão diária! Queria salientar que apesar do texto dizer que Deus o podia salvar da morte, Deus não o salvou da morte, mas o salvou na morte, através da morte, com a ressurreição. Pois Jesus, de fato, morreu, mas Deus o ressuscitou. Assim também Deus não nos salva do sofrimento e da morte, mas no sofrimento e na morte, dando-nos a nova vida de ressuscitados também na morte. A última observação é que enquanto os sumos sacerdotes ofereciam um sacrifício externo, Jesus se identificou com o sacrifício, ele é sumo sacerdote e sacrifício, altar e cordeiro. Ele se tornou assim fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

EVANGELHO - Jo 12,20-23

Vamos salientar apenas alguns aspectos do evangelho de hoje. Os gregos, quer dizer os não judeus, representam todos os outros povos; eles querem ver Jesus. Esta frase dos gregos: “Senhor, queremos ver Jesus”, pode significar a aspiração máxima de todo o ser humano. Ela não está longe daquela pronunciada mais tarde por Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta” (14,8). Na verdade, Jesus e o Pai são um só. A resposta de Jesus aos discípulos mediadores, Filipe e André, parece explicitar como os povos podem ver Jesus e o que significa ver Jesus. Por isso Jesus fala da hora da sua glorificação. É no alto da cruz que acontece a hora de Jesus, a qual em Caná não havia chegado ainda (2,4), embora Jesus tenha deixado transparecer uma amostra, a tal ponto que os discípulos viram a glória e creram nele (2,11). Mas na cruz, plenitude de sua glória e da glória do Pai, todos os povos (= os gregos) o verão e crerão nele, (“quando eu for levantado da terra atrairei todos a mim”). Para isso o grão de trigo tem que cair na terra e morrer. Só assim ele produzirá frutos. Jesus sabe o valor da vida presente e reconhece sua relatividade. Como ele sabe que muitos não têm uma vida digna no presente e correm o risco de perder a vida futura, ele entrega sua vida para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Na verdade só tem a vida aquele que é capaz de entregá-la como Jesus o fez, pois é só no serviço, na doação total que o discípulo poderá seguir o Mestre. Aí sim, onde o Mestre estiver, estará também o discípulo, quer dizer, não só na cruz do seguimento, mas também na glória do Pai, pois do mesmo modo como o Pai honrou o Filho com a ressurreição, honrará também aquele que o serve. Jesus gostaria de se livrar da cruz, mas não quer fugir à sua missão, nem fazer a sua vontade, mas a vontade do Pai. É assumindo a sua cruz que o Pai é glorificado. E o Pai confirma a decisão do Filho para que todos possam crer. O julgamento do mundo acontece junto com a glória do Pai e do Filho, pois a morte de Jesus é ao mesmo tempo salvação para todos os que se deixarem atrair por ele (os gregos) como também condenação para todos aqueles que não querem ver Jesus (ou seja, os chefes deste mundo).

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