(31) 3224-2434
Comentário Homilético
            Publicações             Comentário Homilético      
33º DOMINGO DO TEMPO COMUM de de
A a     

1ª LEITURA – Ml 3,19-20a

Deus envia seu mensageiro

O povo ao voltar do exílio babilônico sonhava com um novo tipo de sociedade fundamentada na justiça, solidariedade e fraternidade. Mas o sonho do povo demorava a tornar-se realidade. Pelo contrário, havia injustiças e opressão por parte dos de dentro e dos de fora, que ainda exerciam o domínio sobre Judá, ou seja, o Império Persa. O povo começava a duvidar, se Deus realmente estava a par dos acontecimentos, se a sua paciência não tinha fim. É nessa época, por volta do séc. V a.C., que Deus envia o seu mensageiro, o profeta Malaquias (= meu mensageiro cf. 3,1). Ele vem relembrar o respeito, o amor, uma liturgia não estéril, mas cheia de vida, uma vida matrimonial responsável, maior solidariedade e justiça, um dízimo à altura da prodigalidade e bondade de Deus e, no texto de hoje, o Dia do Senhor. Os versos finais do capítulo 3º são um acréscimo posterior que fala sobre o retorno de Elias, que Jesus vai identificar com a presença de João Batista.

O dia do Senhor está para chegar

A tolerância do Senhor chegou ao fim. A impunidade não terá mais lugar e a justiça vai triunfar.

O Dia do Senhor é comparado como um fogo que vai consumir os soberbos e os injustos opressores como uma palha (v. 19). O Dia do Senhor vai consumir os injustos e trazer triunfo e glória para os justos. Dos injustos comparados com uma árvore na sua arrogância não sobrará nem ramos, nem raízes. Mas, para os justos, os que temem a Deus, brilhará o sol da justiça, que cura com seus raios.

2ª LEITURA – 2Ts 3,7-12

Muitos não querem trabalhar

“Paulo” aborda, no texto de hoje, a questão do trabalho. O problema é que na comunidade de Tessalônica muitos estavam levando uma vida ociosa, talvez, por dois motivos. O primeiro é porque acham que Jesus vai chegar a qualquer momento. Se Jesus vai chegar logo, para que trabalhar? O segundo motivo poderia ser também o fato do trabalho ser coisa para escravos e não para homens livres. Assim pensava toda aquela sociedade de mentalidade grega. O negócio, ou trabalho, era justamente a negação do ócio, do lazer, da tranquilidade. Esta turma, além de incomodar, ainda vivia às custas dos outros.

A resposta e o exemplo de “Paulo”

Paulo, que de dia trabalhava para o próprio sustento e para não ser pesado para ninguém, e, de noite, trabalhava na pregação do Evangelho, tinha bastante autoridade para falar do assunto. Vejamos os vv. 7b-8. Aliás, no tempo da fundação da comunidade, ele já tinha deixado uma norma: “Quem não quer trabalhar, também não coma”. “Paulo”, como apóstolo do evangelho, não precisava trabalhar, pois Jesus disse que o operário (o evangelizador) tem direito ao seu alimento (cf. Mt 10,10). Entretanto, “Paulo” prefere trabalhar, também, para dar exemplo.

Uma pequena reflexão sobre o trabalho

Hoje há muitos que vivem uma vida mais ou menos ociosa, ganhando muito através da exploração, do trabalho escravo, de juros altos. Por outro lado, a grande massa dos trabalhadores penaliza-se em trabalhos pesados e de muitas horas e não ganha o suficiente para levar uma vida digna. “Quem não trabalha não coma”, é uma boa norma, mas quem trabalha precisa comer, vestir, viver. Como mudar esta situação? Como acabar com o trabalho escravo? Como melhorar a vida do trabalhador? Temos outro problema também muito sério: como arranjar trabalho para quem quer?

EVANGELHO – Lc 21,5-19

O capítulo 21 de Lucas é chamado de discurso escatológico e é escrito em linguagem apocalíptica. Os apocalipses não pretendem, como muitos pensam, fazer previsões e profecias para o futuro. Eles pretendem revelar o que acontece na história e qual o posicionamento daquele que tem fé diante desses acontecimentos. O cristão, como Jesus, não pode concordar e se acomodar diante de uma sociedade ateia. No texto de hoje vemos o seguinte:

a) Jesus anuncia a destruição de Jerusalém (vv. 5-6)
Lucas descreve quase vinte anos depois da destruição do Templo, o que aconteceu no ano 70 dC. Os apocalipses costumam usar acontecimentos passados e apresentá-los como ainda não realizados, para animar a resistência dos cristãos e encorajá-los na luta. O povo achava que a invasão dos pagãos e a destruição do Templo eram sinais do fim do mundo. Na realidade, eram apenas sinais do fim do judaísmo, eram sinais do fim do sistema opressor representado pelo Sinédrio e simbolizado pelo Templo.

b) Exortação ao encorajamento e ao discernimento (vv. 7-11)
O povo não pode se deixar levar pelos charlatões e enganadores, hoje muito em voga, dentro e fora da Igreja. As perguntas dos apóstolos são as mesmas de hoje: quando? como? E aqui aparecem os falsos messias tapeando e assustando o povo. Fiquem atentos, eles estão por aí com argumentos aparentemente convincentes. Os vv. 10 e 11 são comuns nos profetas para anunciar a chegada do fim. Aqui, como dissemos, eles anunciam o fim do mundo judaico. Qual deve ser a atitude cristã diante de tudo isso?

c) O testemunho e a perseverança até o fim (vv. 12-19)
Diante de tudo isso, o cristão deve reativar seu testemunho e reanimar sua esperança diante de dias melhores, na certeza de que as crises apontam para o novo, para o melhor; por isso o importante é perseverar até o fim, apesar das tribulações, perseguições, prisões, mortes. Tudo isso Lucas já viu acontecer na comunidade (morte de Estevão e de Tiago, lutas e sofrimentos de Paulo, etc.). Aconteceu com o Mestre, por que não acontecer com o discípulo? Tudo isso, aliás, é sinal de que o Reino está chegando. É só assim que o cristão entra na glória. O cristão não deve temer, mas resistir. Sua resistência deve ser inteligente, solidária, realista e esperançosa, pois: “é permanecendo firmes que vocês irão ganhar a vida”.

Compartilhe esta notícia:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
Últimas Notícias
                  
Área do Participante
Esqueceu sua senha? Ainda não tem cadastro? Clique aqui.
Área do Participante
Esqueceu sua senha? Ainda não tem cadastro? Clique aqui.
Esqueceu a senha
Inscreva-se