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Comentário Homilético
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3º DOMINGO DA QUARESMA de de
A a     

1ª LEITURA - Ex 20,1-17

Estamos diante dos dez mandamentos. Para facilitar a memorização a Igreja apresenta os dez mandamentos em apenas dez frases. A introdução é muito importante para se entender todo o decálogo e amá-lo como proposta de vida. Os mandamentos foram dados após a libertação da escravidão do Egito. Ali prevalecia a opressão e a morte. Agora libertado por Deus o povo tem possibilidade de vida. Os dez mandamentos são a proposta de vida que Deus apresenta para o povo. Se eles não se esforçarem por vivê-los, eles correm o risco de voltarem à opressão e morte sofridas já no Egito. Assim o centro dos mandamentos é: “Não matarás”. Na introdução fica claro que Deus é o único Senhor, o libertador, o promotor da vida. O que propõe é uma sociedade justa, fraterna e solidária, que promova a vida e não a morte como no Egito. O 1º mandamento a Igreja sintetiza na frase: Amar a Deus sobre todas as coisas. Qualquer amor, mesmo o de pais, de filhos, de cônjuges, maior do que o amor de Deus é idolatria. É fabricar alguma coisa material ou mentalmente e colocá-la acima de Deus. Deus está acima de tudo e de todos. Pensar o contrário é idolatria. É bom lembrar que isto nada tem a ver com a imagem dos nossos santos. Pois a imagem nos lembra exatamente, que vale a pena dar a vida pelos irmãos como fizeram os santos por causa de sua entrega total ao único Senhor e Deus Jesus Cristo. Todos os nossos santos são considerados santos, exatamente, porque viveram radicalmente o primeiro mandamento. Suas imagens nos recordam que não existe outro Deus além do nosso Deus e Pai que se manifestou em Jesus Cristo com toda a força do Espírito Santo.

O 2º mandamento proíbe usar o nome de Deus para testemunhar mentira para acobertar a fraude, a escravidão e a morte. O 3º diz respeito ao dia de descanso que para a religião judaica era o sábado. Proibir o trabalho num dia de semana era sinal de libertação e de vida. Era um basta à ganância e à exploração. O povo de Deus não é mais escravo no Egito. Também no Segundo Testamento o novo povo de Deus foi libertado da escravidão e da morte. Ele precisa tomar consciência disso e cultuar o Deus de Jesus Cristo, que o libertou com sua ressurreição no 1º dia da semana. Este dia ficou sendo chamado “domingo”, que traduzido significa: “Dia do Senhor”. O 4o mandamento é honrar pai e mãe como fonte da vida. A vida vem de Deus através dos nossos pais e não através do faraó do Egito e suas divindades pagãs. O 5º mandamento é uma espécie de eixo, de centro e de síntese dos mandamentos, pois tudo o que impede a vida deve ser proibido como gerador de morte. O 6º mandamento é a promoção da vida em família. O adultério destrói a relação familiar. A Igreja com a formulação: “Não pecar contra a castidade” amplia o respeito à vida do corpo e do espírito além das relações familiares. O 7º mandamento: “Não roubar” é também mais amplo do que parece. Implica em promoção e respeito à vida da pessoa com tudo o que lhe pertence: seus bens, sua dignidade, sua liberdade. O salário minguado, a falta de condição digna de trabalho, a escravidão são um roubo ou um assassinato por parte dos patrões e legisladores, pois isto destrói a vida. Por outro lado quem rouba para matar sua fome não está pecando. “Não levantar falso testemunho” - O 8º mandamento - é a preservação da vida através de julgamento e sentenças justas nos tribunais. Que dizer de nossos advogados, de nossos juízes, de nossa justiça? Os dois últimos mandamentos condenam a cobiça como a raiz de todos os males e injustiças.

2ª LEITURA - 1Cor 1,22-25

Decepcionado depois de falar para homens cheios de sabedoria humana em Atenas (At 17,22-34), Paulo entende a loucura do Crucificado, pois Jesus quis ser solidário com aqueles que a sociedade crucifica. Judeus consideram o suplício da cruz como uma maldição (cf. Gl 3,13), e buscam uma religião de milagres, fácil, sem compromisso, sem solidariedade com o pobre e o sofredor. Os gregos cultivam a razão, a ciência, não o coração de Deus manifestado no amor de Cristo. Assim para judeus Jesus é escândalo, para os pagãos, loucura. Mas para todos os que atendem ao chamado de Deus, judeus ou gregos, Cristo é a expressão do poder, da sabedoria, do amor, da misericórdia de Deus. A loucura do amor de Deus, manifestada na fraqueza da encarnação, paixão e morte de Jesus na cruz, supera toda a sabedoria e fortaleza dos homens.

EVANGELHO - Jo 2,13-25

A páscoa para São João já há muito tempo deixou de ser a celebração da libertação do povo. O evangelista diz que a Páscoa é dos judeus, não é do grupo de Jesus. “Judeus” indicam as lideranças religiosas e políticas que manipulavam, controlavam e exploravam o povo através da religião, através dos sacrifícios do Templo. Jesus não concordava com este tipo de religião opressora. O uso do chicote realiza a profecia messiânica de Zc 14,21, que prevê um culto sem manipulação e exploração do povo. Quando Jesus expulsa os animais usados no sacrifício, ele quer declarar inválidos todos estes sacrifícios, como também o culto explorador. Jesus tem uma atenção especial para as pombas que eram a matéria do sacrifício dos pobres para a purificação e expiação dos seus pecados. Quer dizer, os líderes religiosos estavam vendendo o perdão do Deus da gratuidade. Era a inversão total do sentido da religião. O Deus libertador é passado para os pobres com a imagem de um Deus explorador e opressor. É claro que o Filho tinha que reagir diante dessa imagem invertida do Pai.

O gesto de Jesus suscita duas reações: A primeira é dos discípulos. Jesus veio para substituir o Templo, mas os discípulos estão pensando que ele veio para reformar o Templo. Para Jesus, entretanto, o Templo já não está cumprindo mais suas funções. Agora o novo Templo é o corpo de Jesus, que os judeus vão destruir, mas que Jesus vai de novo ressuscitar. A segunda reação é justamente dos donos do Templo, os judeus (que representam os dirigentes) que pedem um sinal para justificar a conduta de Jesus. O sinal que Jesus dá é exatamente o sinal da sua morte e ressurreição: “destruam este Templo, e eu em três dias o levantarei”. O evangelista tem o cuidado de dizer que Jesus falava do Templo de seu corpo.

O restinho do evangelho diz que Jesus não confiava nas pessoas que não queriam acreditar de verdade no significado profundo dos seus sinais, ou seja, de que Jesus é o Filho de Deus, mas viam nele apenas um milagreiro e reformador das velhas instituições.

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