(31) 3224-2434
Comentário Homilético
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25º DOMINGO DO TEMPO COMUM de de
A a     

1ª LEITURA – Am 8,4-7

Situação econômica, social, política e religiosa

Estamos no séc. VIII a.C. – Tempo de Jeroboão II. Politicamente muita expansão, lembrando os tempos de Davi. Economicamente, uma prosperidade nunca vista, riqueza, luxo, bem estar, para as classes privilegiadas. Socialmente, aquela distância abissal entre ricos e pobres. Os ricos se enriquecendo às custas dos pobres. Isso tudo por incrível que pareça sustentado pela base religiosa. A religião sustentava a corrupção. Muita euforia, muito aparato, mas o culto era vazio.

A injustiça e a corrupção no comércio

Os vv. 4-7 são todos voltados para os comerciantes injustos e gananciosos. Estão se enriquecendo às custas da exploração, lesando os próprios irmãos. O ideal da Aliança tinha desaparecido, nada de fraternidade, solidariedade e justiça, mas apenas falsificações, roubo, fraude. Parece que queriam eliminar os pobres, e os humildes do país (v. 4). Os dias festivos são um estorvo, pois eles têm que interromper as transações injustas. Eles ficam doidos que passem logo estes dias para voltarem a cometer injustiças (v. 5). Eles diminuem a medida, aumentam o peso, falsificam as balanças. Compram o indigente com prata e o pobre por um par de sandálias. Eles vendem até os refugos do trigo (v. 6).

O juramento de Deus (v. 7)

Haverá impunidade para aqueles que cometem tais crimes?
Não. Javé vai intervir, pois quem lesa o pobre, lesa o próprio Deus. Javé se sente ferido com estes maus tratos, com estas injustiças e corrupções. Javé jura que nada esquecerá. Ele jura tomar partido em favor do oprimido. Onde o pobre é mais lesado hoje?

2ª LEITURA – 1Tm 2,1-8

No capítulo segundo da 1Tm, temos a recomendação da oração litúrgica numa intenção universal sem exclusão (vv. 1-8) e em seguida recomendações quanto ao comportamento das mulheres nas assembléias (vv. 9-15). No nosso texto, temos o fundamento, o modo, a finalidade da oração e o seu caráter de novidade.

O fundamento

Nossa oração se fundamenta na vontade de Deus, que quer a salvação de todos, e que cheguem ao conhecimento da verdade. A oração é, então, a sintonia com o projeto de Deus, que se realiza em Jesus Cristo, único mediador, pois foi ele que se entregou para o resgate de todos os homens e mulheres. Nosso tempo ressalta bastante o “todos”, ou seja, o caráter universal da oração litúrgica e da salvação de Jesus. Paulo é o arauto desta novidade, como apóstolo das nações.

O modo

Há diversos modos de oração. Aqui são apresentados quatro modos: pedidos, orações(!), súplicas e ação de graças. Quer dizer, em qualquer situação em que você estiver, você pode relacionar-se com Deus. É claro que está excluída uma situação de ira e de discussões (v. 8). Esta, aliás, é a novidade cristã. Nenhum cristão reza desejando o mal para alguém como faziam os judeus. O coração de quem reza deve estar aberto a todos, sem exceção.

A finalidade

A oração deve ser dirigida a todos, mas o autor aqui especifica os reis e todos os que têm autoridade, “a fim de que” levemos uma vida calma e tranquila com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus. Quando se pede pelas autoridades é porque se deseja a prosperidade e a paz. O autor está aqui apresentando a dimensão política e social da oração.

Como se caracterizam nossas orações quanto ao fundamento, o modo e a finalidade?

EVANGELHO – Lc 16,1-13

Estamos ainda na grande viagem para Jerusalém (9,51-19,27), onde os discípulos experimentam as dificuldades, exigências e desafios para seguir o mestre. Jesus, no texto de hoje, quer ensinar os discípulos a serem espertos nas coisas de Deus como os homens do mundo o são nas coisas do mundo (v. 5).

A parábola (vv. 1-8)

Trata-se de um administrador, que foi acusado de estar esbanjando os bens do patrão (v. 1). Então, o patrão o chama para a prestação de contas e para a demissão. O administrador, diante do seu futuro ameaçado pelo desemprego, toma uma atitude esperta e prudente. Que atitude tomou? A quem devia cem barris de óleo, ele mandou anotar apenas cinquenta. A quem devia cem sacas de trigo, ele mandou anotar oitenta. Depois, ele foi criticado pelo patrão nessa sua esperteza? Provavelmente não, pois ele se privou apenas do que pertencia a ele e não ao patrão. Nessa sua esperteza ele lesou seu patrão? Não. Esta diferença de cinquenta no óleo e vinte no trigo era, segundo o costume, direito dele. Era costume, naquela época, o administrador conceder empréstimos com os bens do patrão. E como o administrador não era remunerado, ele se indenizava, aumentando, no recibo, a importância dos empréstimos. Quer dizer, na realidade, ele tinha emprestado do patrão apenas cinquenta barris de óleo e oitenta sacas de trigo. O resto era lucro que ele ganharia. A atitude do administrador foi sábia, prudente e carregada de desprendimento. Ele privou-se do que tinha direito para ganhar a amizade dos seus clientes, pois, depois, de desempregado, ele poderia precisar deles. Mas onde está então a desonestidade do administrador? É claro que, apesar de ter agido segundo o costume, não podemos deixar de dizer que seus juros de 100% no óleo e 20% no trigo já eram desonestos, porque eram exagerados. Mas, na realidade, sua desonestidade está no anterior esbanjamento dos bens do patrão. Isto foi dito no v. 1 antes de ser narrada a parábola.

A aplicação aos discípulos (vv. 19-13)

1º) Desprendimento e partilha (v. 9). Os discípulos devem ter a coragem de privar-se dos seus direitos para seguir o mestre. Eles devem partilhar o dinheiro injusto. Qualquer acúmulo fere a justiça do Reino.
2º) Fidelidade (vv. 10-12). É impossível a gente ser fiel nas grandes coisas (as propostas do Reino), se não for fiel nas pequenas (uso dos bens terrenos).
3º) A opção fundamental. Os discípulos têm que tomar nova decisão radical, ou o serviço de Deus ou o serviço às riquezas.

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