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Comentário Homilético
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21º DOMINGO DO TEMPO COMUM de de
A a     

1ª LEITURA – Is 66,18-21

O Dêutero-Isaías (Is 40-50) com sua promessa de retorno do Exílio Babilônico e reconstrução fácil e rápida do país, trazendo de novo a glória perdida, não se realizou a contento. Os repatriados ainda estão vivendo tempos difíceis de um modo geral; a comunidade está em decadência. A função do Trito-Isaías (55-66) é exatamente levantar o moral do povo, reativando a esperança de uma reconstrução nacional. Nosso texto rompe as fronteiras de um nacionalismo mesquinho e sua esperança alcança dimensões universais.

O estilo é apocalíptico e o anúncio é messiânico com perspectivas escatológicas. Nesse tempo, Deus mesmo virá reunindo todos os povos e línguas. Todos virão para admirar a glória de Deus, ou seja, a salvação que ele traz. Este encontro universal para contemplar a glória de Javé começará com um sinal. É possível que este sinal se refira a uma catástrofe histórica, pois o texto fala de sobreviventes. Todos os sobreviventes se tornarão missionários e serão enviados a todas as nações do mundo, que nunca viram a glória de Javé. A enumeração das nações no v. 19 relembra Gn 10 com a lista dos povos após o dilúvio. As barreiras nacionalistas são sempre superadas. Acontecerá o inverso da torre de Babel, quando os povos foram dispersos. Agora todos se reunirão na montanha santa de Jerusalém. Está clara a abolição de um povo (o povo judeu) como preferido, e mais ainda, parece também claro, através do v. 21, que sacerdotes e levitas serão agora escolhidos não apenas de entre o povo eleito, mas no meio de todos os povos e nações. Com Jeremias, aliás, poderemos ir mais além: todas as mediações, mesmo religiosas serão abolidas, através da nova aliança, onde “ninguém mais precisará ensinar seu irmão, porque do menor ao maior, todos me conhecerão” (cf. Jr 31,31-34).

2ª LEITURA – Hb 12,5-7.11-13

A comunidade está enfrentando dificuldades, desânimos, sofrimentos. Testemunhar Jesus significa subir o calvário com ele. No capítulo 11 o autor enumerou uma longa lista dos que perseveraram e foram aprovados através da sua fé. O autor no nosso trecho vai dar duas explicações para o sofrimento cristão. Um pouco antes, ele já explicava o sofrimento à luz da cruz de Cristo (vv. 2-3).

Deus educa através do sofrimento

A primeira explicação, agora, vem com uma pedagogia que o pai aplica ao filho. O filho não entende na hora, mas o sofrimento-correção produz depois seus efeitos (v. 11). É assim que Deus faz; ele não quer que desanimemos, quando formos repreendidos pela repressão-sofrimento (v. 5), pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga (educa) a quem ele aceita como filho. Em vista da educação é que vocês sofrem. Deus trata-os como filhos. E qual é o filho que não é corrigido pelo pai?

Podemos ver uma segunda explicação nos vv. 12-13, enfocando-os na linha da solidariedade cristã. Aliás, não é esta a explicação do sofrimento tirada da cruz de Cristo? Ele sofreu e morreu em nosso lugar. “Mãos enfraquecidas e joelhos vacilantes” lembram a situação de prostração da comunidade. O revigoramento dos cristãos, apesar do sofrimento-solidariedade, vai reforçar aqueles que vacilam na ação (mãos enfraquecidas), na estabilidade (joelhos vacilantes) e na caminhada da fé (pés). A solidariedade cristã é uma ótima explicação do sofrimento e um meio eficaz de cura para os aleijados na caminhada da fé.

Você tem suportado o sofrimento à luz da fé?

EVANGELHO – Lc 13,22-30

Antes da pergunta do v. 23 temos dois dados importantes no v. 22. O primeiro é a indicação de Lucas que Jesus atravessa cidades e povoados ensinando. Isto já é uma afirmação da universalidade da salvação. A salvação de Jesus não pertence de direito a um povo. O segundo dado é que Jesus prosseguia seu caminho para Jerusalém (cf. 9,51; 17,11; 19,28). Em Jerusalém, Jesus encontrará oposições, dificuldades, violência e morte. É a porta estreita dos que vão entrar no Reino. Porta do enfrentamento com os poderes opressores e contrários à vida, porta da luta pela fraternidade e justiça.

“São poucos os que se salvam?” (v. 23)

A esta pergunta teórica e inútil Jesus dá uma resposta prática e fundamental. A porta da salvação é estreita, muitos vão tentar, mas não vão conseguir entrar. O importante é fazer todo o esforço possível para entrar. Aqui temos claramente afirmado que a salvação não é apenas dom de Deus, mas também esforço nosso. Em que consiste o nosso esforço? A resposta aparece no v. 27, mas antes Jesus esclarece contando a parábola da porta fechada.

Cuidado para não chegarem tarde demais (vv. 25-27)

Esta parábola vai esclarecer a tentativa frustrada de todos aqueles que não conseguiram entrar. Trata-se da porta do banquete messiânico.

Depois de certo tempo da chegada dos convidados, o anfitrião se levanta e fecha a porta. Todos os que chegarem atrasados baterão à porta, mas serão ignorados. E aqui se desfilarão os arrazoados daqueles que hoje tranquilizam suas consciências com narcóticos de uma pseudo-religião de ritos vazios e estéreis, sem compromisso com a solidariedade a justiça. Não bastam o legalismo farisaico, o ritualismo cristão, missas, retiros, orações, movimentos religiosos. Tudo isso só tem sentido se for acompanhado do esforço da prática da justiça (v. 22), aqui e agora, enquanto é tempo.


Os esclarecimentos finais (vv. 28-30)

Pouco adianta aos judeus serem filhos de Abraão, se não querem comprometer-se com Jesus a caminho de Jerusalém. O mesmo se pode dizer de nós cristãos, se nossas práticas religiosas são estéreis, sem o engajamento prático na luta pela justiça (porta estreita). A mesa do banquete será ocupada por aqueles que nunca ouviram falar de Deus, mas vivem praticando a justiça. O v. 30 pode ser assim entendido: os pagãos considerados os últimos serão os primeiros; os judeus considerados os primeiros serão os últimos. Os cristãos só de missa serão considerados os últimos; os de fora da comunidade, mas que praticam a justiça, serão considerados os primeiros. Talvez coubesse aqui uma pergunta final: Em que está consistindo nossa vivência cristã?

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