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Comentário Homilético
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20º DOMINGO DO TEMPO COMUM de de
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Primeira leitura – Jr 38, 4-6.8-10

Este capítulo 38 de Jeremias foi escrito por Baruc, seu secretário; Refere-se aos acontecimentos do ano 586, época da segunda deportação dos judeus para a Babilônia. É o chamado exilio babilônico. A primeira deportação dos nobres e príncipes da corte aconteceu em 597. Agora, Nabucodonosor, rei da Babilônia, está de novo às portas da cidade. Jeremias tem consciência clara da situação trágica chegada a este ponto por causa das injustiças, opressões e abandono das cláusulas da Aliança, sobretudo por parte do rei Sedecias e seus príncipes. Jeremias denuncia as falsas soluções políticas e militares e não aconselha o enfrentamento, mas a rendição. Por isso é acusado de passar para o lado do inimigo, acusado de desanimar o povo e os soldados e, portanto, de subversão. Por isso os novos príncipes judeus, com a anuência do rei, o colocaram dentro de uma cisterna cheia de lama com a intenção de matá-lo. Como Jeremias escapou? Foi graças não a um judeu piedoso, mas a um estrangeiro negro da Étiópia, chamado Ebed-Melec. Ele era amigo do rei. Então, ele se dirigiu ao rei e falou da injustiça, que os príncipes judeus estavam cometendo contra Jeremias. O rei se compadeceu e mandou Ebed-Melec chamar uns homens e tirar Jeremias da cisterna. Os profetas de ontem e de hoje são sempre perseguidos por falar a verdade e denunciar as injustiças e opressões, mas o Senhor nunca abandona seus profetas.

Segunda leitura - Hb 12, 1-4

Os cristãos aos quais se dirige a Carta aos Hebreus sofriam perseguições, eram despojados dos seus bens, eram caluniados, alguns encarcerados e corriam risco do desespero e, até mesmo, o risco de vida por causa da sua fé. Este trecho da segunda leitura quer encorajá-los, fortificá-los; procura não deixar que eles desanimem na luta. Lembrando todos os heróis da fé elencados no capítulo anterior, chamando-os de “multidão de testemunhas” pede que eles deixem de lado o peso das tribulações e contrariedades da vida perseguida e abandonem o pecado. Além desses exemplos marcantes dos antepassados na fé, o autor propõe a centralidade do Cristo, com sua paixão e morte, na vida dos seus destinatários. Jesus, em nós, “começa e completa a obra da fé”. Ele “suportou a cruz”, superou a infâmia e “se assentou à direita do trono de Deus”. Ele, mais que as testemunhas do Primeiro Testamento, é o maior exemplo, o mártir por excelência, que os cristãos devem seguir. Ele derramou seu sangue para a salvação de todos; é exemplo de perseverança até o fim. Portanto, os cristãos não devem se deixar abater pelo desânimo. Eles devem ter a coragem de seguir o caminho do martírio, por isso o autor termina dizendo: “Vós não resististes até o sangue na vossa luta contra o pecado”. A caminhada do cristão é longa e às vezes termina na cruz. Mas este foi o testemunho de Jesus, nosso mestre.

Evangelho - Lc 12, 49-53

Jesus fala de fogo, batismo e divisão. Parece estranho, parece estar contrários aos ensinamentos de Jesus, mas se trata, sem dúvida, de uma alusão ao primeiro anúncio de sua paixão, morte e ressurreição, que aparece em Lc 9,22 (“É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar.”). No v.49 Jesus diz que veio lançar fogo sobre a terra e gostaria que ele já estivesse aceso, queimando, ardendo. O fogo destrói, mas também purifica. É lógico que não se trata de fogo material destrutivo, pois Jesus não veio para destruir nada. O fogo tem sentido simbólico. Eclo 48,1 afirma: “ O profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como tocha”. Trata-se do ardor e do calor veemente das profecias deste grande homem de Deus. Em Mt 2,11 João Batista, novo Elias, aquele que veio com o poder e a força de Elias, afirma que ele batiza com água, mas aquele que vem depois dele vai batizar com o Espírito Santo e com fogo. É o fogo do Espírito, lembrado no Pentecostes com a imagem das línguas de fogo em At 2,3.19. Jesus, em seguida, fala de batismo referindo-se à sua paixão e morte em Jerusalém. É o mergulho (= batismo, “báptisma”, em grego) no sofrimento e na morte de cruz. Jesus diz que ele deve receber um batismo e ele está ansioso, pressionado, angustiado (em grego “sinekomai”) até que isto se cumpra (v. 50).

Finalmente Jesus diz que não veio trazer a paz, mas a divisão (v.51). Poderíamos nos perguntar: “Jesus não é o príncipe da paz”? Não é ele que aparece para os apóstolos depois da sua ressurreição, desejando a paz? Sem dúvida, mas aqui Jesus quer nos mostrar uma paz inquieta provocada pela adesão a ele. Ele quer deixar claro as consequências do seu seguimento, que em outros textos aparecem em formas de exigências. A vida cristã é exigente e cheia de conflitos. Quem aderiu a Jesus não pode continuar com a vidinha cômoda e incoerente, cheia de vícios e pecados como antes do batismo. Os cristãos, vindo do paganismo, no tempo em que São Lucas escreve seu evangelho, encontravam muitas resistências e perseguições dentro da própria família e muitas vezes causavam divisões, pois não eram aceitos. Eram muitas vezes expulsos e, às vezes, até acusados diante das autoridades romanas pagãs e idolátricas. Estas autoridades exigiam dos batizados a renúncia da fé cristã e muitas vezes o conduziam ao martírio, que é o batismo de sangue. É por isso que Jesus fala que veio trazer divisões dentro da família. Esta divisão das famílias é, na tradição profética, umas das características das tribulações do fim dos tempos, que começa com a chegada de Jesus. Lembramos, por fim, a profecia do velho Simeão, dirigindo-se a Maria, por ocasião da apresentação de Jesus ao Templo: “Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição” (Lc 2,34).

Dom Emanuel Messias de Oliveira
Diocese de Caratinga - MG

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