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Comentário Homilético
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13º DOMINGO DO TEMPO COMUM de de
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Mc 5, 21-43

A primeira pergunta que fazemos é onde Jesus está. Está na margem oriental ou ocidental? Ele estava na margem oriental, na região dos gerasenos (Cf. 5,1). Agora, ele passa para a margem ocidental. Uma multidão veio ao seu encontro, à beira mar. Estamos diante de dois milagres entrelaçados. Enquanto Jesus vai fazer o primeiro, a cura da filha de Jairo, o chefe da sinagoga, acontece o segundo, a cura da hemorroíssa. Jairo era uma pessoa de grande influência na Comunidade judaica. Todos os dois milagres exigem muita fé. Assim o tema central aqui é a fé.

Vamos começar pelo segundo, a cura da mulher com o fluxo de sangue. O evangelista detalha que uma grande multidão acompanhava Jesus e o apertava de todos os lados. Este v. 24 mostra o contexto do milagre. É como se o povo empurrasse Jesus de todos os lados. Aí aparece uma mulher que deve ter feito um esforço enorme de atravessar toda aquela multidão, além de ser impura, e chegar perto de Jesus. A mulher era impura por causa da sua menstruação contínua, (fluxo de sangue). Ela já sofria isso há 12 anos. Isto significa que há 12 anos ela ia perdendo a vida (sangue). Quem ela tocasse ficava também legalmente impuro, mas ela, assim mesmo vai empurrando as pessoas até chegar perto de Jesus. Marcos descreve a situação da mulher. Ela tinha sofrido muito nas mãos dos médicos e tinha gastado todas as suas economias e em vez de melhorar, piorava cada vez mais. Seu caso não tinha solução. Só o poder da fé. Só uma intervenção divina. Mas ela tinha ouvido falar de Jesus e acreditava que bastava tocar nas vestes dele para ela ficar curada. E ela consegue chegar até Jesus e tocar-lhe o manto por trás. Imediatamente ficou curada. Embora todos tocassem em Jesus, Jesus sentiu que uma força saiu dele e fez uma pergunta inesperada: Quem me tocou? Os apóstolos acharam curioso, pois todos tocavam em Jesus. Jesus olha ao redor para ver quem o havia tocado de modo especial; a mulher toda amedrontada cai aos pés de Jesus e confessa o que aconteceu. Jesus então disse à mulher: “Filha, tua fé te salvou. Vai em paz e fica livre da tua doença”. Jesus não usou o verbo curar, mas salvar, o que significa que a mulher recebeu uma cura global de sua doença, de sua impureza legal e de seus pecados. E tudo foi resultado da sua fé.

Agora, vamos ao segundo milagre, a reanimação da filha de Jairo. O ambiente é à beira mar. Jairo, quando vê Jesus, cai a seus pés e lhe suplica insistentemente para ir à sua casa para curar a sua filha que está às portas da morte . A situação é dramática, o pai sofre terrivelmente, mas não se desespera, pois sua fé é grande e Jesus é sua última esperança. Ele suplica confiantemente: “Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe as mãos sobre ela para que fique curada e viva”. Ele acredita profundamente que com a imposição de suas mãos, ela seria salva. O verbo usado no original é salvar: “para que ela seja salva e viva.” Salvar é o mesmo verbo usado para a cura da mulher. E Jesus foi com ele. Depois da cura da mulher, Jesus ainda estava falando com a mulher, quando chega a notícia para Jairo que sua filha tinha morrido. Ele não deveria incomodar mais Jesus. Mas Jesus o encoraja dizendo: “Não tenhas medo, somente crê”. Mais uma vez o milagre exige a fé. Jesus tem poder não só sobre as doenças, mas também sobre a morte. Na casa de Jairo, Jesus recrimina o povo que lamentava e eles começam a zombar de Jesus, porque ele disse que a menina apenas estava dormindo. Tudo reforça o fato consumado de que a menina estava morta. Jesus se afasta da multidão, toma consigo somente os pais da menina e os três apóstolos e vai até onde está a menina. Ele pega a menina pela mão e diz em aramaico, sua língua: “Talitá kum” (que quer dizer: “Menina, eu te digo, levanta-te”. E o evangelista completa: “E a menina se levantou e começou a andar.” O evangelista anota que a menina já tinha 12 anos. Também a mulher tinha doze anos que estava doente. É uma observação interessante e proposital do evangelista para dizer que a vida estava em jogo. A mulher estava perdendo a vida gradativamente, pois o sangue simboliza a vida. E a menina que estava morrendo estava na época de gerar a vida, pois o casamento naquele tempo era precoce; era depois dos doze anos. O evangelista mostra no final que Jesus faz duas observações. A primeira é a recomendação insistente para que ninguém saiba do caso. É curioso, pois se a menina estava morta e agora recobra a vida, como ocultar o fato? Parece uma recomendação inútil, mas teologicamente tem sentido por causa do chamado “segredo messiânico”. Quer dizer, Jesus não quer ser por enquanto reconhecido como o Messias, pois o povo tinha na cabeça uma concepção errada do Messias que haveria de vir. A segunda observação é a delicadeza de Jesus de mandar que dessem de comer à menina, pois ela estava com fome, o que os seus pais não sabiam.

Sb 1,13-15; 2,23-24

O livro da Sabedoria foi escrito por volta do ano 50 a.C. É o livro do Primeiro Testamento mais próximo da Era Cristã. Seu lugar de origem é Alexandria, no Egito. Alexandria é a capital do helenismo, ou seja, do mundo de cultura grega. A preocupação do autor é ajudar os judeus a permanecerem firmes na fé e nas suas tradições religiosas, sem perder a sua identidade, que corria risco por causa do fascínio do helenismo.

O livro carrega um otimismo muito grande sobre a vida e, diante da cultura dominante, afirma que não foi Deus que fez a morte e ele “não tem prazer com a destruição dos vivos.” O texto lembra de perto o otimismo da primeira narração da criação em Gn 1,31ª que afirma: “Deus viu que tudo o que tinha feito: e era muito bom”. O texto de hoje insiste que Deus criou todas as coisas para existirem e elas são todas saudáveis. O veneno de morte não existe nelas nem a morte tem a última palavra. Caos, desordem, sofrimento e morte não podem ser atribuídos ao Deus da vida. O autor afirma que a justiça é imortal e que a gente adquire a imortalidade através da prática da justiça. Na realidade a morte existe e nós podemos nos perguntar: Como a morte entrou no mundo? O autor responde que foi através da inveja do diabo e só experimenta a morte (eterna) quem pertence a ele. O autor é tremendamente otimista. O mal e a morte não fazem parte do plano de Deus, que só quer a vida. Jesus, em Jo 10,10 afirma que ele veio para que todos tivessem vida e vida em abundância.

2 Cor 8,7.9.13-15

O assunto dos capítulos 8º 9º da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios é a coleta em prol da Comunidade de Jerusalém que estava passando por uma grande carência. A Paulo foi pedido cuidar dos pobres e ele o faz com grande solicitude. A primeira motivação da coleta para os pobres de Jerusalém vem do exemplo de solidariedade do próprio Cristo que sendo rico se fez pobre para que todos pudessem se enriquecer com a sua pobreza (v. 9). A segunda é o caminho para a igualdade. Quem doa se aproxima de quem recebe e, além disso, pode haver uma troca entre bens materiais e bens espirituais. Quem doa bens materiais pode receber como recompensa bens espirituais. Paulo apela para o exemplo dos macedônios que apesar de sua extrema pobreza foram supergenerosos em suas doações. Citando os macedônios Paulo mexe com o brio dos coríntios. É interessante que Paulo evita qualquer sinal de coação ou imposição. Não exige nada e nem deseja que ninguém se prive do necessário para ajudar o outro, se bem que na verdade os pobres são sempre mais sensíveis à partilha do que os ricos. Aliás, os coríntios são ricos em muitas coisas: “fé, eloquência, ciência, zelo e caridade”. Assim Paulo lembra que eles também podem ser abundantes na generosidade, suprindo materialmente, na fartura deles, as necessidades da Igreja de Jerusalém.

Ele justifica o ideal de igualdade citando, no v. 15, um texto do Primeiro Testamento, tirado do livro Êxodo sobre o maná, que mostra o ideal da caminhada pelo deserto, “onde os bens da criação eram partilhados fraternalmente, sem falta ou excesso”: “Quem recolheu muito não teve de sobra e quem recolheu pouco não teve falta” (Ex 16,18). Contra o ideal da igualdade é a ganância e o acúmulo dos ricos que provocam a carência dos pobres. A generosidade da partilha na coleta é um caminho bonito de busca de equidade na distribuição dos bens necessários à vida.

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