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Comentário Homilético
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11º DOMINGO COMUM de de
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1ª LEITURA - Ex 19,2-6a

O capítulo 19 do livro do Êxodo é uma introdução à Aliança do Sinai que está no capítulo 20. Os primeiros versículos do texto de hoje apresentam o povo chegando aos pés do Monte Sinai, enquanto Moisés estava sozinho sobe a montanha, de onde Deus o chamava. Este povo está vindo de onde? Está vindo do Egito, de onde Deus o libertou através de Moisés das garras do faraó. E está indo para onde? Está indo para a terra prometida por Deus, a qual mais tarde será chamada de Palestina. Lá, eles vão viver como povo livre, comprometido com seu Deus. Nesta peregrinação pelo deserto, Deus vai caminhando com o seu povo, realizando prodígios, dando-lhe vitórias, favorecendo-lhe a caminhada. Aqui, no Monte Sinai, Deus vai fazer Aliança com este povo. Será um compromisso bilateral. Deus se compromete a cumprir a sua parte e o povo por sua vez se compromete a cumprir a sua.

O texto de hoje apresenta os 3 tempos da Aliança: o passado, o presente e o futuro. O passado ("vocês viram...") é um lembrete das maravilhas que Deus fez pelo povo ao libertá-lo das mãos do faraó e ao conduzi-lo até ao Sinai. A formulação é muito bonita: "Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim". A Aliança tem um passado, uma história, uma base. O fundamento da Aliança é a libertação operada por Deus. O presente ("Agora, se..."). É a proposta da Aliança. Deus é o libertador do povo e se compromete em levar a cabo este compromisso. Mas o povo deve cumprir também a sua parte. Qual é a parte do povo? É escutar a voz de Deus e guardar a sua aliança. O futuro: É o bem do povo, é a realização do compromisso com Deus. O povo terá 3 benefícios - a posse da terra prometida - ser propriedade exclusiva de Deus - ser um reino de sacerdotes e uma nação santa. Isto implica, sem dúvida, numa missão para o povo: ele se tornará mediador ( um reino de sacerdotes) da aliança entre Deus e os outros povos. O Antigo Israel cumpriu seus compromissos? E nós, o Novo Israel, estamos cumprindo fielmente os compromissos da Nova Aliança?

2ª LEITURA - Rm 5,6-11

A carta aos Romanos deixa claro que nossa salvação acontece não por nossas obras, mas através da Nova Aliança selada no sangue de Cristo. Esta nossa história da salvação pode ser vista no texto de hoje também em 3 tempos. O passado: é o que Deus fez por nós em Jesus Cristo. Deus já demonstrou seu supremo amor por nós. Como? É que sem mérito nenhum da nossa parte, mas pelo contrário, enquanto éramos fracos, ímpios, pecadores, Cristo morreu por nós, morreu no nosso lugar, morreu para que nós não morrêssemos. O presente: ("Quanto mais agora...", "por quem desde agora"). É a nossa condição atual de justificados. Estamos vivendo uma vida nova adquirida pelo sangue de Cristo. É uma vida de graça, sem mérito nosso. Paulo aqui está querendo frisar o fato do amor de Deus estar em nós produzindo frutos e nos enchendo de esperança da salvação. O futuro: Este futuro nós o viveremos na esperança, mas é uma esperança certa que não decepciona, pois o amor de Deus já foi semeado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado (cf. v. 5). Cristo já morreu por nós. E já ressuscitou como primícias nos trazendo a certeza de que também nós ressuscitaremos, ou seja, seremos salvos por sua vida. A certeza do nosso futuro não está em nós, mas no passado de Cristo e no presente do Espírito. O argumento que Paulo desenvolve neste texto é muito claro. "Se enquanto éramos inimigos, Cristo nos reconciliou por sua morte, quanto mais agora, uma vez reconciliados, seremos salvos por sua vida. Isto é motivo de uma esperança firme para todos nós. Nossa fé no passado nos faz realmente viver no presente esta alegria de um futuro garantido?

EVANGELHO - Mt 9,36-10,8

O Evangelho de Mateus é composto de 5 livrinhos. Cada livrinho tem duas partes, uma com uma narração e outra com um discurso. O texto de hoje pertence ao terceiro livrinho. Pega o final da parte narrativa que é composta de 10 milagres (capítulos 8-9) e o início de um Discurso Apostólico sobre a missão dos 12, que ocupa o capítulo 10.

Jesus entra na vida do povão

Depois de um tempo misturado no meio do povo percorrendo cidades e povoados, ensinando e curando, Jesus viu claro: O povo está cansado e abatido, sofrido, expoliado e abandonado. Depois desta visão clara, que Jesus tem da realidade do povo, ele faz duas comparações. Compara o povo como ovelhas e conclui que está faltando pastores. Em seguida, compara o povo com uma ótima plantação e conclui que a colheita é grande, mas os trabalhadores (os líderes) são poucos. A colheita é grande; isto significa que este povo é gente boa, apenas precisa de uma ajuda, de uma orientação, de uma força. Ter compaixão do povo quer dizer sofrer com o povo, entrar na vida dele para ajudá-lo a resolver seus problemas. Ter compaixão é ser solidário, é começar a movimentar-se para a solução dos problemas do povo à luz da fé. Ter compaixão é deixar-se tocar pela realidade nua e crua do povo sofrido.

Jesus parte para a ação

Primeiro, Jesus convida os discípulos a rezar ao Pai para que ele multiplique as lideranças. Depois, Jesus vai capacitar para a missão os 12, que ele já tem à disposição. A missão diz respeito à justiça do Reino que está chegando; é uma missão libertadora. Jesus quer libertar o povo de todo o tipo de alienação, alienação ideológica, que abrange a área psicológica e espiritual como expulsão de espíritos maus. Alienação social (física), curando doenças e enfermidades. Os doentes eram como os possessos muitas vezes afastados do convívio social. O elenco dos 12 apóstolos relembra simbolicamente a totalidade e a diversidade dos que são enviados. Totalidade para dizer que a Igreja inteira é missionária e diversidade para mostrar que Jesus escolhe sem discriminação. No grupo, há pescadores, cobradores de impostos, zelotas, etc. Nas recomendações, Jesus restringe a missão apenas à casa de Israel; a prioridade é para as ovelhas perdidas. É, sem dúvida, a primeira etapa da missão apostólica. Mas já podemos perceber mais uma vez em Jesus a opção preferencial pelos empobrecidos, que a sociedade discriminadora e opressora marginalizava. Junto com o anúncio da proximidade do Reino de Deus, Jesus repete com mais detalhes a finalidade da missão já mencionada acima. Tudo deve ser feito dentro da mesma gratuidade com que eles, os apóstolos, receberam o Reino.
A realidade do povo mudou pouco. Hoje, como são escolhidas e capacitadas nossas lideranças? Qual é a finalidade do envio hoje?

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