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Tempo de esperança e de justiça! 23 de Novembro de 2021 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos "Para o cristão, receber o seu Rei implica um compromisso, um recolhimento afetuoso e cheio de espiritualidade"
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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Iniciemos mais um ano litúrgico, o chamado ano litúrgico C, aonde caminharemos com o Evangelista São Lucas. Neste 1º Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor. Celebrar o Advento é viver intensa preparação para o Natal de Jesus, nossa justiça. A oração e a vigilância são dois convites eminentes da liturgia, para não esmorecermos diante dos desafios que a vida nos reserva. Caminhando com Jesus nos caminhos da fé e do amor progredimos na fé e na misericórdia, erguendo nossos olhos para o céu e acolhendo a libertação que se aproxima.

Na primeira leitura(Jr 33,14-16), pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um “rebento” da família de Davi. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da ação do Messias. Jerusalém se encontra em ruínas após o exílio da Babilônia. O profeta intervém, animando o povo a manter a esperança de um novo e melhor amanhã. Diante desta realidade, anuncia a restauração a dinastia de Davi, alguém que virá governar com justiça. O desejo do profeta é o nosso também: um governo justo que venha defender o direito dos pobres. O profeta Jeremias anuncia tempos novos. Tempos de alegria e de esperança. É assim que iniciamos o Advento de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a disposição do coração renovada para que celebremos seu Natal. Para o cristão, receber o seu Rei implica um compromisso, um recolhimento afetuoso e cheio de espiritualidade.

O Evangelho(Lc 21,25-28.34-36) apresenta-nos Jesus, o Messias filho de Davi, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projeto desse mundo novo”. É preciso, no entanto, reconhecê-l’O, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com Ele, a justiça e a paz. Os profetas depositaram grande confiança no advento de reis que fossem justos, retos e praticantes de um governo segundo o coração de jesus. Com essa motivação, o Evangelho segundo São Lucas apresenta a perspectiva da volta de Jesus, exortando a comunidade a uma espera sincera e atenta. É seguindo essa “espera-esperançosa” que devemos nos colocar em oração porque a linha mestra da narrativa é a vigilância, pois a partir dela o nosso modo de agir poderá ser ajustado. Diante da catástrofe da destruição de Jerusalém pelos romanos, a comunidade de Lucas é convidada a ser vigilante, para não se deixar enganar pelos acontecimentos do dia a dia. Esse fato trágico da destruição da cidade ainda não é o fim. O cristão não está entregue ao caos, mas deve confiar no Senhor, que conduz a história, e saber resistir a temores e projetos enganadores. Nestes sombrios tempos da pandemia da COVID-19, somos convidados a manter olhos abertos e coração alerta sobre os cuidados que precisamos ter e, ao mesmo tempo, a não perder a sensibilidade e a esperança.

A segunda leitura(1Ts 3,12-4,2) convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude ativa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial. São Paulo anuncia à comunidade como viver para agradar a Deus. O amor é a base da vivência cristã e a melhor maneira de aguardar a vinda do Senhor. O autor convida os fiéis a progredir sempre mais no amor mútuo e na santidade de vida, para estarem prontos a se apresentarem diante do Cristo quando vier.

O primeiro Domingo do Advento nos anuncia que receber Jesus de verdade significa acolher o próximo. Esse chamado para estar atento reforça em nós um compromisso mais sincero com o Evangelho: significa arrumar a casa de nossas vidas para uma experiência de proximidade, de aconchego.

O Advento é este tempo de renovação e de reconstrução da nossa vida espiritual para o nascimento de Jesus. Somos convidados a desfazer os caminhos que vêm impedindo a presença de Cristo em nossa vida e reconstruir novos caminhos, erguendo a cabeça e percebendo que o Filho de Deus irrompe na história humana, surgindo como sinal de libertação para a humanidade. No meio de uma sociedade envolvida em trevas, precisamos de muita fé e esperança para fazer brilhar a luz que ilumina o mundo. Santo Advento para todos!

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