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Sempre repartir os bens! 19 de Setembro de 2022 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos "Nisso ele haverá de combater o bom combate e há de alcançar a vida eterna (1Tm 6,12)"
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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A liturgia deste 26º. Domingo do Tempo Comum propõe-nos, de novo, a reflexão sobre a nossa relação com os bens deste mundo. Convida-nos a vê-los, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

Na primeira leitura(Am 6,1a.4-7), o profeta Amós denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes. O profeta anuncia que Deus não vai pactuar com esta situação, pois este sistema de egoísmo e injustiça não tem nada a ver com o projeto que Deus sonhou para os homens e para o mundo. O profeta Amós faz duras e sarcásticas críticas às pessoas notáveis entre o povo. Iludem-se em suas falsas seguranças, ao viverem de modo irresponsável, em meio aos prazeres e orgias de toda ordem, sem se importarem com a ruína de Israel(Am 6,4-6). Serão os primeiros a serem submetidos à escravidão(Am 6,7). Assim, Amós condena a corrupção, as injustiças sociais e a falsa segurança colocada em ritos cultuais sem compromissos de conversão.

O Evangelho (Lc 16,19-31) apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens... Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens... Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado. A parábola de hoje é própria somente de São Lucas. Nela, a riqueza mal gerenciada é um perigo mortal para a vivência da fé e para a posse do Reino definitivo. O texto sugere uma inversão de situação, no que diz respeito ao rico e ao pobre. Jesus mostre, assim, o engano escondido nos bens deste mundo, quando são utilizados de modo egoísta e irresponsável. Esse perigo o pobre não ousa correr, normalmente. Ele tem mais possibilidade de confiar no Senhor e dele esperar a abundância dos bens próprios do Reino de Deus: “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão(Lc 16,22).

O evangelista Lucas propõe combater a pobreza sem endeusar a riqueza, a qual deve ter uma função social. São Lucas não condena a riqueza em si, mas o mau uso dela e sua acumulação nas mãos de poucos. O amor à riqueza e seu endeusamento tornam as pessoas cegas para Deus e para os necessitados e provocam um abismo cada vez maior entre ricos e pobres, deixando estes sempre mais à margem. Cada vez mais, vemos “Lázaros” comendo as migalhas encontradas nos lixos dos comércios e das casas e nos lixões das grandes cidades. Triste realidade! A função social da riqueza é possibilitar o bem-estar a toda a sociedade. É preciso ouvirmos atentamente a Palavra de Deus para superar o muro gigantesco entre ricos e pobres, vencendo práticas de acúmulo que favorecem poucos em detrimento da uma multidão de “lázaros” humilhados.

A segunda leitura(1Tm 6,11-16) não apresenta uma relação direta com o tema deste domingo... Traça o perfil do “homem de Deus”: deve ser alguém que ama os irmãos, que é paciente, que é brando, que é justo e que transmite fielmente a proposta de Jesus. Poderíamos, também, acrescentar que é alguém que não vive para si, mas que vive para partilhar tudo o que é e que tem com os irmãos? São Paulo se dirige a Timóteo e lhe faz exortações, para que sua conduta seja irrepreensível. Pede-lhe que fuja das coisas perversas, procure a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza e a mansidão(1Tm 6,11). Nisso ele haverá de combater o bom combate e há de alcançar a vida eterna(1Tm 6,12). Sobretudo, deve guardar o mandato recebido com toda integridade e sem mancha, até a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo(1Tm 6,14).

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