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Santa Maria e a paz que ensina, na conversão pessoal, a aprender a viver no perdão! 07 de Janeiro de 2020 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos Peçamos a Maria, Mãe de Deus, aquela que a Igreja proclama como verdadeira Mãe do Verbo Encarnado, não apenas na sua natureza humana, mas de toda a sua pessoa, divina e humana.
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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Iniciamos o ano de 2020 com a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima. Na rica história da Igreja ressalta-se diversos aspectos do mistério da Encarnação. Como vamos ouvir no Evangelho desta Solenidade, hoje celebramos o “onomástico”, o nome de Jesus, o dia em que seus pais lhe deram o nome anunciado pelo anjo: Jesus – o Salvador, o Redentor da Humanidade. O Evangelho, também, nos diz que foi neste dia, o oitavo depois de seu nascimento que Jesus foi circuncidado, tornando-se um filho da primeira aliança já em vista da nova e eterna aliança que ele iria inaugurar com o seu sangue na cruz.

Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas, ainda que todas importantes. Celebra-se, em primeiro lugar, a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: somos convidados a contemplar a figura de Maria, aquela mulher que, com o seu "sim" ao projeto de Deus, nos ofereceu Jesus, o nosso libertador. Celebra-se, em segundo lugar, o Dia Mundial da Paz: em 1968, o Papa Paulo VI propôs aos homens de boa vontade que, neste dia, se rezasse pela paz no mundo. Celebra-se, finalmente, o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que em cada dia nos cumula da sua bênção e nos oferece a vida em plenitude.

As leituras que hoje nos são propostas exploram, portanto, estas diversas coordenadas. Elas evocam esta multiplicidade de temas e de celebrações. Na primeira leitura(cf. Num 6,22-27), sublinha-se a dimensão da presença contínua de Deus na nossa caminhada e recorda-se que a sua bênção nos proporciona a vida em plenitude.

Na segunda leitura(cf. Gl 4,4-7), a liturgia evoca, outra vez, o amor de Deus, que enviou o seu Filho ao encontro dos homens para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus “filhos”. É nessa situação privilegiada de “filhos” livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-Lhe        “abbá” (“papá”). Deus quer-nos filhos, conforme ensina a segunda leitura: “(...) para que todos recebêssemos a filiação adotiva”(cf. Gl 4,5); quer relacionar-se conosco como nosso Pai; quer que, com o Espírito de seu Filho, clamemos Abá, Pai. Essa filiação adotiva, que é a meta de nossa vida, é composta de três etapas: uma já realizada, uma atuante e a terceira que está por vir. A parte já realizada é aquela que ouvimos: Deus enviou-nos o seu Filho para nos resgatar e para que recebêssemos a filiação adotiva. Deus nos enviou o seu Filho, que viveu entre nós, revelou-nos o Pai, salvou-nos do pecado e da morte por meio de sua paixão, morte e ressurreição. A salvação realizada por Jesus deu-nos a “carta de adoção”. Diz-nos São João: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos(...) desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos”(cf. 1Jo 3,1s). A etapa atuante é aquela em que vivemos. Somos já filhos de Deus, mas nem sempre vivemos e atuamos como seus verdadeiros filhos. Isso quer dizer que há partes de nossa vida que ainda não foram amoldadas à condição de filho de Deus. Então Deus enviou-nos  e envia-nos o Espírito do Filho aos nossos corações que via, pouco a pouco, ano após ano, formando-nos à imagem de Cristo. É o Divino Espírito Santo quem vai formando em nós a identidade do Filho de Deus. Por isso, a nossa meta atual é cooperar com o Espírito Santo, porque “todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”(cf. Rm 8,14). E a última etapa é aquela que nos aponta ainda São João, “quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”(cf. 1Jo 3,2).

O Evangelho(cf. Lc 2,16-21) mostra como a chegada do projeto libertador de Deus (que se tornou realidade plena no nosso mundo através de Jesus) provoca alegria e felicidade naqueles que não têm outra possibilidade de acesso à salvação: os pobres e os marginalizados. Convida-nos, também, a louvar a Deus pelo seu amor e a testemunhar o desígnio libertador de Deus no meio dos homens.

Vamos nos unir ao santo desejo de São Paulo VII, que desde o ano de 1967, pede que a Mãe Igreja, inspirada na Maternidade da Bem Aventurada Virgem Maria, viva um dia de oração pela paz.  A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica” é o título da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2020, celebrado em 1º de janeiro. O texto traz como referências principais dois eventos que marcaram o Vaticano este ano: o Sínodo dos Bispos para a Amazônia, realizado em outubro, e a viagem do Santo Padre ao Japão, no final de novembro. “A esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”, escreve o Pontífice. Entre esses obstáculos, o Papa cita as guerras e os conflitos que continuam ocorrendo, que marcam a humanidade na alma. Toda guerra, reforça, é um fratricídio. “Há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódios e violências.” O Papa centra a sua mensagem em quatro pontos: memória – horizonte da esperança. Paz: busca da verdade e da justiça. Conversão ecológica, fruto do Sínodo da Amazônia e aprender a viver no perdão. Como precisamos perdoar e acolher.

Para o ano de 2020 o Papa Francisco, falando para a Cúria Romana, traça metas que servem para todos nós: bispos, padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, lideranças religiosas e todos os homens e mulheres de boa vontade: mudança de mentalidade pastoral, não viver o clima de cristandade, caminhar sempre, como peregrinos que vivem com o coração aberto aos outros, com a acolhida e a misericórdia. Nosso coração tem que ser como o de Cristo. Hoje a sociedade não se inspira mais na cultura cristã. Precisamos ser missionários. Por isso com misericórdia o centro é a evangelização. Como fiquei feliz com estas diretivas, porque desde que fui eleito e sagrado bispo centrei meu ministério no lema: “In gentibus evangelizare”, ou seja, evangelizar todas as gentes, sem amarras, sem preconceitos.

Peçamos a Maria, Mãe de Deus, aquela que a Igreja proclama como verdadeira Mãe do Verbo Encarnado, não apenas na sua natureza humana, mas de toda a sua pessoa, divina e humana. Bendizemos, como Maria Santíssima, ao Deus da vida que realiza suas maravilhas na vida da humanidade.

Maria, a mulher que proporcionou o nosso encontro com Jesus, é o modelo do crente que é sensível aos projetos de Deus, que sabe ler os seus sinais na história, que aceita acolher a proposta de Deus no coração e que colabora com Deus na concretização do projeto divino de salvação para o mundo.

Que o ano de 2020 seja pautado, sobre a proteção da Virgem Maria, Santa Maria e sejamos construtores da paz que ensina, na conversão pessoal, a aprender a viver no perdão e evangelizar a todas as gentes e a todos os ambientes! Feliz e abençoado ano novo!

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