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Quarentena 14 de Dezembro de 2020 Dom João Bosco Óliver de Faria Artigo dos Bispos "A quarentena é, sem dúvida, desagradável, cansativa e sacrificante, mas, ainda assim, é melhor que ter a doença em casa"
Dom João Bosco Óliver de Faria
Dom João Bosco Óliver de Faria Arcebispo Emérito de Diamantina - MG
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No início da presença da Covid 19 entre nós, houve uma bela e forte conscientização, bem acolhida pelo povo, do “Fique em casa”! Recordo-me de ter saído de carro, em um domingo, percorrendo diversas ruas da cidade, na intenção de dar uma presença espiritual para a população assustada. Com feliz surpresa, observei que as pessoas estavam em casa e que não havia quase ninguém pelas ruas ou praças.

Com o passar do tempo, veio a convivência com a ideia do vírus e o cansaço com o desconforto de permanecer em casa, sem muitas alternativas de atividade. Foram aumentando as saídas desmotivadas, as compras desnecessárias como pretexto para deixar a casa, os encontros informais entre amigos, as festinhas discretas, fatos que trouxeram de volta a ideia de que o “comum” é, também, “normal”, como a não observância da quarentena. Mas nem tudo que é comum é normal, como o câncer, por exemplo.

Recentemente, passei por uma experiência nova: um parente, um amigo, um funcionário com toda sua família e alguns conhecidos foram acometidos pela Covid 19. Comecei a sentir o vírus mais perto de mim. Onde, então, fundamentar a esperança de não ser por ele atingido? Haveria alguma categoria de pessoas, um sistema de vida ou de profissão blindados diante dessa doença? Haveria um porto seguro onde atracar o barco da minha vida, fugindo do maremoto viral?

Acompanhando os noticiários, encontrei, entre as vítimas, um banqueiro em Portugal, vários artistas em plena saúde, governantes, políticos, sacerdotes, bispos, profissionais da saúde e, recentemente, um renomado médico no Rio de Janeiro, ainda no vigor da idade; encontrei pobres, pessoas da classe média e da classe alta, que tiveram os melhores hospitais e médicos a sua disposição, e todos padeceram igualmente. O vírus acomete a todos, indistintamente, e não há como saber quem será derrotado por ele, senão que existem grupos mais vulneráveis que outros, o que pressupõe que todos somos vulneráveis.

A situação lembra-me o filme “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. de Mille, produzido pela Paramount, que, ao narrar a décima praga do Egito, materializa-a numa terrível e misteriosa névoa noturna que caminha pelas ruas, invadindo as casas pelas frestas das portas não marcadas com o sangue do cordeiro, matando o filho primogênito de cada família (até dos animais) e não poupando nem mesmo o filho único do faraó Ramsés II.

Não temos, hoje, a névoa, recurso cinematográfico que evoca a ameaça do desconhecido, mas esse vírus maligno e invisível, que se propaga de modo imperceptível e à luz do dia, trazendo tristeza, dor e lágrimas a tantas famílias, destroçando algumas, infelizmente, é bem conhecido, ao menos pelas inúmeras vidas que seifa.

Enquanto a vacina não chega, a única defesa está no distanciamento social – sem solidão –, no uso da máscara e do álcool em gel, no lavar as mãos com água e sabão, frequentemente. Quando se pensa que não existe o perigo, quando se baixa a guarda, é então que a circunstância se torna mais perigosa. Ao olhar comum, o vírus não tem cor nem cheiro. Isso, contudo, não diminui sua ação destrutiva; ele continua à espreita!

Nesta semana, ao sair do carro para ir à farmácia, duas pessoas que estavam assentadas à beira da parede de uma casa, ao me reconhecerem, levantaram-se alegres e vieram ao meu encontro com as mãos estendidas para cumprimentar-me, pedindo a bênção. Não houve como negar; seria uma frustração para elas. Sorrindo, dei-lhes a mão e agradeci-lhes a gentileza. Afastando-me alguns passos, sem que elas o percebessem, tirei o álcool em gel do bolso para a devida higienização. São atitudes necessárias, impostas pela pandemia.

A quarentena é, sem dúvida, desagradável, cansativa e sacrificante, mas, ainda assim, é melhor que ter a doença em casa, ou que provocar o sofrimento dos outros. Não podemos assumir uma postura egoísta e pensar apenas em nós.

Aproximam-se as festas do Natal e do Ano Novo. A prudência nos aconselha a sermos discretos, modestos e cuidadosos nessas celebrações, para que elas não sejam as últimas de nossas vidas ou de nossos caros. Espero, se Deus quiser, apesar de minha idade, ter outras oportunidades, no futuro, para essas comemorações com as pessoas amigas e de minha família.

E Deus? Adianta rezar? Sim! O Divino Espírito Santo pode sugerir-nos as melhores atitudes em cada momento de perigo e nossa oração pode ajudar os cientistas a encontrarem as melhores maneiras de controlar esse vírus, como aconteceu no passado com outras pandemias. Jesus nos ensinou a rezar no Pai Nosso: “Livrai-nos do Mal”! Mas as leis da natureza conservarão seu modo de agir: o prego vai afundar na água, a água correrá para baixo e o fogo correrá para cima. Ajudaremos a Deus a nos proteger se tomarmos os cuidados que nos são aconselhados neste tempo de pandemia. Por enquanto, o distanciamento social – sem solidão –, o uso da máscara, do álcool em gel e o frequente lavar das mãos são a nossa única defesa!

Quarentena, quarentena, quarentena, quarentena, quarentena, quarentena!

Que venha logo a tão esperada vacina!

Desejo a todos Alegria, Vida, Saúde, um Santo Natal e um abençoado 2021!

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