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Páscoa: reencontrar a esperança 01 de Abril de 2021 Dom João Justino de Medeiros Silva Artigo dos Bispos "Numa cultura consumista, os dias identificados como feriados se tornam mercadoria para uma enorme indústria do entretenimento"
Dom João Justino de Medeiros Silva
Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG
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Numa paróquia, num bairro de classe média alta, de uma determinada cidade, o pároco, recém-chegado, se deparou com uma afirmação intrigante. Disseram-lhe que para a Semana Santa bastaria uma programação mínima, pois a maioria dos paroquianos tinha o costume de viajar naqueles dias e a frequência às celebrações cairia muito. Com fino trato pastoral, o padre aproveitou as pregações quaresmais para motivar a comunidade a escolher celebrar a Semana Santa, distinguindo a tendência de ver aqueles dias como feriado e explicitando o seu significado real para os cristãos. Lembrava-lhes que a indicação da Sexta-feira da Paixão como feriado era um patrimônio a ser cuidado e preservado em seu sentido. Esse dia não é laborativo em razão do que nele é rememorado, a Paixão de Jesus, e para facilitar o acesso dos fiéis às celebrações. E de tanto insistir com motivações positivas, a Semana Santa, naquela paróquia, retomou o seu lugar próprio na vivência do ano litúrgico.

De fato, muitos católicos ainda não descobriram o valor da Festa Pascal, quando celebramos solenemente o mistério da paixão, morte e ressureição de Jesus Cristo. Numa cultura consumista, os dias identificados como feriados se tornam mercadoria para uma enorme indústria do entretenimento. Antes das festas natalinas, as agências de viagem já estão com seus anúncios de pacotes para a Semana Santa do próximo ano. Seduzidos pelos sonhos de conhecer novos lugares, de quebrar o ritmo das semanas seguidas de trabalho e pela beleza das atrações turísticas, lá se vão muitos católicos, programando suas viagens na Semana Santa e se distanciando da comunidade eclesial, lugar das celebrações pascais.

Mas, no ano passado e nesse ano, a pandemia freou bastante a escolha pelas viagens nos dias de Páscoa. Ao mesmo tempo, fomos obrigados a grandes restrições de presença dos fiéis nos ritos do Tríduo Pascal, que vão da Missa da Ceia do Senhor, com o rito do Lava-pés, na Quinta-feira Santa, até o Domingo de Páscoa. É doloroso para a grande maioria dos fiéis ter de se ausentar das celebrações. Assim, também, para nós sacerdotes, que acompanhados de um pequeno grupo de fiéis presidimos as celebrações transmitidas pelas redes sociais. E falamos nesse tempo de “Semana Santa em família”. Nutro a esperança de que todos os católicos redescubram o valor da Páscoa. Aqueles que sofrem por não poderem participar presencialmente deem o passo de redescobrir a ritualidade pascal no âmbito familiar. Aqueles que lamentam não poder viajar, ao passarem a Semana Santa em casa, com seus familiares, também redescubram que a festa da Páscoa requer uma ritualidade capaz de recuperar em nós a genuína esperança cristã.

Retome o que São Paulo escreve aos Romanos: “... gloriamo-nos também das tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência a firmeza, e a firmeza a esperança. Ora, a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,3-5). Há um luto em cada um de nós pelos mais de 320 mil mortos, vitimados pela COVID-19. Ao contemplar a cruz da qual brotou a Ressurreição, reforce em cada um de nós a certeza de que o amor jamais acabará (cf. I Cor 13,8) e de que a esperança não decepciona (cf. Rm 5,5). Feliz e santa Páscoa.

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