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Para que uma educação ecológica? 18 de Setembro de 2020 Dom João Justino de Medeiros Silva Artigo dos Bispos "É preciso apostar na educação ecológica, qual inculcação de valores de respeito e de cuidado com os bens da criação"
Dom João Justino de Medeiros Silva
Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG
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Os crimes ambientais têm sido recorrentes em nosso país. Assistimos à falta de responsabilidade de empresas mineradoras que avançam na exploração do solo, movidas pelo afã do lucro, e descuidam das medidas de segurança e de uma exploração sustentável dos recursos naturais. Mariana e Brumadinho não podem ser esquecidos. Outra situação que nos deixa perplexos é a indefinição de uma política de estado para a Amazônia que tenha por prioridade a preservação da maior floresta tropical do mundo. Fala-se em patriotismo e, no entanto, rejeitam-se os dados precisos de institutos de pesquisa acerca do desmatamento e da mineração ilegal, sob a acusação de ideologia partidária. Queimadas criminosas consomem o pantanal mato-grossense e vê-se o imobilismo do Ministério do Meio Ambiente.

A destruição da floresta amazônica e do pantanal, entre outras, evidencia que “os recursos da terra estão sendo depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia e a atividade comercial e produtiva” (Papa Francisco, Laudato sì, 32). A raiz da crise ecológica é, sem dúvida, humana. O modelo econômico da maioria das sociedades é depredatório. Parece haver uma incompatibilidade entre a civilização contemporânea e o equilíbrio ecológico. Em outras palavras, onde chega o ser humano, a natureza parece condenada à destruição. Isso é facilmente identificável. Basta ter a coragem de se perguntar: onde estou agora, quais são os efeitos maléficos de meu modo de viver que afetam a casa comum? Proponho uma simples exercício: calcular a quantidade de lixo produzida semanalmente por nós. Isso bastaria para verificar nossa participação na poluição.

Diante de um quadro assim, urge o empenho de toda a humanidade em favor da criação. O tempo se faz curto para evitar catástrofes maiores. É preciso apostar na educação ecológica, qual inculcação de valores de respeito e de cuidado com os bens da criação, operando em favor de uma aliança entre a humanidade e o meio ambiente. Nessa escola todos nós devemos nos matricular. “É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida. A educação na responsabilidade ambiental pode incentivar vários comportamentos que têm incidência direta e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso do plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos, servir-se de transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias... Tudo isso faz parte de uma criatividade generosa e dignificante, que põe a descoberto o melhor do ser humano (Papa Francisco, Laudato sì, 211).

Não nos iludamos. A mutilação da natureza é, também, a nossa mutilação. Por isso, não é mais possível considerar como problema dos outros algo que afeta a todos. Há uma ética do cuidado com a natureza em cada gesto nosso, do que compramos ao modo como descartamos algo; da escolha por este ou aquele serviço; do voto nesse ou naquele candidato. Nossos pés que pisam esta terra deixam marcas das pegadas. Que elas sejam possivelmente as mais sutis, para que as futuras gerações, também, possam aqui caminhar.

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