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Para que todos sejam um 19 de Fevereiro de 2021 Dom João Justino de Medeiros Silva Artigo dos Bispos “a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17, 20-21)
Dom João Justino de Medeiros Silva
Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG
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O cristianismo, desde seus primórdios, foi marcado pela tentação da divisão. O evangelho relata como entre os próprios discípulos de Jesus houve pequenas dissenções que mereceram a correção do Mestre: “Entre vós não deve ser assim” (Mc 10, 43). A chamada oração sacerdotal, segundo o evangelho de São João, apresenta a súplica de Jesus ao Pai pela unidade: “a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17, 20-21). Essa oração diz do coração pequeno dos discípulos, ainda titubeantes no seguimento dos ensinamentos do Senhor. Os Atos dos Apóstolos atestam a diferença entre o atendimento das viúvas dos judeus e das viúvas dos helenistas. A decisão foi confiar a sete homens cheios do Espírito e de sabedoria o cuidado delas (cf. At 6, 1-3).

Os primeiros séculos da era cristã foram marcados por muitos debates de ordem teológica e disciplinar, deixando fissuras entre os cristãos e dando origem a igrejas separadas da comunhão com o bispo de Roma. A maior fissura foi a separação entre Ocidente e Oriente, em 1054. Posteriormente, no século XVI, o movimento protestante acabou por impulsionar o nascimento de outras igrejas. Depois, já no século XX, um número incontável de igrejas evangélicas surge. Nesse mesmo século, o movimento ecumênico nasce como esperança de busca da unidade cristã. Com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica entra nesse caminho, agora irreversível.

A Igreja Católica tem muitos documentos sobre o ecumenismo. Dois deles não podem ser desconhecidos dos fiéis católicos. O primeiro é o decreto conciliar Unitatis Redintegratio, promulgado ao final da 3ª sessão do Concílio Vaticano II, em novembro de 1964. O outro é a Encíclica Ut Unum Sint, de São João Paulo II, sobre o empenho ecumênico, publicada em 1995. É inegável a importância do Catecismo da Igreja para a sólida formação dos católicos. Mas não pode ser única fonte. Fosse assim, São João Paulo II não teria escrito a Ut Unum Sint. Outros ensinamentos do magistério precisam ser conhecidos.

A realização de uma Campanha da Fraternidade Ecumênica é um passo muito significativo para o caminho do ecumenismo. Quando o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC – abraça essa causa, testemunha que é possível a aproximação, o conhecimento da história das igrejas envolvidas, a oração comum, tendo por base a Palavra de Deus, as ações concretas a serviço da vida, da esperança, da justiça, da fraternidade. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, realizada no Brasil na semana que antecede a Solenidade de Pentecostes, é, também, uma experiência fecunda de superação de alguns distanciamentos.

É muito importante lembrar que o ecumenismo nunca pode ser visto como estratégia de encampar uma igreja à outra. Não é esse o seu sentido. O mais rico do ecumenismo é a espiritualidade de comunhão, único caminho capaz de conduzir ao encontro e ao desejo de ser um em Cristo. Sem conhecimento profundo da Palavra de Deus, sem a prática da escuta e do encontro com os irmãos batizados em outras confissões cristãs, sem a atitude de esvaziamento para acolher o outro, não é possível uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, muito menos o ecumenismo. E quando “irmãos separados” se aproximam, é preciso todo cuidado e toda delicadeza para se reencontrar a unidade.

 

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