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O Reino de Deus: os batizados devem ser luz no mundo 21 de Janeiro de 2020 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”(cf. Is 9,1; Mt 4,16)
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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A liturgia do terceiro domingo do Tempo Comum apresenta-nos o projeto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projeto do “Reino”. A luz de Cristo Ressuscitado, pela sua Palavra de Deus e pela Eucaristia, afugenta todas as trevas e abre os nossos olhos para compreendermos qual estrada devemos seguir para encontrarmos o sentido de nossas vidas. Hoje, em conformidade com o pedido do Papa Francisco, celebramos o dia da Palavra de Deus. O Senhor continua chamando a cada um de nós a segui-lo, conhece-lo e pelo anúncio da Palavra de Deus, anunciar o Evangelho do Reino.

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”(cf. Is 9,1; Mt 4,16). Que luz é esta que o povo viu? Trata-se da luz que é o próprio Jesus. Quando Jesus se encarna, cumprindo as profecias todas, ele está se proclamando como verdadeira luz que veio ao mundo(cf. Jo 1,9). É por isto que ele inicia seu ministério público afirmando: “Convertei-vos porque o Reino dos céus está próximo!”(cf. Mt 4,17). Jesus é o Reino dos céus no meio de nós(cf. Lc 17,21). Converter-se é acolher a vida nova que nos introduz neste Reino. Na primeira leitura(cf. Is 8,23b-9,3), o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.

O Evangelho(cf. Mt 4,12-23) descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do “Reino”. Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra. Ao anúncio do que teve lugar com o Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue-lhe o premente convite à “conversão”, a que está ligada o perdão dos pecados. Tudo isto aparece claramente no discurso que Pedro pronuncia no pórtico de Salomão: “Deus deu cumprimento deste modo ao que tinha anunciado por boca de todos os profetas: que seu Cristo padeceria. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados” (cf. At 3,18-19). Este perdão dos pecados, no Antigo Testamento, foi prometido por Deus no contexto da “nova aliança”, que Ele estabelecerá com seu povo (cf. Jr 31,31-34). Deus escreverá a lei no coração. Nesta perspectiva, a conversão é um requisito da aliança definitiva com Deus e ao mesmo tempo uma atitude permanente daquele que, acolhendo as palavras do anúncio evangélico, passa a formar parte do reino de Deus em seu dinamismo histórico e escatológico.

Os destinatário da mensagem de Jesus sou eu, és tu quando nos abrimos à Palavra, para escutá-la com sinceridade, alcançamos a paz, a salvação, a vida. Ele continua a revelar-se para nossa divindade, quando fazemos o esforço necessário para nossa conversão.

A segunda leitura(cf. 1Cor 1,10-13.17) apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no batismo. Sem dúvida, uma das formas mais eloquentes de darmos testemunho da vinda do Reino é sendo “bem unidos e concordes no pensar e no falar”(cf. 1Cor 1,10). As divisões aludidas por São Paulo se fazem muito presentes no mundo atual e constituem um escândalo – sobretudo – quando se fazem presentes nas nossas comunidades. “Será que Cristo está dividido?”(cf. 1Cor 1,13). Onde Cristo é a grande luz, cresce a alegria, aumenta a felicidade, pois o nosso jugo foi abatido(cf. Is 8,2-3). Convertamo-nos de nossas divisões e sejamos assim: luz na luz.

O Reino de Deus: os batizados devem ser luz no mundo! Anunciemos a Palavra de Deus, que é luz para os nossos pés e lâmpada para os nossos caminhos!

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