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O banquete da vida 05 de Agosto de 2014 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos O banquete da vida se tornou privilégio de poucos, que vivem à custa dos pobres explorados.
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
A a     

Deus destinou os bens da criação para todos. Mas uns poucos se apoderaram deles, conservando os demais sob férrea dependência, incapazes até de ter acesso aos bens básicos da vida. O banquete da vida se tornou privilégio de poucos, que vivem à custa dos pobres explorados.

Deus subverte essa situação, convidando os pobres explorados a sair da dependência e a saborear o banquete da vida, na liberdade e fraternidade, onde o comércio é substituído pela partilha dos  bens da criação. Dessa forma, inicia a novo êxodo do povo de Deus em direção ao mundo novo. Jesus deu a esse mundo novo sua forma definitiva, convidando as pessoas a lutar para que ele se concretize no meio de nós.

Jesus sente pena das pessoas que o seguem. Compadece-se deles. Atende os enfermos e dá de comer à multidão. Certamente, não lhes oferece um suculento banquete, apenas pão e pescado, mas todos ficam satisfeitos e ainda sobra. Uma vez mais o Evangelho nos apresenta Jesus oferecendo àqueles que o seguem vida e vida plena. E o que é mais importante, oferecendo-a gratuitamente.

Esta é a primeira grande diferença entre o que nos oferece a nossa sociedade e aquilo que Jesus nos proporciona. O que Jesus nos oferece é sempre gratuito. Além disso, há outra diferença. Jesus nos oferece justamente aquilo de que necessitamos. Todos nós sabemos das grandes somas de dinheiro que gastamos inutilmente. Todos os indivíduos, as famílias e a sociedade de uma maneira geral. Não podemos nos eximir dizendo que apenas os ricos fazem isso. De maneira sincera, devemos aceitar que todos nós o fazemos. Apesar dos nossos poucos recursos, de fato não sabemos aproveitar e acabamos por gastar em coisas que não produzem fartura, nem nos fazem sentir mais felizes e mais vivos.

Jesus nos indica onde devemos encontrar aquilo de que necessitamos para sermos felizes e, além disso, de maneira gratuita. Jesus se situa no oposto da nossa sociedade. Nela não apenas pagamos por tudo, mas, também, acabamos comprando aquilo que não nos falta, mas o que outros querem que compremos. Por preços baratos, ou nem tanto, nos são oferecidos produtos que prometem felicidade. O que não nos dizem é que, uma vez usado o produto, retornaremos à mesma situação- ou pior – em que nos encontrávamos antes de adquiri-lo.

Jesus nos coloca diante do que é mais importante para nós. Não é necessário comprá-lo porque já o temos. Quando aprendermos a sentir com nossos irmãos e irmãs, a compartilharmos com eles o que possuímos então nossa vida se elevará e descobriremos a alegria do amor. O Reino se fará presente entre nós, porque a felicidade não está em ter muitas coisas, mas sim na relação e no encontro prazeroso com os outros.

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