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Francisco e as mulheres 06 de Março de 2020 Dom João Justino de Medeiros Silva Artigo dos Bispos "A atuação das mulheres em todas as instâncias da sociedade e na vida da Igreja não pode ser reduzida a constatações estatísticas"
Dom João Justino de Medeiros Silva
Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG
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Existe um dispositivo canônico que prevê um encontro do Papa, de tempos em tempos, com os bispos de determinada região do mundo. Chama-se visita Ad Limina Apostolorum. Tal visita quer significar que os bispos, sucessores dos apóstolos, vão ao encontro do sucessor de Pedro. Em 2020, os bispos brasileiros, organizados segundo os regionais da CNBB, irão a Roma para esse encontro. A última visita nessa modalidade foi no ano de 2010, no pontificado de Bento XVI.

Os bispos do Regional Sul 2, das dioceses do Paraná, já realizaram sua visita. No conjunto eram 22 bispos, 3 presbíteros e uma mulher, assessora de imprensa do Regional. Foi noticiado que o Papa Francisco ficou positivamente surpreso ao ver entre os bispos uma mulher. Karina de Carvalho contou como foi a reação do Papa: “Ele já me olhou surpreso quando me viu no meio dos bispos e quando eu falei que era jornalista, ele olhou para trás, para os bispos, e falou: ‘Que bom uma mulher no meio dos bispos! Deviam trazer umas 4 ou 5’. E sorriu, mostrou alegria de ver que tinha uma mulher entre eles, ressaltando que deveriam trazer mais.”

Esse fato mostrou o jeito de Francisco lidar com a presença feminina na Igreja. Por diversas vezes ele tem se posicionado em favor da maior valorização da participação das mulheres na vida eclesial. Sabe o Papa que “a imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos” (Evangelii gaudium 102). E, por sua vez, as mulheres são grande maioria entre eles. Francisco vê “com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica” (Evangelii gaudium 103). Também reconhece que “é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja” (Evangelii gaudium 103).

A atuação das mulheres em todas as instâncias da sociedade e na vida da Igreja não pode ser reduzida a constatações estatísticas. Há algo próprio do feminino que elas sempre estão a oferecer. Em alguns círculos eclesiásticos, predominantemente masculinos, a presença delas interpela e instala uma alteridade diferente. A expressão de Francisco: “Que bom uma mulher no meio dos bispos! Deviam trazer umas 4 ou 5” me fala de um modo de arejar relações. O Papa já nomeou diversas mulheres para funções na Cúria Romana. Ele sabe a diferença que a presença delas traz em ambientes onde homens adultos, tantas vezes autorreferenciais, correm o risco de se infantilizarem. E quando elas trazem suas experiências familiares, acadêmicas, matrimoniais, administrativas e outras, acabam por elevar a qualidade da palavra e das relações.

Há muita resistência e preconceitos em relação às mulheres. Na Igreja, inclusive, o que é grande contradição com o evangelho de Jesus. Os noticiários mostram como a violência contra a mulher persiste com dados alarmantes. A importante Lei Maria da Penha tem seu lado vergonhoso para uma sociedade que se diz cristã, pois ela evidencia o quão são violentadas as mulheres no Brasil. Lamentavelmente, muitas são maltratadas, alvos de ofensas da parte de quem se esperaria o respeito exemplar. Todo preconceito e violência contra as mulheres deverá ser combatido, e que cada vez mais a presença feminina seja ampliada nos diversos espaços no seio da Igreja.

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