(31) 3224-2434
(31) 3224-0017
Artigo
            Publicações             Artigos             Ecoe a voz do amor
Ecoe a voz do amor 04 de Janeiro de 2021 Dom Walmor Oliveira de Azevedo Artigo dos Bispos
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte - MG e Presidente da CNBB
A a     

Dia de Natal, deixe ecoar a voz do amor. O Natal remete a humanidade ao mistério maior, o nascimento de Jesus, estrela luzente no horizonte sombrio deste tempo, quando a humanidade sofre pelo luto, por suas perdas e angústias. Deixar ecoar a voz do amor é convite para experimentar a alegria extraordinária que tomou conta do coração dos pastores de Belém, gente simples e rude, nos limites próprios da vida da roça, capacitando-os para ver e escutar um mistério de amor que estava para além de suas compreensões. Ecos do amor maior rompem com o que é estreito e iluminam uma compreensão que jamais a acuidade da ciência pode permitir alcançar. Essa compreensão nasce da experiência de se buscar Deus, a fonte inesgotável do amor, do amor verdadeiro e duradouro, comprovadamente indestrutível.

É o amor verdadeiro e duradouro que alicerça a verdade, convence sobre a importância de se dedicar ao bem, inspira convictamente o exercício da solidariedade, a busca por justiça, causando inquietação diante de preconceitos e discriminações. Do amor vem a força para multiplicar multidões de obreiros da paz, promotores da justiça e empreendedores de uma lógica nova nos funcionamentos da sociedade. O convite para deixar ecoar a voz do amor não é empreendimento humano. Sozinha, a humanidade não consegue alcançar uma realização dessa magnitude. A obra é de Deus, a fonte do amor, Deus é amor.

O divino convite para que ecoe a voz do amor se revela no mistério da celebração do Natal do Senhor, o Verbo que se faz carne e põe sua morada no chão da humanidade. A humanidade é convidada a escutar a voz do amor. E só a Palavra, Cristo, Verbo encarnado, é a voz do amor. Aceitar este convite significa acolher Cristo. Requer um despir-se de pretensões orgulhosas para cultivar simplicidade, em tudo, e deixar-se guiar pela força de uma beleza reveladora, com força de transformação. Essa beleza capaz de transformar cada pessoa só pode ser alcançada a partir da intervenção de Deus. E a escuta da voz do amor requer silêncios para apurar percepções e aprofundar a interioridade - tudo renovando a partir do amor.

A celebração do Natal se repete a cada ano, na singularidade da liturgia, na celebração confessional da fé, a partir de práticas que fecundam a vivência deste momento. No atual contexto, de uma humanidade mais sofrida, afligida por uma pandemia, fechada sobre si mesma, nos seus cálculos egoístas e mesquinhos que geram milhões de excluídos, fome e miséria - uma sociedade temperada pelo insosso da indiferença - o Natal traz forte interpelação: deixe ecoar a voz do amor. Um apelo dramático, na hora última de um ano com perdas irreparáveis. Acolher a convocação do Natal é sonhar com uma humanidade nova, uma sociedade solidária. Por isso mesmo, a celebração do Nascimento de Jesus não pode ser vivida sem que se deixe ecoar a voz do amor. E a sociedade deve vencer o seu despreparo para escutar essa voz.

Do silenciar-se para ouvir, sabe-se pouco. A superficialidade de gestos e reflexões empurra o ser humano na direção de algazarras que ferem a contemplação, criando o perigo de aglomerações que ameaçam a saúde, a escuta, o encantamento. Natal é tempo por excelência para fomentar o encantamento que possibilita o reencontro do belo que transforma, devolvendo sentido à vida, fazendo brotar, como nascente, a força de uma verdade libertadora que somente se revela no encontro com o amor maior.

O Natal oferece uma possibilidade para que a civilização aprisionada, mesmo com tantos progressos científicos, possa avançar. Mas há, lamentavelmente, os que insistem em entender que o Natal é simples expressão poética, sem se aprofundar no seu genuíno sentido. Outros muitos, orgulhosos, permanecem encastelados no que julgam ser sabedoria, mas, na verdade, se resume a considerações inócuas e sem força transformadora. Ainda mais perigoso é o horizonte construído por confissões religiosas que incentivam práticas desalmadas, lugar de perversidades, apropriando-se de certos valores e princípios para deturpá-los, em busca de vantagem política e econômica. Por tudo isso, a humanidade continua a padecer com tristes situações, que incluem as desigualdades sociais vergonhosas e as depredações mesquinhas da natureza.

Sem a genuína celebração do Natal, a interioridade humana poderá ser povoada por insatisfações e pela ausência de sentidos que levam a situações graves – à falta de lucidez e, em casos extremos, à desistência da vida. A edificação de um novo tempo, contemplando solidariamente as dores da humanidade, sensibilizando-se ante os clamores dos pobres, sonhando com um mundo melhor, mais justo e fraterno, só será possível se a celebração do Natal for vivida de modo pleno: experiência simples de deixar ecoar no coração a voz de Deus, a voz do amor.

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
Últimas Notícias
                  
Área do Participante
Esqueceu sua senha? Ainda não tem cadastro? Clique aqui.
Área do Participante
Esqueceu sua senha? Ainda não tem cadastro? Clique aqui.
Esqueceu a senha
Inscreva-se