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Deus paciente e cheio de misericórdia pelo pecador 14 de Julho de 2020 Dom Eurico dos Santos Veloso Artigo dos Bispos “Espírito ajuda a nossa fraqueza (...) intercedendo por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8.26)
Dom Eurico dos Santos Veloso
Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do “Reino”; e convida-nos, sobretudo, a interiorizar essa “lógica” de Deus, deixando que ela marque o olhar que lançamos sobre o mundo e sobre os homens.

A primeira leitura(cf. Sb 12,13.16-19) fala-nos de um Deus que, apesar da sua força e omnipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens - mesmo quando eles praticam o mal. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem “humanos”, isto é, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.

O Evangelho(cf. Mt 13,24-43) garante a presença irreversível no mundo do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens - bons e maus - encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.

O Reino dos céus que Jesus anuncia é uma realidade deste mundo ao mesmo tempo que é grávido das graças da vida eterna. Jesus compara o Reino a realidades ao mesmo tempo frágeis e cheias de vida: o campo onde brotam o trigo e o joio(Mt 13,24ss); a semente de mostarda que, embora pequeníssima, torna-se a maior das hortaliças(Mt 13,31-32); o fermento que desaparece na massa, mas a faz crescer(Mt 13,33)etc. Só quem está disposto a amar como Jesus poderá compreender a lógica deste Reino. Nessa exigente tarefa o “Espírito ajuda a nossa fraqueza(...) intercedendo por nós com gemidos inefáveis”(Rm 8.26). De todos nós Deus quer ter misericórdia(Sb 12,16) e por isso ele nos dá espaço para a penitência(Sb 12,19), para que todos nos convertamos, pois o Reino de Deus está no meio de nós(Lc 17,21). Hoje não é tempo de julgar, de condenar, não é tempo de jogar fora o joio, é tempo de convertê-lo, é tempo de olhar para ele e ver que, mesmo aquilo que em nós reconhecemos como negativo Deus pode transformar. Às vezes, o nosso próprio temperamento está cheio de joio, um temperamento irascível, duro e grosso. A graça de Deus transforma o joio que há em nós no bom trigo de salvação, por isso é tempo de paciência, misericórdia e ação.

A segunda leitura(cf. Rm 8,26-27) sublinha, doutra forma, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo - dom de Deus - vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

O Pai planta a boa semente da vida plena em nossos corações no momento em que celebramos a Ceia Eucarística, memorial da Paixão, morte e Ressurreição do Senhor Jesus! Deus continua sendo paciente e misericordioso para com os pecadores! O grão semeado no nosso campo era promessa de uma boa colheita. Mas eis que o joio veio poluir a seara. Que tipo de compromissos aceitamos na nossa vida? Deus é paciente! Mas se temos ouvidos, é urgente escutar o seu apelo à conversão. É urgente escolher o nosso campo: o do Senhor ou o do Maligno. Não há alternativa!

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