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Aparecida: 15 anos 13 de Maio de 2022 Dom Walmor Oliveira de Azevedo Artigo dos Bispos "Esses cenários de desolação precisam ser debelados pela graça da vitória pascal"
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte - MG e Presidente da CNBB
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Era 13 de maio de 2007. No Santuário Nacional - casa da Mãe Aparecida -, iniciava-se a 5ª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe. Quase três semanas de espiritualidade e reflexões fecundas. Ungido o ambiente pela singular, amorosa e sincera presença de milhares de peregrinos. Dias de bênçãos e de iluminação para o horizonte missionário da Igreja. O povo orante e confiante na intercessão materna e discipular da Mãe Maria, por força espiritual invisível e imensurável, inspirava os pastores e seus assessores ali congregados a dimensões essenciais da vivência autêntica da fé cristã católica: todos discípulos e discípulas missionários no seguimento de Jesus Cristo, Mestre e Senhor, Crucificado e Ressuscitado. Na riqueza da participação dos congregados na Conferência Geral, há de se destacar a presença amorosa do Papa Bento XVI – hoje Papa emérito -, que inaugurou a Conferência de Aparecida, e a singular dedicação do então Arcebispo de Buenos Aires, Argentina, hoje o Papa Francisco. Na atualidade, o Santo Padre reafirma a importância e o potencial evangelizador do Documento de Aparecida, fruto da Conferência, publicado no dia 29 de junho de 2007.

O Documento de Aparecida, na festa de seus 15 anos, é um tesouro para impulsionar as forças missionárias da Igreja Católica, interpelada a oferecer novas respostas ante desafios do mundo contemporâneo. As linhas mestras de Aparecida são uma resposta atual e essencial dentro dos parâmetros do Concílio Vaticano II, especial acontecimento vivido de 1962 a 1965, e que preparou a Igreja para evangelizar na contemporaneidade. Assim, o Documento, fruto da Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, reúne entendimentos e indicações concretas para o caminho desafiador deste terceiro milênio. Diferentemente das vozes que alardeavam interpretações equivocadas, difundindo que o evento de Aparecida correria o risco de ser um retrocesso no caminho eclesial e missionário, indicações da Conferência permanecem como um desafio pastoral, urgindo efetivações assertivas de respostas na vivência do discipulado e nas exigências evangélicas do seguimento de Jesus Cristo.

Incontestável é a afirmação que vem do coração do próprio Papa Francisco: a Igreja é desafiada a oferecer novas respostas a partir do horizonte da Conferência de Aparecida, neste tempo de grandes mudanças. Muito atual, o Documento de Aparecida afirma que o caminho da Igreja na América Latina e no Caribe tem lugar em meio a luzes e sombras deste tempo, que traz aflições. Sublinhe-se o processo de redação do Documento, que envolveu momentos de impasse, mas foi permeado pela ação do Espírito Santo de Deus, o guia da Igreja. O Espírito Santo gestou caminhos corajosos e inspirações proféticas, trazendo à luz o conjunto de indicações do Documento de Aparecida - interpelação à Igreja Latino-americana e Caribenha, irradiando inspirações para a Igreja em todo o mundo. As contribuições da Conferência de Aparecida fortalecem a Igreja na missão de formar discípulos e discípulas de Cristo, caminho, verdade e vida, para que todos os povos tenham vida. As contribuições são especialmente singulares porque contam com a inspiração e proteção da Mãe Maria, perfeita discípula e pedagoga da evangelização, ensinando sempre a fazer o que Ele, Cristo Jesus, indica.

As indicações do Mestre são essenciais para cultivar as grandes riquezas dos povos, a fé no Deus amor, a tradição católica na vida e na cultura – lembrando-se sempre das raízes católicas que inspiram a arte, a linguagem e estilos de vida, tecendo identidades, originalidade e unidade na realidade histórico-cultural latino-americana e caribenha. Uma realidade marcada pelo Evangelho de Cristo, que não pode abandonar Deus por comportamentos viciosos, opressão, violência, ingratidões e misérias. Esses cenários de desolação precisam ser debelados pela graça da vitória pascal. O atual período da história, marcado por desordem generalizada, crises sistêmicas variadas, turbulências sociais, políticas e ecológicas, urge por indicações preciosas e testemunhos, sublinha o Documento de Aparecida.

A Igreja é chamada a repensar profundamente as suas dinâmicas, a relançar com fidelidade e audácia a sua missão, considerando as novas circunstâncias mundiais, sublinha o Documento. Trata-se da preciosa indicação de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho de Jesus - sempre a partir d’Ele, viver a missão de fazer despertar discípulos missionários. Esse avanço almejado não se efetiva pela dependência de grandes programas ou estruturas, mas pelo encontro com Ele, Cristo. Depende, pois, de homens e mulheres que encarnam essa tradição e novidade, missionários do Reino de Deus, protagonistas de uma vida nova. A celebração dos 15 anos da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho é convite para revisitar o Documento de Aparecida, com indicações concretas, para efetivar o que é próprio de uma Igreja Sinodal: alicerçada na autenticidade e na formação permanente, na vivência e no testemunho de discípulos e discípulas missionários, para fecundar vidas a caminho do Reino de Deus.

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