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Ação Pastoral pós-pandemia (parte 6) 07 de Julho de 2020 Dom Edson José Oriolo dos Santos Artigo dos Bispos “Nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,39)
Dom Edson José Oriolo dos Santos
Dom Edson José Oriolo dos Santos Bispo Diocesano de Leopoldina - MG
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No dia 26 de fevereiro de 2020, após presidir a Celebração da Eucaristia, na Catedral de São Sebastião, em Leopoldina (MG), retornando à residência episcopal, liguei a televisão para acompanhar as news (good, bad e fake). Os jornalistas comentavam o primeiro caso de coranavírus no Brasil. O paciente era um homem de 61 anos que viajou à Itália e, retornando, deu entrada no Hospital Albert Einstein com os sintomas de Covid-19.

No dia seguinte (27 de fevereiro), já eram 132 os casos suspeitos de contaminação pelo novo coranavírus, monitorados pelo Ministério da Saúde. A partir do dia 28, foi lançada a campanha publicitária de prevenção ao coronavírus em TV aberta, rádio, internet, orientando a população sobre o risco do Covid-19. Eram incentivados hábitos como: lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel a 70% e não partilhar objetos pessoais.

De lá para cá, estamos vivenciando o quarto mês de quarentena, com proliferação do vírus em todos os Estados da federação. A população está sofrendo as consequências da própria pandemia, acrescidas da crise econômica e política. Percebemos o aumento de infectados e no número de óbitos; há conflitos entre as lideranças políticas do país. O enfrentamento mostra-se desarticulado pelos interesses político-eleitorais em todas as instâncias. A situação de pobreza que já era grave, agora com o aumento do índice de desemprego, faz surgir nos lares pessoas deprimidas e em conflito.

A Igreja particular de Leopoldina MG bem como as demais dioceses que formam a Igreja Católica está buscando formas de estar presente na vida dos seus fiéis e do povo em geral. É uma situação que está a exigir uma compreensão mais aprofundada da teologia e da práxis para que a sua ação pastoral, de acordo com mandato missionário de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mc 16,15), atenda às necessidades espirituais e materiais de toda pessoa humana.

Na crise, recebemos uma sobrecarga de intuições e informações, inclusive no campo da fé. Muitas perspectivas são abertas para vivenciar esse tempo, solidificando o nosso futuro eclesial. Não se pode, porém, retroceder de um compromisso moral personalista para se fixar em preocupações casuísticas. O momento é de fidelidade no essencial, buscando criativamente novas formas de atendimento das necessidades espirituais e humanas do Povo de Deus.

A nova evangelização, proposta pelo Concílio Vaticano II e formulada por João Paulo II e Bento XVI, está a exigir que se encontrem novas formas de anúncio querigmático, instrução na fé e de celebração dos mistérios da Vida Divina, no cotidiano das nossas comunidades. Não existem formulas prontas. Os paradigmas devem ser aplicados de forma local, de acordo com a realidade das comunidades, paróquias, foranias e dioceses.

Neste tempo de pandemia, enquanto comunidade de fé, apoiando-nos mutuamente, somos impelidos a aprender a dar respostas pastorais para que o evangelizar e o celebrar possam efetivamente conduzir a autêntica virtude da esperança. Sejamos esperançosos, pois Deus está conosco: “Nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,39). Necessitamos dar respostas pastorais práticas e sermos ousados no lançar as sementes da Palavra.

Uma analogia: na história das ciências, o corpo humano sempre foi muito estudado. Apesar disso, sob alguns aspectos, o nosso organismo continua a ser um enigma. Podemos dizer que se trata de uma estrutura complexa, regida por uma inteligência de última geração; o corpo humano revela-nos, uma logística organizacional em função do todo. Podemos analisar essa dimensão do corpo humano para entender a nossa missão de trabalhar em conjunto, em rede, em equipe. Fazemos parte de um todo, a Igreja de Jesus Cristo. Somos membros desse corpo (Igreja) onde Cristo é a cabeça.

Desde os primeiros tempos do cristianismo, o conceito de Corpo Místico de Cristo foi objeto de reflexões pelos padres da Igreja. Mas foi São Paulo que mais falou sobre a Igreja Corpo Místico de Cristo (cf. 1 Cor 12,12-27), entendendo que Jesus é a cabeça do Corpo que é a Igreja (cf. Cl1,18), afirma que Ele dá vida, nutre e cuida dela: “Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador” (Ef 5,23), “Como Cristo faz à sua Igreja, porque somos membros de seu corpo” (Ef 5,29).

Pio XII, na encíclica Mystici Corporis Christi, afirmava a supremacia da dimensão de “corpo” na vida e auto compreensão da Igreja. A Eclesiologia clássica nos ensina essa verdade que não pode ser ignorada em nossas iniciativas pastorais. Para Evangelizar, nós formamos um corpo e nossas “faculdades corpóreas” só funcionarão adequadamente em função da finalidade de forma harmônica, interativa e convergente. Mais que “corpo”, formamos o “Corpo Místico de Cristo”. Necessitamos do auxílio do divino Redentor, pois que ele disse: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), bem como “Cristo também precisa de seus membros” (n. 43).

Que no Corpo, que é a Igreja, não sejamos um vírus de desagregação e destruição, mas pulverizadores da inter-relação e membros sadios que contribuem para que a “nova evangelização”, mantenha viva a chama da esperança, nos passos de nosso Mestre evangelizador, Jesus de Nazaré.

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