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A túnica e o jaleco a serviço da vida 22 de Outubro de 2020 Dom Edson José Oriolo dos Santos Artigo dos Bispos "Ela é a “veste branca” recebida no dia de nosso batismo, demonstrando exteriormente a vida nova em Cristo"
Dom Edson José Oriolo dos Santos
Dom Edson José Oriolo dos Santos Bispo Diocesano de Leopoldina - MG
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A túnica e o jaleco são as indumentárias características do sacerdote e do médico. Ambas são inteiramente brancas e o seu simbolismo provoca a reflexão sobre o desafio imposto pela crise sanitária vigente, imposta pelo Covid-19.

A cor branca significa segurança, pureza, limpeza, paz, conforto e inocência. Em nossa cultura ocidental está associada com a alegria, virtude e grande amor a Deus. Não menos importante que tais adjetivos, é salutar recordar que também evoca positividade, leveza e equilíbrio na dimensão espiritual. Mais do que nunca, a túnica e o jaleco, em dimensões distintas e complementares instigam o pensamento sobre o cuidado e a valorização da vida: apontam para a presença amorosa do Bom Deus que caminha com o seu povo.

A túnica ou alva é conhecida como a indumentária que os clérigos (diáconos, sacerdotes e bispos) trazem sob os demais paramentos para oficiar sacramentos e sacramentais. Não é um traje ordinário, de uso corriqueiro, mas destinado especificamente para a ação ritual-celebrativa. A túnica deve ser alva, isto é, branca. No entanto, o sentido do uso da túnica é ainda mais profundo.

Ela é a “veste branca” recebida no dia de nosso batismo, demonstrando exteriormente a vida nova em Cristo. Todo batizado, não apenas o sacerdote, tem na túnica branca a sua indumentária própria e característica. O sacerdote veste a túnica antes dos demais paramentos propriamente sacerdotais também para recordar que ele, enquanto batizado, participa do Povo de Deus.

O sacerdote usa a túnica, conjuntamente com os demais paramentos, para agir in persona Christi capitis (na pessoa de Cristo-cabeça), mas, por outro lado, todos os batizados, revestidos espiritualmente da túnica, que é a “veste batismal”, são chamados a agir in persona Christi (na pessoa de Cristo), para cuidar, consolar e promover, em vista de dias melhores. Homens e mulheres de boa vontade, em função da vocação batismal, são constituídos verdadeiras “pedras espirituais” na edificação de um tempo de esperança.

Entre essas pessoas, homens e mulheres de boa vontade, destacam-se aqueles que exercem um “sacerdócio” específico. Eles também usam uma indumentária branca, característica do serviço que prestam à vida. Não usam a túnica, mas o jaleco. São médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, fisioterapeutas, colaboradores e colaboradoras das instituições de saúde, farmacêuticos e farmacêuticas, pesquisadores e pesquisadoras.

O jaleco branco surgiu na Idade Média, como forma de proteger os médicos do contágio da peste bubônica que assolou a Europa. No início do século XX, o médico húngaro Semmelweis (1818-1865), reconhecido por estudar métodos para tratar a febre puerperal, foi o primeiro a chamar a atenção para a importância da assepsia. Os médicos, com as precárias condições de higiene à época, usavam o mesmo bisturi, sem esterilização, em vários pacientes. O referido médico distinguiu-se pelo abnegado esforço para a qualificação higiênica, assim, Semmelweis passou a ser considerado “o pai do jaleco”.

Os sacerdotes e também os cristãos conscientes da missão de edificar o “Reino” estão exercendo sua missão, promovendo a solidariedade, o equilíbrio e a busca de forças e esperanças no transcendente, que comunica o mistério do Deus da vida. A espiritualidade é uma dimensão indispensável em toda existência, quanto mais diante dos desafios que se apresentam. Os profissionais de jaleco branco estão entregando informações cruciais em uma velocidade incrível para melhorar as nossas vidas. Testam, rastreiam e tentam isolar o vírus. Criam frente de combate ao Coronavirus.

Esses sinais exteriores nos ajudam a perceber que fé e razão caminham juntas, como serviços distintos, mas convergentes, na promoção da pessoa humana e da casa comum. A relação de complementaridade entre a túnica e o jaleco demonstram a necessidade de afastar o risco do fideísmo e, também, do cientificismo. Em tempo de crise sanitária, túnicas e jalecos brancos juntos nos convidam a valorizar a vida “para que todos a tenham e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10).

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