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A Misericórdia que traz paz, perdão e missão 13 de Abril de 2021 Dom Gil Antônio Moreira Artigo dos Bispos
Dom Gil Antônio Moreira
Dom Gil Antônio Moreira Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora - MG
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Celebramos o Segundo Domingo da Páscoa. Antigamente era chamado Domingo in Albis, pois era o dia em que os cristãos que foram batizados na Vigília Pascal depunham as suas vestes brancas com as quais tinham se revestido durante toda a Oitava da Páscoa. Desvestiam-se do símbolo, mas conservavam a brancura da graça em seus corações. Hoje o celebramos como Domingo da Misericórdia, por iniciativa de São João Paulo II, que desejou destacar este atributo de Deus e essa virtude cristã para a humanidade atual tão cheia de conflitos, inspirado na experiência mística de Santa Faustina, a quem canonizou em seu pontificado.

Mas por que este Domingo é chamado assim? Olhemos com atenção as leituras sagradas: o Evangelho narra o que se passou com os discípulos de Jesus em dois momentos: a tarde do domingo da ressurreição e oito dias depois. Naquele primeiro momento, vejamos que Jesus se apresenta ressuscitado aos apóstolos, fechados no cenáculo, com medo dos judeus, e os saúda duas vezes com a expressão “A Paz esteja convosco” e a repetirá uma terceira vez, no oitavo dia, quando volta a se reunir com eles para acolher o frágil Tomé e reintroduzi-lo na fé.

Esta saudação de Paz é própria e tradicional entre os povos orientais, como Shalom para os judeus e Salaam Aleikum, para os árabes. Até hoje estes povos assim se saúdam. Mas aqui, naquele momento da ressurreição, a expressão teve um significado todo especial. Lembremos que os apóstolos haviam abandonado Jesus no momento da paixão, desde a hora em que ele foi preso no Getsêmani. Diz São Marcos no capítulo 14, versículo 50: “então, abandonando-o, todos os discípulos fugiram. Sabemos que apenas um deles, segundo o evangelho de João, voltou e permaneceu fiel até o fim. Foi o próprio São João que seguiu a fidelidade de Nossa Senhora e de algumas santas mulheres. Mas os demais não fizeram isso.

Numa análise puramente humana, o Senhor teria o direito de, após a ressurreição, não dar mais atenção aos que lhe foram infiéis. Mas, ao contrário, Jesus os procura, aproxima-se, compreende sua fraqueza, vai ao encontro deles e oferece-lhes não um castigo, mas a paz. É um gesto de grande misericórdia!

Quando diz a primeira vez “A Paz esteja convosco”, os discípulos saem do estado de tristeza e medo em que estavam e “se alegram por verem o Senhor” (Jo 20, 20). Jesus lhes mostra as mãos e o lado, comprovando Sua ressurreição. É a paz do perdão que traz alegria e revela a verdade. A misericórdia gera perdão, gera alegria, gera reconciliação.

A segunda saudação de Paz é um gesto de inteira confiança do Senhor em seus frágeis apóstolos, mandando-os como missionários para anunciar ao mundo Sua salvação: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). E neste momento, Ele institui o Sacramento da Misericórdia, o sacramento do perdão, que chamamos de Confissão Sacramental ou Sacramento da Reconciliação: “A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20, 22). Para fazer isso, soprou sobre eles e deu-lhes o Espírito Santo. Jesus repete aqui o gesto criador do Gênesis, quando Deus cria o homem e sopra em suas narinas o seu Espírito vivificador.

Sabemos que este poder de perdoar pecados pertence a Ele mesmo, como Deus, pois só Deus pode perdoar as ofensas que cometemos contra Ele. Mas por um gesto de infinita misericórdia para conosco, Jesus quis confiar este poder aos Apóstolos, ou seja, à Igreja, para que o fiel e a comunidade possam ter certeza se o pecado foi ou não perdoado por Deus. Aos apóstolos Jesus deixou o poder do discernimento entre os que estão de fato arrependidos e dispostos à sincera conversão e aqueles que não estão. Só não pode receber o perdão de Deus quem o rejeita.

O Evangelho diz ainda que, naquele primeiro dia, Tomé não estava no cenáculo, e que quando os demais lhe anunciaram a ressurreição do Senhor ele não quis acreditar. Exigiu provas. Mas, mais uma vez, usando de misericórdia, Jesus volta para estar especialmente com o discípulo incrédulo. Quando diz a Tomé ‘ponha tua mão nas marcas dos pregos e no meu lado’, Ele lhe estende a Sua misericórdia para que se cure de sua incredulidade. É interessante notar que o texto sagrado não fala, em nenhum momento, em chagas, como costumamos dizer, mas em marcas dos pregos e da lança, pois chagas são feridas vivas ainda sangrantes, às vezes purulentas. Mas aqui não são mais chagas, senão cicatrizes, sinais visíveis das chagas abertas dolorosamente no calvário, mas agora curadas pela luz da ressurreição. Assim, também as chagas da incredulidade, do desânimo, do medo de Tomé são agora, misericordiosamente, curadas pelo Senhor.

É importante destacar que, pela primeira vez nos evangelhos, Tomé se dirige a Cristo e o chama de Deus. Sua emocionante resposta “meu Senhor e meu Deus” é uma confissão clara da sua fé na divindade de Cristo, associada à Sua humanidade. Jesus, docemente, recorda a Tomé e aos demais discípulos: “Acreditastes porque vistes; felizes os que creem sem terem visto” (Jo 20, 29). Este é um elogio que diz respeito a nós.

Somos chamados a ser missionários da misericórdia, comunicadores do perdão que Jesus derramou em abundância em nosso favor. O Senhor Misericordioso verte de seu peito a Água e Sangue, de onde nasce a Igreja cuja porta é o Batismo e o alimento é a Eucaristia.

A Igreja tem uma vocação belíssima na visão do Pai: levar à humanidade que o amor é o único elemento que nos salva e que a misericórdia, o perdão e a paz são suas maiores expressões.  

 

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