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A invisibilidade do vírus e a visibilidade do amor de Deus 28 de Abril de 2020 Dom Edson José Oriolo dos Santos Artigo dos Bispos "Que possamos fazer a experiência do amor de Deus, identificando no crucifixo um sinal de redenção, salvação e vida nova"
Dom Edson José Oriolo dos Santos
Dom Edson José Oriolo dos Santos Bispo Diocesano de Leopoldina - MG
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Na noite de 22 de maio de 1519, a Igreja de San Marcello al Corso, em Roma, ardeu em chamas, ficando praticamente destruída. Um fato, no entanto, estarreceu as testemunhas: o crucifixo do altar-mor estava intacto, mesmo tendo sido exposto às chamas que consumiram o local. Passados alguns anos, a cidade de Roma foi atingida por uma epidemia avassaladora: a peste negra, em 1522. Nessas circunstâncias, foi realizada uma grande procissão pelas ruas de Roma, durante 16 dias seguidos, conduzindo o crucifixo miraculoso, ao qual se atribuiu o cessar da terrível ameaça.

Na liturgia penitencial do Jubileu de 2000, o Papa São João Paulo II, rezou diante deste mesmo crucificado, pedindo perdão por todos os pecados dos membros da Igreja. No último dia 15 de março, depois de quase 500 anos, o Papa Francisco, no contexto da pandemia do Covid-19, foi rezar diante da imagem, na Igreja de San Marcello. No dia 27 de março, em comovente celebração, o crucifixo foi apresentado na Praça de São Pedro. Diante da visibilidade do amor de Deus, expresso por tão importante sinal, toda a humanidade se uniu ameaçada pela invisibilidade do covid19.

O crucifixo é a imagem do Cristo na Cruz. Ele mantém viva em nós a recordação do sacrifício de Jesus Cristo. Quando olhamos, contemplamos e rezamos aos pés do crucifixo nos deparamos com uma pessoa asfixiada, com sede, exposta às intempéries do tempo, como sol e calor causticante, dores intensas, artérias da cabeça e estômago cheios de sangue, febre traumática, tétano, perda contínua de sangue. Mesmo assim, o crucifixo nos faz meditar sobre a presença amorosa da bondade divina. Não estamos sozinhos, não estamos abandonados e entregues a nós mesmos. Podemos experimentar em meio a tantos sofrimentos o grande amor de Deus para com cada um de nós.

Nesse tempo de pandemia, a experiência da cruz nos faz olhar, contemplar e rezar com o crucificado, flagelado e coroado de espinhos, com outra perspectiva. O crucifixo da Igreja de San Marcello silenciou a humanidade e a colocou em posição reflexiva. Reconhecemos n’Ele os nossos sofrimentos, medos, temores e projetamos em sua paixão toda a nossa esperança na glória futura: “Toda ação de Cristo é a glória da Igreja Católica. Contudo, a glória das glórias é a cruz. Paulo, muito instruído disse: Longe de mim gloriar-me a não ser da Cruz de Cristo” (cf. S. Cirilo de Jerusalém Séc. IV).

O crucifixo é o símbolo maior de que estamos sob a proteção de Deus. É a recordação constante de que Deus coloca sobre nós suas mãos para nos abençoar e doar vida plena. É, também, um sinal questionador: um apelo para sairmos do nosso individualismo, em todas as dimensões e começar a entender que o outro é um grande presente de Deus em nossas vidas. Mostrando a fragilidade da vida como potencial de glória, faz-nos ver a existência com outros olhos, redescobrindo a importância de cuidar, proteger, interagir, rezar, partilhar, viver em comunhão com aquele que o Bom Deus tem concedido a cada um de nós.

A imagem do Cristo na cruz, maior símbolo da nossa fé, mantém vivo em nós o significado do sacrifício de Cristo. O crucifixo revela a riqueza inesgotável do mistério salvífico. No crucificado haurimos forças para superar os nossos medos, temores e angústias. Que possamos fazer a experiência do amor de Deus, identificando no crucifixo um sinal de redenção, salvação e vida nova, do amor misericordioso de nosso Deus. São Paulo afirma que a origem da sua pregação não está na sabedoria humana, hoje, mas no poder de Deus, isto é, no Cristo Crucificado. “Pois não quis saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo Crucificado. (1 Cor2,2).

Que a contemplação do mistério da cruz nos faça compreender que o sofrimento é a passagem inevitável para a glória.

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