Comentários Homiléticos

5º DOMINGO DA PÁSCOA Por 19/05/2019 - Atualizado em 22/04/2019 10h01

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1ª LEITURA – At 14,21b-27

Este trecho marca o final da Primeira Viagem Missionária de Paulo e Barnabé. Na ida eles foram evangelizando e fundando comunidades. Agora, na volta, eles vêm confirmando a fé dos discípulos, fazendo recomendações, exortações e organizando comunidades. As palavras de exortação a permanecerem na fé assustam um pouco: “É necessário entrarmos no Reino de Deus por muitas tribulações” (v. 22). Jesus fala de “porta estreita”. As comunidades eram perseguidas externamente por judeus e pagãos e internamente sofriam também o desejo de colocar em prática a novidade evangélica. Isto era difícil e penoso para quem estava acostumado com os costumes pagãos. O v. 23 faz alusão a um mínimo de organização na comunidade. Um dirigente é indispensável. A palavra presbítero significa mais velho; é alguém mais experiente que é colocado na frente. É importante salientar o ritual da constituição dos presbíteros. Tudo é feito com muita seriedade: com orações, jejuns, recomendações e com a imposição das mãos. O v. 27 salienta a prestação de contas que os missionários fazem à comunidade. Eles saíram encomendados à graça de Deus. É Deus que os acompanha e age através deles com sua força e gratuidade do seu amor. Agora eles contam o que Deus tinha feito com eles e através deles e como Deus tinha aberto a porta da fé aos pagãos. Lucas frisa que é Deus o agente principal na atividade apostólica e missionária.

Como encaramos as tribulações em nossa vida como agentes da Palavra? Temos consciência clara de que é Deus que trabalha em nós?


2ª LEITURA – Ap 21,1-5a

Aqui vemos a novidade de Deus para as comunidades perseguidas. Lágrimas, luto e morte já não existem mais. É a vitória total, mas vista como dom de Deus. Tudo é recriado, renovado. Uma nova Jerusalém desce do céu vestida de noiva. O v. 1 mostra a visão que João tem de um novo céu, uma nova terra. Desaparecem o primeiro céu e a primeira terra. O mar, como símbolo do mal, devorador de vidas, também desapareceu. Agora só existe o bem, o bonito, a vida. A nova geração baniu a maldição do pecado e da morte. O v. 2 parece uma cerimônia de casamento: a esposa, Jerusalém renovada e santa, desce do céu ao lado do esposo – o próprio Deus. Esta simbologia matrimonial é cara aos profetas e também ocorre no Novo Testamento. No v. 3 a voz do trono é a grande voz do próprio Deus. Ele declara uma nova aliança sob a imagem da tenda. O namoro íntimo do tempo do deserto é refeito. A imagem da tenda aqui é ampliada para todo o povo de Deus e o próprio Deus habitará na mesma tenda, pois Deus se tornou íntimo do seu povo, numa nova aliança de amor. O v. 14 registra as características do carinho e da ternura de Deus abolindo toda espécie de mal: as lágrimas e o choro que representam a dor, a fadiga, talvez relembrando a maldição original; o luto símbolo da morte e até mesmo a própria morte; tudo que é mal será abolido. É o paraíso projetado por Deus que no início foi destruído pelo pecado. Agora ele terá lugar. Só haverá bênção, só haverá vida.

EVANGELHO – Jo 13,31-33a.34-35

O tema da glória

Os capítulos 13-17 de João são “discursos de despedida”, uma espécie de testamento de Jesus. Estamos, portanto, no início destes discursos. Os vv. 31 e 32 trazem o verbo glorificar quatro vezes. Quando Judas sai para entregar Jesus à morte, Jesus fala da glorificação. “Glorificar” para João está ligado a revelar. A glória de Deus e de Jesus é a revelação do seu projeto de vida para todos. Isto vai acontecendo através dos sinais de Jesus (a começar em Caná 2,11) e encontra sua plenitude no maior gesto de amor de Deus para com os homens que é a entrega total de seu Filho na cruz. Um outro termo que nos leva à cruz é o “agora”, pois este tem referência direta com a hora (cf. 13,1) de Jesus que se realiza na plenitude no alto do Calvário. O v. 32 faz referência à ressurreição de Jesus operada pelo Pai

O tema do amor

Os vv. 33-35 tratam do amor. A emoção parece levar Jesus a um carinho maior para com o seus discípulos chamando-os de “filhinhos”. O v. 33 é uma alusão ao caminho da cruz. É ali que a revelação do amor acontece plenamente. O novo preceito de Jesus é o preceito do amor. É novo porque está acima da Lei superando-a. É expresso através de uma ordem, mas Jesus quer que essa ordem brote do coração do discípulo do mesmo jeito que brotou no coração do Mestre. No fundo o mandamento é um jeito novo de viver que Jesus ensinou com sua própria vida. Jesus não pede amor para si, mas entre os discípulos o modelo é o amor do próprio Jesus, pois “ninguém tem maior amor do que quem dá a própria vida pelos amigos” (cf. 15,13). Não há outro modo de sermos reconhecidos como discípulos senão através do amor. Todas as práticas de piedade ficam foscas diante do brilho e do colorido do amor.

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