Comentários Homiléticos

4º DOMINGO DA PÁSCOA Por 12/05/2019 - Atualizado em 22/04/2019 09h59

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1ª LEITURA – At 13,14.43-52

Estamos em Antioquia de Psídia, na primeira viagem missionária de Paulo. O texto focaliza a reação do povo, judeus e pagãos, diante da Palavra anunciada (vv. 16-42).

Aqui os Atos estão registrando a ruptura com os judeus e o direcionamento da Palavra de Deus aos pagãos que ficam felizes de serem privilegiados. O protagonista, ou seja, o ator principal aqui é a Palavra de Deus que é o anúncio da Boa Nova de Jesus. Vê-se claramente uma dupla reação diante da Palavra: de um lado os judeus, do outro lado os pagãos.

A reação dos judeus e a atitude de Paulo e Barnabé
Num primeiro momento constata-se uma reação positiva de adesão (v. 43). Mas a partir do v. 44 vemos uma reação contrária, negativa, reação de inveja, de protestos e de insultos contra Paulo e Barnabé. Os judeus organizavam através de pessoas mais influentes uma verdadeira perseguição aos pregadores, expulsando-os do território (v. 50; cf. Lc 4,28-29 – o que aconteceu com Jesus acontece também com os apóstolos). Os judeus achavam que a salvação era só para eles. Agora, vendo a Boa Notícia dirigida aos pagãos e a cidade toda voltando-se interessada, reagiram com inveja, crime e violência. Qual foi a atitude de Paulo e Barnabé? Não se abalaram, mas com ousadia, coragem e intrepidez mostraram para os judeus o projeto de Deus (vv. 46-47): era através dos judeus que Deus queria chegar aos pagãos, mas, diante da rejeição a Boa Nova é dirigida diretamente aos pagãos. Os dois missionários, então, com gesto de sacudir a poeira dos pés declaram a ruptura com a sinagoga, ou seja, com os judeus (v. 51).

A reação dos pagãos
É uma reação completamente oposta. Quando perceberam a chance de salvação, quando ouviram que a Palavra de Deus era para eles, encheram-se de alegria, aceitaram a fé e glorificaram a Palavra do Senhor e a Palavra se difundiu por toda a região.

Qual é hoje o impacto da Palavra de Deus em sua vida?

12ª LEITURA – Ap 7,9.14b-17

No capítulo 7 o autor do Apocalipse dá uma olhada para trás (vv. 1-8) e outra olhada para a frente (vv. 9-17), mostrando a salvação que Deus traz para todos os que são marcados pela fé. No nosso texto que aponta para o futuro, constatamos no céu uma grande liturgia festiva de louvor e adoração a Deus que está sentado no trono (v. 10) e ao Cordeiro que está no meio do trono (v. 17). Diante das perseguições e tribulações o autor mostra a salvação futura já preparada para os eleitos, os que perseveram na fé.

Quem são os personagens dessa celebração festiva?
Além dos anjos e das figuras simbólicas dos quatro seres vivos e dos vinte e quatro anciãos, João olha e vê uma grande e incontável multidão proveniente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Esta multidão imensa esta totalmente excluída da salvação, mas agora vislumbra sua inclusão no Reino. É uma referência aos pagãos do mundo inteiro que ouviram ou ouvirão a palavra e a acolheram ou acolherão. É o nosso povo de Deus que agora sofre mas já pode contemplar sua vitória antecipada na cruz do Cordeiro imolado. O v. 14 deixa tudo claro: “Estes são aqueles que vêm da grande tribulação, lavaram as túnicas e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

Quais são os símbolos da sua vitória?
Eles estão diante do trono e do Cordeiro. Estão vestidos de túnicas brancas. Carregam palmas nas mãos (os generais romanos celebravam suas vitórias com vestes brancas e palmas nas mãos). Servem a Deus dia e noite em seu Templo. Recebem do próprio Deus uma tenda para morar. Não sentirão mais fome, nem sede, nem calor. Serão apascentados e guiados às fontes de água da vida pelo próprio Cordeiro. As lágrimas dos seus olhos serão enxugadas pelo próprio Deus.
Diante dessa janela aberta para o futuro as comunidades perseguidas ganham novo vigor para perseverar, para resistir e lutar. Será que a grande massa dos excluídos hoje tem possibilidade de ouvir esta palavra de conforto e de esperança?

EVANGELHO – Jo 10,27-30

Para ler Jo 10 é preciso ter em mente Jo 9. João 9 é a cura do cego que foi excluído pelos chefes judeus que deveriam acolher o povo marginalizado e conduzi-lo como pastor. Eles são, entretanto, mercenários e ladrões. Jesus é que é o bom pastor que acolhe suas ovelhas. No final Jesus mostra que os dirigentes judaicos são os verdadeiros cegos fechados em seu legalismo. Eles aprisionaram as ovelhas no Templo e ali as exploram e as oprimem. Mas Jesus veio para conduzi-las para fora, para fazer com elas um novo êxodo libertador. A cena de hoje acontece no Templo. Jesus bom pastor é a porta de libertação de suas ovelhas. Os dirigentes judaicos são mercenários (só trabalham por dinheiro), são ladrões e assaltantes.

O trecho de hoje é curtinho. São apenas quatro versículos. Quais são as afirmações principais? Talvez pudéssemos sintetizá-las na palavra UNIDADE, unidade entre pastor e suas ovelhas e unidade entre o Pai e o Filho. O v. 27 expressa um relacionamento bonito e profundo entre o pastor e suas ovelhas. As ovelhas ouvem e obedecem à voz do pastor. Elas o seguem. Elas tem consciência de que o bom pastor é caminho, verdade e vida. Por sua vez, o pastor conhece profundamente o seu rebanho, conhece cada ovelha pelo nome e trata a cada uma com carinho e ternura como se fosse única. O bom pastor, diz o v. 28, não apenas cuida de suas ovelhas mas dá a vida por elas, assegura-lhes uma vida definitiva e lhes dá a certeza de que não serão arrancadas por ninguém de suas mãos. A certeza disso está no v. 29: foi o Pai que entregou ao Filho este rebanho e o Pai é maior do que todos. Ninguém é forte como o Pai para ser capaz de tirar de suas mãos as ovelhas. Estar nos braços do Pai é estar nos braços do Filho. A força do amor do Pai está toda no Filho e a força do amor do Filho está toda no Pai, pois na verdade o Pai e o Filho são uma coisa só (v. 30). João revela aqui o grande mistério da unidade entre o Pai e o Filho.

Quais são as características dos dirigentes das comunidades? São as do mercenário ou as do Bom Pastor?

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