Comentários Homiléticos

3º DOMINGO DA PÁSCOA Por 05/05/2019 - Atualizado em 22/04/2019 09h57

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1ª LEITURA – At 5,27b.32.40b-41

a) É preciso obedecer antes a Deus que aos homens
Vimos no Domingo anterior que, do lado de dentro da comunidade, havia uma verdadeira fraternidade, paz e comunhão de vida, mas que, do lado de fora, havia os que rejeitavam a comunidade. O texto de hoje mostra a rejeição dos chefes do povo. Do mesmo jeito que mataram o autor da novidade cristã, procuram matar também seus pregadores. Os discípulos são levados diante do Sinédrio (= tribunal judeu), porque não obedeceram à ordem de não ensinar em nome de Jesus. Além disso, eles revelam o projeto assassínio dos chefes dos judeus. Pedro e os outros apóstolos deixam um recado bem importante e claro: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens”.

b) Os diversos papéis diante de Jesus
Temos aqui a contraposição da ação de Deus diante da ação dos homens. Qual é a ação dos homens? Mataram Jesus com a morte de cruz. Qual é a ação de Deus? Ele ressuscitou Jesus e o exaltou, tornando-o Chefe Supremo e Salvador. Qual é a finalidade dessa ação de Deus? É para dar ao povo oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos pecados. Qual é a ação dos apóstolos e de nós hoje? Ser, juntamente com o Espírito Santo, testemunhas de tudo o que aconteceu com Jesus.

c) Açoites e libertação
Os vv. 40-41 mostram de novo, em primeiro lugar, o antiprojeto das instituições: “Chamam os apóstolos, mandam açoitá-los, proíbem-nos de falar em nome de Jesus e depois os soltam. Querem intimidar os apóstolos, impedir o avanço da Palavra, mas isto é impossível. Em segundo lugar, temos a reação dos discípulos. Reação possível apenas àqueles que estão imbuídos do projeto de Jesus, cheios do Espírito Santo e querem identificar-se com Jesus em sua vida e em seu martírio. De fato o v. 41 diz: Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem merecido sofrer insultos por causa do nome de Jesus. Estamos arrependidos de nossos pecados e engajados no projeto de Jesus a tal ponto de suportarmos críticas, insultos e sofrimentos por causa de Jesus e seu projeto?

2ª LEITURA – Ap 5,11-14

a) Qual é o significado das liturgias ou cantos de louvor no Apocalipse?
Como lembramos no Domingo passado, o Apocalipse quer dar força e coragem, animar na perseverança e incentivar na luta, diante das perseguições e agressões do Império perseguidor. Nesse sentido o Apocalipse de S. João apresenta, em quase todas as suas páginas, um canto de louvor, um canto de vitória de Jesus. As comunidades, mesmo em pleno sofrimento e luta e até enfrentando a morte com Jesus, carregam a certeza da vitória e da glória com ele. É assim que o apocalipse reanima a esperança das comunidades perseguidas.

b) O que temos no nosso texto
No texto de hoje temos uma solene liturgia universal, cantando a vitória de Jesus, sua realeza e sua divindade. Essa liturgia começa (vv. 9-12) e termina no céu (v. 14), mas o v. 13 mostra todo o universo, céus, terra e abismos cantando louvores ao Cordeiro imolado.

c) Quem canta?
O v. 11 cita uma multidão imensa de anjos, os quatro seres vivos e os vinte e quatro anciãos (cf. v. 8). E o v. 13 fala de todas as criaturas do céu, da terra, debaixo da terra e do mar, quer dizer, todos os seres vivos.

d) E o que cantavam?
Cantam um louvor ao Cordeiro imolado, ou seja, a Jesus morto e ressuscitado. Jesus se tornou o Senhor do universo inteiro. Então, a ele e só a ele são feitas sete atribuições (o número sete deve lembrar a perfeição total). Quais são essas atribuições? São o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor (v. 12).

e) Quem é o Cordeiro imolado
É interessante que o v. 13 mostra que a mesma honra, glória e poder que pertencem ao Pai, pertencem também ao Cordeiro para sempre. Quer dizer, Jesus é Deus. O v. 14 ainda confirma tudo com o Amém solene dos Quatro Seres Vivos e com a adoração dos vinte e quatro anciãos.

f) Termos simbólicos
Os quatro seres vivos: simbolizam os quatro anjos que governam o mundo físico, ou a força de Deus que governa e dirige toda a história. O número quatro simboliza a totalidade do mundo criado. Os vinte e quatro anciãos simbolizam os santos, ou representantes de Deus do Primeiro Testamento e do Segundo Testamento (12 tribos de Israel + 12 apóstolos), quer dizer o antigo e o novo povo de Deus.

EVANGELHO – Jo 21,1-19

Vv. 1-14 – Só a presença de Jesus ajuda a superar a crise.
Estamos num contexto eucarístico e de missão. A menção do mar de Tiberíades lembra a atividade missionária (pesca = pescadores de homens), no meio dos pagãos (o mar representa o campo de missão entre os gentios). A menção de sete discípulos indica a totalidade a partir do significado simbólico do número sete. A decisão de pescar pode indicar que os discípulos ainda não assumiram o compromisso definitivo com Jesus, pois estão retornando às suas atividades normais. De qualquer maneira, se essa decisão é um fato real, esta noite de trabalho foi estéril. Se é um fato simbólico (atividade missionária dos pescadores de homens), a comunidade missionária está em verdadeira crise, pois naquela noite não pescaram nada. Mas é bom lembrar que “a noite” tem conotação negativa e está em contraste com o dia (cf. 9,4-5). Noite simboliza ausência de Jesus, ou do Espírito. Sem ele que frutos daria a ação missionária (cf. 15,5)? “Dia” ou “amanhecer” já têm conotação positiva, alude à nova realidade inaugurada pela ressurreição. Mas no princípio os discípulos não estavam tão firmes na fé (“não sabiam que era Jesus”). Mas Jesus manda que eles joguem as redes do lado direito da barca e eles jogaram e aconteceu o milagre. Pegaram uma “multidão” de peixes. Isto indica a fecundidade missionária com a obediência à Palavra de Jesus e a fé na sua presença na caminhada da comunidade. Só o discípulo que Jesus amava, reconhece que é Jesus. Hoje também só reconhecemos Jesus aqui ou ali através do amor. Pedro toma duas atitudes “veste a roupa”, quer dizer predispõe-se ao serviço (cf. v. 7) e “pula dentro da água”, quer dizer está disposto a enfrentar o risco. Na praia os discípulos percebem sinais de amor preparados por Jesus: peixes na brasa e pão. A quantidade de peixes (cento e cinquenta e três é a totalidade de espécies de peixes para o mundo antigo); significa que a atividade missionária vai atingir todos os povos. Depois que Jesus convida os discípulos para a “Eucaristia”, ninguém mais duvida de sua presença.

Isto significa que na comunhão de vida com as pessoas reconhecemos facilmente a presença de Jesus. A pergunta: “Eras tu, Senhor?” vai desaparecendo na medida que aprendemos a partilhar.

Vv. 15-19 – O assunto aqui é a vocação do discípulo. Aqui, o centro da atenção é Pedro. Podemos sinteticamente perceber que as condições para seguir a Jesus, se traduzem em comunhão profunda com Deus e solidariedade com as pessoas. Em duas palavras amor-serviço. Jesus pede de Pedro e de cada um de nós, um amor incondicional capaz de dar a própria vida como Jesus o fez (= estender as mãos para ser crucificado). Jesus só chama Pedro para o seguir depois que teve a certeza do seu amor incondicional.

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