Comentários Homiléticos

3º – DOMINGO DO TEMPO COMUM Por 27/01/2019 - Atualizado em 03/01/2019 10h37

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1a LEITURA – Ne 8,2-4a.5-6.8-10

Estamos no 1o dia do sétimo mês do ano 444 (v. 2). O povo que tinha retornado do exílio da Babilônia, a partir do ano 538 a.C., ainda estava em situação tremendamente difícil. Era tempo de reconstrução e busca de renovação da própria identidade. Foi em torno da Palavra de Deus que o povo se manteve unido e preservou sua identidade no exílio. Aqui também a Palavra de Deus é o elemento essencial da renovação da vida e preservação da identidade. O povo pede e o livro da Lei é lido. O texto fala do livro da Lei de Moisés. Isto significa os cinco primeiros livros da Bíblia que constituíam a Torá. Mas é provável que por esta ocasião se tenha lido apenas a parte central do livro do Deuteronômio. O que temos aqui é uma belíssima celebração da Palavra, com consequências práticas para a comunidade. O que se pode destacar?
1 – A Palavra de Deus é capaz de unir e reunir a comunidade (8,2-3).
2 – A Palavra de Deus gera a atenção na comunidade, pois todos querem ouvi-la atentamente (v. 2).
3 – A Palavra de Deus provoca reações iguais em toda a comunidade. Trata-se de uma verdadeira ação litúrgica, onde Deus é adorado (vv. 5-6).
4 – A Palavra de Deus é luz para o povo. Esdras e os levitas são os mediadores capazes de atualizar e aplicar a Palavra de Deus à vida do Povo (vv. 8-9).
5 – Finalmente a Palavra de Deus leva à partilha dos bens. O povo começa a chorar. Por quê? Seria porque sua vida está distante da Palavra? Seria porque tudo estava por fazer? O certo é que o povo entende que é através da partilha que são colocadas as bases para a construção da nova sociedade. Assim, no dia do Senhor, o povo reencontrou a força na “alegria do Senhor” e na partilha dos seus bens (vv. 9-11).

2a LEITURA – 1Cor 12,12-30

Paulo aproveita da metáfora do corpo para falar da unidade social do corpo da Igreja. Assim como o corpo é composto de vários membros e é um só, assim também acontece com Cristo e sua Igreja. A Igreja é o corpo de Cristo. Nós somos os membros do corpo e cada membro é importante e indispensável no corpo social da Igreja. É Cristo, através do seu Espírito, que nos une num só corpo. O pé representa as pessoas que topam fazer as tarefas menos vistosas. O ouvido são as pessoas que procuram mais escutar do que falar. As mãos indicam as pessoas disponíveis, ativas, mais capazes. O olho são as pessoas de intuição mais profunda, que vêem logo o que é melhor para a comunidade. No corpo da Igreja não se pode marginalizar ninguém, nem ninguém pode se sentir auto-suficiente. Nos vv. 22-23 Paulo dá um destaque aos membros mais fracos e aparentemente mais desprezíveis. É a opção pelos mais fracos, pelos mais pobres. O importante é a unidade, é a saúde e a eficiência do corpo. É fundamental o cuidado comum, a união de sentimentos, a solidariedade no sofrimento ou na alegria (vv. 25-26). Se tivermos que privilegiar alguém na comunidade que esse alguém seja o mais fraco e o mais marginalizado, pois ele é também parte importante e necessária do conjunto. Os vv. 28-30 apresentam listas de funções na comunidade, mas em ordem de importância, não para o orgulho de ninguém, mas certamente para ressaltar o essencial diante da ambição de dons vistosos, que, no fundo, eram secundários para a edificação da comunidade. Em primeiro lugar estão os apóstolos que evangelizam, em segundo os profetas que não são anunciadores do futuro, mas os que falam em nome de Deus; são aqueles que edificam, encorajam, sob inspiração do Espírito; em último lugar está o falar em línguas, associado à interpretação das mesmas (cf. vv. 28 e 30).
Quem na comunidade são os membros mais fracos, que deveríamos revestir de maior honra?

EVANGELHO – Lc 1,1-4; 4,14-21

1,1-4 – O que Lucas diz nos primeiros versículos do seu evangelho?
- O surgimento de Jesus é realmente um fato histórico, testemunhado por diversas pessoas.
- Muitos já narraram estes acontecimentos realizados por Deus e Lucas também assumiu esse compromisso. Quando Lucas escreveu, já havia o evangelho de Marcos, como também coleções de milagres, coleções de discursos e coleções de parábolas de Jesus.
- Lucas procura informar-se cuidadosamente de tudo a partir das origens. Ele usou fontes escritas e fontes orais.
- Ele quer escrever tudo, mas de um modo bem ordenado. Não se trata de ordem cronológica, mas de ordem literária e didática.
- Para quem ele escreve? Para o excelentíssimo Teófilo, uma pessoa importante. Teófilo, significa “amigo de Deus”. Então se pode dizer que ele escreveu também para todos os amigos de Deus, de todos os tempos, portanto, também para nós hoje.
- Para que ele escreveu? Para que os “amigos de Deus” pudessem verificar a solidez dos ensinamentos recebidos.

4,14-15 – Síntese da atividade de Jesus - Pelo poder do Espírito, Jesus volta para a Galiléia e atua no meio do povo pobre e marginalizado. O Espírito Santo exerce um papel preponderante nos quatro primeiros capítulos do evangelho de S. Lucas, sendo força ativa em Maria, Isabel, Zacarias, Simeão, João Batista, principalmente em Jesus. O início do evangelho de Lucas se destaca como um verdadeiro Pentecostes. No resto do evangelho o Espírito Santo se concentra em Jesus.

4,16-21 – O programa libertador de Jesus – Na sinagoga, na terra onde ele tinha sido criado, Nazaré, Jesus lê o trecho do profeta Isaías (Is 61,1-2) que sintetiza seu programa. Jesus se sente ungido pelo Espírito Santo. É uma referência ao seu batismo. Basicamente ele veio para isso:
- Anunciar a Boa Nova aos pobres. Pobres são os que vivem dependentes dos poderosos, explorados por eles, sem poder resistir. Jesus está do lado dos pobres e não dos ricos.
- Proclamar aos cativos a libertação e aos cegos a recuperação da vista, despedir os oprimidos em liberdade. Em síntese, trata-se da libertação dos marginalizados.
- Proclamar o ano de graça (= acolhimento) da parte do Senhor. “Ano de graça” é uma referência ao ano jubilar fixado pela lei. Acontecia de cinquenta em cinquenta anos (cf. Lv 25, 10-13). Trata-se de um perdão geral das dívidas, a devolução das terras hipotecadas ou roubadas pela ganância dos latifundiários. O povo podia assim recomeçar uma vida nova. Assim a Boa Nova de Jesus não prevê apenas “a libertação dos marginalizados, mas a sua plena reintegração na sociedade com a recuperação plena de tudo aquilo do qual foram defraudados”.
No v. 21 Jesus diz que esta passagem da Escritura está se realizando hoje para os seus ouvintes. O hoje da salvação é muito frisado por Lucas (cf. 2,11; 3,22; 5,26, etc.). Este programa de Jesus, este ano da graça do Senhor, está acontecendo no hoje da caminhada de sua comunidade?

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