Comentários Homiléticos

33º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 18/11/2018 - Atualizado em 31/10/2018 11h04

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1ª LEITURA - Dn 12,1-3
Este trecho que estamos lendo com destaque para o v. 2 pode ser visto em sua clareza como um dos mais antigos anúncios da ressurreição. No Primeiro Testamento o povo acreditava numa recompensa para esta vida como saúde, filhos, bens, terra, vida longa, etc. A fé na ressurreição é coisa mais recente. O livro de Dn é do século II a.C., tempo dos irmãos Macabeus. Nessa época os judeus eram perseguidos, sua religião desprezada. O governo queria impor uma cultura e um modo de viver do povo grego, totalmente contrário ao pensamento judeu. Os judeus resistiam e a perseguição era cruel. Para falar desses conflitos, insistir na resistência e alimentar a esperança do povo perseguido, o autor usa uma linguagem cheia de imagens, símbolos e artifícios literários que são claros para o povo perseguido e obscuros para os perseguidores. É a chamada linguagem apocalíptica. Através de visões o autor mostra que Deus está do lado dos perseguidos. O v.1º lembra as perseguições do governo, mas mostra a força salvadora de Deus. Miguel significa: “Quem como Deus”. Quer dizer, Deus é maior e mais forte que os perseguidores, que aparentemente estão por cima. Deus está presente nestes acontecimentos, é ele que comanda a história. Isto está claro também no Apocalipse de João cap. 4º. E está registrado no seu livro, - o livro da vida - o nome de todos os eleitos. O texto diz claramente que o povo de Deus será salvo.

O v. 2 deixa claro que a ação de Deus pode tardar mas não falta. Temos aqui a fé na ressurreição para a vida eterna e a ressurreição para a abominação eterna, ou morte definitiva (cf. Ap 20,6-14). Também 2Mc 7,9-23 fala da ressurreição corporal. É um texto da mesma época. Mas essas idéias já tinham sido preparadas pelos profetas como Ezequiel (cf. 37,1-4), Isaías (cf. 26,14-19; 53,10-14). O verso 3º chama de sábios os mártires piedosos que, através de suas palavras, exemplos e sobretudo o martírio, deram força e orientação aos irmãos na fé durante a perseguição. Eles brilharão como estrelas para sempre. É uma referência a sua participação na vida do próprio Deus. A afirmação da presença de Deus e da vitória gloriosa dos mártires é uma força para o povo na luta, pois percebem que não estão sós e a luta está cheia de sentido.

2ª LEITURA - Hb 10,11-14.18
Eis o título que a “Bíblia de Jerusalém” traz para o capítulo 10: Recapitulação: o sacrifício de Cristo superior aos sacrifícios mosaicos. Isto mostra que o tema da carta aos Hebreus é a superioridade do sacerdócio de Jesus Cristo. Os dois subtítulos iniciais para este capítulo 10,1-18 apresentam a síntese dos capítulos anteriores.
a) Ineficácia dos sacrifícios antigos (10,1-10) .
b) Eficácia do sacrifício de Cristo (10,11-18). Nosso texto de hoje é tirado da letra “b”.

O v. 11 recapitula a temática da letra “a”, ou seja, os sacrifícios antigos oferecidos diariamente pelos sacerdotes são ineficazes, quer dizer, são incapazes de eliminar os pecados.

O v. 12 mostra, ao contrário, a eficácia ímpar do sacrifício de Cristo. Ele, oferecendo-se a si mesmo, ofereceu um sacrifício único, uma vez por todas. Depois de oferecer o sacrifício diário, os sacerdotes permaneciam no Templo. Jesus, ao contrário, sentou-se para sempre à direita de Deus. O v. 13 apresenta Jesus esperando “até que seus inimigos sejam postos como apoio sob os seus pés”. Por que Jesus agora está na espera? Porque o que ele tinha que fazer ele fez de modo completo e definitivo. É o que nos afirma o v. 14: “de fato, com esta única oblação, levou à perfeição definitiva os que são por ele santificados”.

Esta expressão “levar à perfeição” significa consagrar ao sumo-sacerdócio. Em 5,9 Jesus foi “levado à perfeição”. A Bíblia da CNBB que estamos usando nos nossos comentários diz: “levou a termo sua vida”, ou seja, pelo seu sacrifício expiatório e salvífico ele recebeu o título de Sumo Sacerdote. Aqui em 10,14 ele “levou à perfeição”, ou seja, consagrou no seu sacerdócio todos os que ele santifica. É por isso que os vv. 15 e 17 (que a liturgia de hoje saltou) evocam a citação de Jr 31,33-34, pois o autor reconhece nessa transmissão da perfeição sacerdotal o cumprimento da Nova Aliança que, segundo Jeremias, devia se caracterizar pela ação de Deus nos corações. Em Cristo todos somos um povo sacerdotal santificados por ele.

O v. 18 conclui que “onde, pois, existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado”. O que se conclui deste lindo texto é que o sacrifício de Cristo nos santifica e nos salva. A nós resta, pela fé, nos unirmos a Cristo. Quando celebramos a Eucaristia estamos trazendo até nós este evento libertador e salvífico.

EVANGELHO - Mc 13,24-32
Este capítulo 13, escrito em linguagem apocalíptica, aborda no fundo dois assuntos: a destruição do Templo de Jerusalém (13,1-8), que serve de sobreaviso para as tribulações que virão, e o futuro da comunidade cristã dentro da história e diante da vinda do Filho do Homem (13,9-37). A vinda do Filho do Homem é salvação e julgamento. Salvação para os que estão lutando pelo projeto de Deus e julgamento para os que estão contra.

A intenção básica do capítulo não é descrever o futuro, fazer previsões, mas preparar a comunidade para o presente numa vigilância ativa.

Julgamento e salvação (vv. 24-27)
Aqui a linguagem é rigorosamente apocalíptica. Com esses prodígios cósmicos o autor quer mostrar (como é costume na apocalíptica) as poderosas intervenções de Deus na história; no nosso caso, é a vinda do Filho do Homem como Salvador e Juiz que será precedida por estes sinais cósmicos. Não é para assustar. Pelo contrário o anúncio da intervenção salvífica de Deus só pode animar, encorajar e fortalecer a esperança dos eleitos. O v. 26 falando da vinda do Filho do Homem entre nuvens com poder e glória se inspira em Dn7, 13-14 que traz forte conotação de julgamento. O v. 27 fala claramente da salvação dos eleitos. Assim a vinda do Filho do Homem é julgamento para os que se opõem ao projeto de Deus e salvação para todos os que aderem a ele.

O que fazer hoje da história?    - vv. 28-32
Aqui temos a parábola da figueira. A pergunta dos discípulos em 13, 4, sobre quando estas coisas vão acontecer, é abordada aqui. A parábola da figueira traz dois ensinamentos: afirma a presença do Reino na vida da comunidade através dos acontecimentos e conflitos da história e ao mesmo tempo a proximidade do fim enquanto salvação para os eleitos. O v. 3º “Em verdade vos digo: esta geração não passará até que tudo isto aconteça” é uma referência direta à destruição de Jerusalém e à queda do Templo, pergunta feita pelos discípulos no v. 4. Isto aconteceu no ano 70 d.C., ainda dentro da primeira geração cristã. O v. 32 “Ora, quanto àquele dia ou hora, ninguém tem conhecimento, nem os anjos do céu, nem mesmo o Filho. Só o Pai.” ultrapassa os sinais anunciados do fim e se refere à vinda do Filho do Homem. Jesus exclui claramente qualquer especulação quanto à DATA com termos extremamente fortes dizendo que NINGUÉM SABE, NEM OS ANJOS NO CÉU, NEM O FILHO, SOMENTE O PAI. Muitas religiões já tentaram prever a data da vinda de Jesus. Dizem que hoje está acontecendo exatamente o que Jesus falou: (guerras, pestes, AIDS, terremotos, fome, etc.), por isso Jesus está chegando. Aos seguidores dessas religiões pedimos que leiam mais atentamente o capítulo 13 de Marcos, v. 7 “é preciso que estas coisas aconteçam, MAS AINDA NÃO É O FIM”. V. 8 “... Isto é o começo das dores”. De modo especial os claríssimos vv.32-33. A tônica do capítulo 13 é uma admoestação à vigilância quanto ao presente, quanto ao hoje da história. A palavra chave é “vigiar” (v. 5 = “cuidado”; v. 9 =“cuidado”; v. 23 “cuidado”; v. 33 “Cuidado! Ficai atentos, pois não sabeis quando chegará o momento.”; v. 35 = “vigiai”; v. 37 “O que vos digo, digo a todos: vigiai!”. E o que significa “vigiar?” Não se trata de acomodação, espera passiva ou especulação, mas engajamento, atividade, exercício apostólico e missionário, trabalho concreto para a realização do projeto de Deus.

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