Comentários Homiléticos

27º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 07/10/2018 - Atualizado em 01/10/2018 10h29

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1ª LEITURA - Gn 2,18-24
Parece que o texto de hoje começa formulando o grande projeto de Deus sobre o homem. Esse projeto é uma comunhão profunda de vida. Não nascemos para a solidão. A solidão é má, enquanto tudo o que Deus fez é bom e belo. Então o texto de hoje mostra o processo da passagem solidão-maldição para a comunhão-bênção. Temos duas tentativas.

A primeira tentativa é quando Deus plasma da terra os animais e as aves e os leva ao homem. É o homem que dá nome aos animais. Esse modo de falar é para mostrar o domínio do homem sobre tudo o que foi criado; ele participa assim da obra criadora de Deus. O homem tem assim poder e domínio. Mas isso não realiza o projeto da comunhão-bênção. O homem poderoso vive na solidão de seu poder. Ele não é para ninguém, ele não vive para ninguém. Ele só vive para si mesmo, e tudo e todos contribuem para o seu egocentrismo.

A segunda tentativa é quando o texto, lembrando que nada era semelhante ao homem e ele não tinha nenhuma auxiliar, nenhuma companheira, mostra Deus modelando a mulher a partir de uma costela do homem. Esta primeira declaração de amor na Bíblia mostra todo o processo do projeto comunhão-bênção. “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne”. O homem foi feito para a mulher e a mulher feita para o homem, para viverem numa comunhão profunda de amor, de doação, de entrega. No amor o egoísmo é morte, é destruição, é aniquilamento. Homem e mulher foram criados para serem uma só carne, para viverem a unidade, a comunhão. O texto mostra ainda muita coisa bonita. A criação da mulher como segredo de Deus (o homem dormia), como dom gratuito de Deus (o homem não participa). O texto salienta muito a igualdade, pois foi tirada do meio do homem (é uma crítica severa ao domínio do machismo). Como vai o projeto de Deus hoje?

2ª LEITURA - Hb 2,9-11
O autor da carta aos hebreus está procurando solucionar algumas dificuldades dos seus destinatários: eles não conseguem aceitar as humilhações inerentes à encarnação do Filho de Deus. O sofrimento do homem é inaceitável para eles, o de Jesus, então, é um escândalo. Eles gostariam que a salvação acontecesse logo, eliminando uma vez por todas a dor e a morte. O autor, então, mostra que Jesus, nascendo entre nós, se torna irmão nosso, solidário conosco em tudo (menos no pecado). Jesus conquistou a perfeição através do sofrimento solidário. Se os homens fossem bons, Jesus não precisaria ter sofrido. Mas os homens rejeitaram sua mensagem, o perseguiram e o condenaram à morte. Tudo foi aceito para a nossa salvação, para a glória de todos nós. O texto diz que Jesus provou a morte pela graça de Deus em nosso favor. Ele com seu sacrifício substitui todos os sacrifícios do Primeiro Testamento. Ele é nosso único mediador e salvador. O primeiro versículo do texto de hoje é uma referência ao Sl8: através de sua encarnação, Jesus como homem, foi feito pouco menos que os anjos. Mas, para solucionar as dificuldades dos destinatários, nosso texto salienta a solidariedade de Jesus com os homens para refazer o projeto original de comunhão, que o homem destruiu com o pecado. Diante da nossa situação de pecado, violência e morte o único jeito que Deus encontrou para refazer o projeto original de comunhão foi a solidariedade do seu Filho através da encarnação, sofrimento e morte. É assim que Jesus chega à perfeição como homem e é coroado de glória e de honra. Jesus refez assim o projeto de comunhão dos homens entre si e do homem com Deus. Como vemos o sofrimento e a morte?

EVANGELHO - Mc 10,2-16
Nosso texto aborda dois temas: o matrimônio cristão, restituído ao projeto original acompanhado da proibição do divórcio e o tema da criança-servo como modelo do reino.

Sobre o matrimônio
O matrimônio é indissolúvel. Moisés só permitiu o divórcio por causa da dureza do coração dos judeus, mas, no princípio, não era assim (cf. primeira leitura). Algumas considerações:

1) O divórcio permitido por Moisés era para proteger a mulher, pois, por causa do machismo, ela era despedida por qualquer razão, até mesmo as mais banais.

2) Com o documento de divórcio a mulher ficava livre para qualquer casamento sem ser acusada de adultério. Mas não levaram essa lei a sério, apenas a manipulavam de modo arbitrário e machista.

3) A resposta de Jesus condena a prática farisaica como impiedosa e idolátrica, pois a expressão “dureza de coração” significa desobediência ao projeto de Deus, que é um projeto de unidade, de comunhão. O divórcio, portanto, é proibido.

4) Depois, mais diretamente, Jesus coloca o matrimônio na perspectiva do projeto original de Deus, uma vez que os laços matrimoniais mais fortes que os laços de parentesco ou sangue formam uma unidade corpórea indissolúvel (Gn 1,27 e 2,24).

5) Em casa Jesus explica aos discípulos que homem ou mulher divorciados, se casarem de novo, viverão em adultério. Homem e mulher são colocados por Jesus em igualdade de condição e com igual responsabilidade.

Sobre as crianças
Jesus se aborreceu com os discípulos, porque eles estavam proibindo as pessoas de trazerem crianças para Jesus as tocar e abençoar. Jesus se aborreceu por quê? Jesus quer impor as mãos sobre as crianças e abençoá-las, pois o Reino de Deus pertence a elas e elas são o modelo do Reino. De fato as crianças representavam os mais pobres e marginalizados, por serem indefesas, sem poder de decisão, sem vez e sem voz. Jesus se aborrece, porque percebeu que os discípulos não tinham entendido nada de sua mensagem e predileção pelos perseguidos e marginalizados. Eles, na verdade, são desapegados, receptivos e acolhedores. A sua opinião sobre o divórcio e sobre os pobres e marginalizados é cristã?

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