Comentários Homiléticos

23º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 09/09/2018 - Atualizado em 23/08/2018 13h44

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1ª LEITURA - Is 35,4-7a
Estamos lendo um trecho do pequeno apocalipse de Isaías, onde poderemos visualizar a destruição das sociedades opressoras (simbolizadas por Edon - nação inimiga de Israel - cap. 34) e a caminhada de libertação, paz, alegria e vida em direção à cidade do júbilo – Sião – Jerusalém (cap. 35).

No nosso trecho os mutilados de Javé retornam do exílio babilônico. É como um êxodo renovado, o êxodo do retorno à pátria. É o contrário do cap. 34. Aqui, no cap. 35, a alegria de homens e mulheres se estende ao deserto, ao areal, ao solo calcinado, suscitando vida em tudo o que era morte.

1º - Uma palavra de encorajamento e ânimo v. 4
“Coragem, não tenham medo”. É o próprio Deus, é ele mesmo que se manifestará agora como o Deus dos mutilados para trazer a vingança e a retribuição, vingança para os opressores e salvação para seu povo oprimido e mutilado. Ele vai incutir esperança nova e confiança nos corações perturbados. Esse povo, desanimado por causa de sua situação de morte, cegos, surdos, coxos e mudos, recobrará a vida.

2º. O primeiro milagre de Deus - as pessoas marginalizadas (vv. 5.6a.). Deus se apresenta para restituir ao homem sua integridade total
Os cegos privados de ver a beleza da vida, a face do irmão, desfrutarão da luz nova em seus olhos; serão assim reintegrados ao convívio social e haverão de contemplar, um dia, a própria face de Deus.
O surdo poderá: ele mesmo ouvir as maravilhas de Deus, no balbuciar do vento, no canto dos pássaros, no murmurejar das cascatas, no ecoar da vida..
O coxo saltará como cabrito e não mais dependerá de ninguém para peregrinar ao Templo de Deus.
O mudo não mais parará de cantar a glória de Deus, de cantar salmos em nome do Altíssimo.

3º. Um segundo milagre de Deus - a natureza  (vv. 6b-7a)
Haverá também uma transformação da natureza. Parece uma consequência natural, pois o homem transformado caminhará para uma consciência ecológica cada vez maior. Será o verdadeiro colaborador de Deus na reconstrução do paraíso perdido. Mas aqui se fala de uma ação sobrenatural, de uma atuação direta em favor dos exilados, que retornam recobrando a liberdade e se extasiando com o milagre da vida na abundância de água, irrigando o deserto, fecundando o solo, transformando se em rios, lagos e mananciais. O Deus da esperança e da vida não pode adormecer no coração da humanidade.

2ª LEITURA - Tg 2,1-5
A fé é o tema central deste capítulo, uma fé viva, concreta, prática,                                                             uma fé que não discrimina as pessoas mais pobres, mas que reconhece nossa igualdade e dignidade diante de Deus. Tiago é contra os favoritismos pessoais em favor dos ricos. Aliás, ele não tem elogio para os ricos. Pelo contrário, ele é violento para com os ricos opressores, ele os anatematiza e os condena (cf. 5,1-6).

Na assembleia litúrgica, onde participam pobres e ricos, ele nos exorta a não misturarmos a fé com favoritismos pessoais. Às vezes, damos aos ricos lugares especiais em detrimento dos mais pobres e mais humildes. Achar que os ricos merecem privilégios é ter péssimos critérios de julgamento (v. 4), pois a opção de Deus é pelos pobres. Foi aos pobres que Deus escolheu para torná-los ricos na fé. A herança dos ricos já está com eles e será carcomida pelas traças (cf. 5,1ss). Os pobres, entretanto, serão os herdeiros do Reino (v. 5).

EVANGELHO - Mc 7,31-37
Tiro, Sidônia, Decápole - estas regiões pagãs estão a lembrar que Jesus se interessava pelos pagãos. Os pagãos precisam tornar-se filhos de Deus, mas para isso é preciso a intervenção de Deus, o toque de Deus, o dedo de Deus, a graça de Deus. Primeiro: Jesus toca com o dedo as orelhas do surdo. Precisamos primeiro ouvir quem é Jesus assimilar sua mensagem para depois anunciá-la. Jesus, em seguida toca com a sua saliva a língua do gago. O povo antigo usava a saliva para curar. Vemos em primeiro lugar os gestos simbólicos depois vem a palavra esclarecedora e transformadora: “Abre-te”. A palavra aramaica “effatha” está apontando para a liturgia batismal da Igreja Primitiva. Estamos diante de uma catequese batismal com gestos e palavras. O v. 35 constata o resultado da cura: ele falava corretamente. Esta cura tem dimensão simbólica. Para os discípulos de ontem e de hoje falarem corretamente sobre Jesus é preciso primeiro, passar por um processo de cura, de catequese transformadora através de gestos e palavras. O sacramento do batismo abre nossos ouvidos para ouvirmos as maravilhas de Deus, desprende nossa língua para o anúncio da Boa Nova e abre nossos olhos (cf. 8,22ss) para enxergar Jesus. Foi só depois deste esforço de cura de Jesus, que em nome dos apóstolos, Pedro vai conseguir falar: “Tu és o Cristo” em 8,29. O v. 36 salienta o segredo messiânico. Jesus pede segredo para não ser confundido com um messias político e triunfalista. A violação da ordem de Jesus mostra que aquele que recebe tantas graças e favores de Deus não consegue ficar calado. Torna-se evangelizador, anunciador das maravilhas de Deus. O v. 37 revela primeiro a dimensão divina de Jesus que, como Deus criador, tudo o que ele faz é bom (cf. Gn 1,31). Em segundo lugar deixa claro que a profecia de Is 35,4 (a primeira leitura) está se realizando em Jesus de Nazaré que vem renovando, reintegrando os marginalizados e revitalizando o deserto da existência humana fazendo dos homens verdadeiros filhos de Deus.

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