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Comentários Homiléticos

34º DOMINGO DE CRISTO REI Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 26/11/2017 - Atualizado em 23/10/2017 14h27

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1ª LEITURA - Ez 34,11-12.15-17
O profeta Ezequiel acompanhou o povo de Deus no Exílio Babilônico. Ele lembra que o exílio é um castigo de Deus pelos pecados de todos, mas a culpa principal recai sobre as lideranças, que cuidaram de si mesmas e se esqueceram do povo. Mas Deus, qual pastor solícito, não vai abandonar suas ovelhas no exílio. Seu rebanho padece, afastado da sua pátria. O profeta expressa isso com as expressões "ovelhas perdidas", "extraviadas", "de perna quebrada", "doente". O povo está precisando de pastores, verdadeiramente zelosos e dedicados. Mas onde estão os pastores? Onde está o povo como porta-voz de Deus. Ele anuncia que é o próprio Deus que virá tomar conta de suas ovelhas como um pastor totalmente consagrado, atencioso e meigo. Deus mesmo virá para resgatar suas ovelhas, apascentá-las e fazê-las repousar, virá buscar a perdida, fortalecer a doente e vigiar a gorda e forte. Virá apascentá-las conforme o direito, virá fazer justiça. Essa notícia é maravilhosa e pode ser resumida nestas palavras: Deus mesmo virá libertar seu povo da escravidão e morte e reconduzi-lo à sua pátria para que todos tenham liberdade e vida.

 

2ª LEITURA - 1Cor 15,20-26.28
O capítulo 15 da 1Cor é todo dedicado à ressurreição. Nosso trecho lembra dois argumentos. O 1º é que Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram O que significa a expressão primícias? São os primeiros frutos de uma colheita. Estes primeiros frutos bem amadurecidos trazem a grande esperança de ótima colheita. É uma amostra esperançosa. A partir dela se tem uma certeza do bom resultado da colheita. Paulo nos diz que esta amostra é Cristo. Nós que pertencemos a Cristo somos o resto da boa colheita. Todos ressuscitaremos por ocasião da sua vinda. Depois, Paulo contrapõe Adão a Cristo. Por causa da nossa ligação com Adão todos morreremos. Mas também por causa da nossa ligação com Cristo, novo Adão, que venceu a morte, recebemos de volta a vida. O 2º argumento sobre a ressurreição é a vitória de Cristo sobre todos os mecanismos da morte. Aqui o apóstolo enumera como mecanismos da morte: "soberania", "poder" e "força".

Que nomes poderíamos dar aos mecanismos da morte hoje? O fim só virá, quando Cisto colocar todos estes inimigos da vida sob seus pés. Depois ele destruirá o último inimigo que será a morte. A luta de Cristo é a luta dos cristãos. A vitória de Cristo é a vitória dos cristãos.  Cristo conta conosco. Cristo só entregará o seu Reino ao Pai, quando tudo estiver submetido a ele.  Aí Deus será tudo em todos. Nosso tempo individualmente é muito curto, mas não podemos partir sem ter dado nossa contribuição na obra do Filho de resgatar todos para o Pai.

 

EVANGELHO - Mt 25,31-46
Cristo é Rei e Juiz de toda a humanidade. Estamos no final do discurso escatológico (Mt 24-25) com o trecho sobre o juízo final. O critério do julgamento surpreende a todos: é a prática da justiça, a prática da caridade feita ao irmão mais marginalizado. Os que abrem seu coração para os pequeninos do Reino são chamados "justos" e "benditos". Estes irão para a vida eterna. Os outros são os malditos, irão para o castigo eterno.

Quem separará os bons dos maus, as ovelhas dos cabritos é o Filho do Homem, Jesus, o Pastor. As ovelhas, os justos, serão colocados à direita. É o sinal da salvação. Estes serão abençoados pelo Pai e receberão o Reino como herança. Os cabritos, os injustos, ficarão à esquerda, ou seja, receberão condenação, serão afastados do Filho; serão chamados de malditos e irão para o fogo eterno. Serão sócios do diabo no egoísmo que os condenou.

O critério de separação
O critério de separação é o atendimento ou não a Jesus na pessoa dos mais marginalizados, isto é, os que passam fome e sede, os que são estrangeiros, os que são maus. Estes ficam surpresos com este modo do Filho do Homem falar e perguntam quando foi que isto aconteceu. Na verdade todos ignoram terem ajudado ou não a Jesus na pessoa dos empobrecidos. Não apenas os justos e os injustos da parábola, mas também nós do tempo que se chama hoje, nós não percebemos que estamos atendendo a Jesus, quando ajudamos um seu e nosso irmão marginalizado. Também nós teremos surpresas. Aqueles que vivem maldizendo o estatuto da criança e do adolescente; aqueles que vivem jogando sobre os ombros das crianças de rua toda a culpa dos crimes da sociedade; aqueles que consideram os presos como bichos, nocivos à sociedade, e que acham que preso deve ser castigado e morte; aqueles que nunca atendem bem a quem bate à sua porta e não apoiam os movimentos populares, que lutam por melhor distribuição de renda e maior justiça no país; estes terão um péssima surpresa. Nesse momento toda a falsa piedade será desmascarada, toda hipocrisia será revelada, e aniquiladora será a sentença do tribunal divino: "Afastem-se de mim, malditos! Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos". É claro que toda esta maldição é uma pesada advertência. Não se trata de uma sentença categórica no fim do mundo, mas um chamado de conversão para “o tempo que se chama hoje”.

 

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