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Comentários Homiléticos

24º DOMINGO COMUM Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 17/09/2017 - Atualizado em 31/08/2017 15h31

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1a LEITURA - Eclo 27,33-28,9
O livro do Eclesiástico pode ser visto como uma reação à imposição forçada de uma cultura e mentalidade gregas. Este fenômeno se chamou de helenização. O livro surgiu no início do século II a.C., e pretende preservar a religião, a fé e a identidade do povo judeu. O Eclesiástico é um livro sapiencial e podemos dizer que tem seu aliado político (que luta pelos mesmos ideais) nos livros dos Macabeus.

Nosso texto tem sabor de evangelho. A tônica é o perdão como abertura do relacionamento com Deus e com o próximo. O contrário do perdão poderíamos chamar aqui de rancor, raiva, ressentimento, vingança e injustiça. Talvez pudéssemos ver dois momentos no texto: Primeiro: o autor afirma que o relacionamento com o próximo condiciona o relacionamento com Deus. Quem alimenta estes sentimentos contrários ao amor e ao perdão, bloqueia seu relacionamento com Deus, fecha automaticamente seu coração impedindo a Deus de exercer seu amor misericordioso. Deus não entra em coração fechado. Nossa oração perde o sentido, se o nosso coração não estiver aberto para o próximo. Nossa oração se torna ritualista, sem vida, de uma exigência sem fundamento, carregada de uma ousadia hipócrita. Quem reza  nestas condições não conhece a Deus. Segundo: O autor faz algumas exortações para nos ajudar a mudar o nosso coração com relação ao próximo, a fim de perdoarmos como Deus perdoa, a fim de amarmos como Deus ama. Ele nos convida a pensar (meditar) no fim, na destruição e na morte, nos mandamentos e na aliança. Em síntese, estes pensamentos, por um lado vão nos revelar a mesquinhez de nossos sentimentos, que nos levariam a perder o sentido da vida, que é tão breve, e, por outro lado, à grandeza do coração de Deus, que se fez nosso aliado apesar de nossas fraquezas.

2a LEITURA - Rm 14,7-9
A leitura de hoje situa-se dentro de um contexto que exige acolhida e respeito pelas convicções do irmão. Cada qual siga a sua convicção (v. 5). O assunto que antecede o nosso texto é o que se pode comer ou não, sobre o problema de dias de festa, etc. Uns tinham a cabeça feita em relação ao alimento, outros ainda ficavam preocupados com as antigas leis judaicas sobre alimentos puros e impuros, sobre calendários de festa, etc. Nós temos nosso modo de pensar, mas não podemos absolutizá-lo. Isto dificultaria nossa boa convivência e nos levaria a julgar o próximo. “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (v. 4). A propósito de servo, Cristo é mostrado aqui como o Senhor dos vivos e dos mortos. Em Roma, no tempo de Paulo, metade da população era escrava. O escravo, o servo, vivia em função do seu senhor e não em função de si mesmo. Pelo fato de pertencermos a Cristo Jesus, Paulo defende o argumento da boa convivência lembrando a nossa pertença a Cristo. Ele é o nosso Senhor e tudo o que fazemos deve ser em vista dele. “Viver e morrer” é uma expressão que sintetiza a totalidade da nossa vida. Por isso S. Paulo diz: “quer vivamos, quer morramos pertencemos ao Senhor”. Poderíamos sintetizar o pensamento do apóstolo com a doxologia no final da oração eucarística: “Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre. Amem”.

EVANGELHO - Mt 18,21-35
Como dissemos no comentário do domingo passado, a tônica do capítulo 18 (discurso sobre a Igreja-comunidade) é o perdão. O texto de hoje é totalmente voltado para isto. À pergunta de Pedro Jesus dá 2 respostas. Qual foi a pergunta? Pedro pergunta, já abrindo o coração para o perdão, se é até 7 vezes que a gente deve perdoar a ofensa do irmão. Pedro com este número já estava superando a justiça dos escribas e fariseus que limitavam o perdão até 4 vezes com relação ao mesmo erro. A resposta de Jesus surpreende, pois, apesar de responder em termos numéricos, (setenta vezes sete), ele quer dizer que o perdão é uma atitude de vida, não uma questão de quantidade. Se o perdão não for total e contínuo, ele deixa de ser perdão. Se se limita o perdão a uma determinada quantidade de vezes, como ser cristão depois? Fundamentar-se-ia em nome de Deus o ódio, a vingança, a violência, ou, no mínimo uma vida de indiferença e descompromisso com o próximo. A primeira resposta de Jesus é, portanto, que não se pode pôr limites ao perdão, ele é uma atitude de vida. Qual foi a segunda resposta de Jesus? É uma parábola para ilustrar e motivar o perdão aos irmãos como uma resposta de gratidão à gratuidade de Deus. Vamos sintetizar. Temos 3 cenas. Na primeira, o rei vai acertar contas com os seus empregados e perdoa o primeiro, que lhe devia uma quantia enorme. Simplesmente impagável - 10 mil talentos de ouro. Cada talento pesava mais de 30 quilos. O pobre homem devia, portanto, o equivalente a mais de trezentos quilos de ouro. O patrão reage nos moldes da justiça da época pregada pelos doutores da Lei e pelos fariseus. Mandou que fossem vendidos o devedor, sua mulher, seus filhos e seus bens para saldar a dívida. É curioso que o empregado caindo de joelhos suplica um prazo e promete pagar tudo! Mas pagar como? Nossa dívida com Deus é impagável. Mas diante de Deus, o inesperado acontece. O patrão teve compaixão e perdoou toda a dívida do seu empregado. Esta primeira cena mostra a grandeza do coração de Deus e a gratuidade do seu perdão. A segunda cena revela a mesquinhez do coração humano. Este mesmo homem encontra com um dos seus colegas que lhe devia cem moedas de prata, o equivalente a cem dias de trabalho, soma irrisória diante de trezentos mil quilos de ouro. Qual foi a atitude do homem? Ele agarra seu devedor pelo pescoço e exige que ele o pague. O devedor age do mesmo jeito  do homem que foi perdoado. Ajoelha e suplica um prazo. E a dívida era pagável. Mas não houve prazo, não houve perdão. Mandou jogar o pobre coitado na cadeia até que pagasse o que devia. Os colegas ficaram chateados e contaram ao patrão. Aí vem a terceira cena: a atitude do patrão. Ele revela a mesquinhez do homem que não foi capaz de seguir seu exemplo de perdão e misericórdia. Então, indignado, “o patrão mandou entregar o empregado aos torturadores, até que pagasse toda a dívida”! Mas nossa dívida com Deus é impagável. Ou aprendemos a perdoar com a misericórdia de Deus ou estamos aniquilados. O versículo final nos indica que  o patrão misericordioso é Deus, o empregado mesquinho, com uma dívida impagável, somos nós. E a última atitude do rei é a consequência da nossa mesquinhez: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará com vocês, se cada um não perdoa de coração ao seu irmão”.

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