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Comentários Homiléticos

4º DOMINGO DA PÁSCOA Por Dom Emanuel Messias de Oliveira 07/05/2017 - Atualizado em 17/04/2017 10h39

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1ª LEITURA -At 2,14a.36-41
No capítulo 2º dos Atos dos Apóstolos, o autor S. Lucas nos brinda com três informações. A primeira é a narração da vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos - é o Pentecostes (2,1-13). A segunda é o discurso de Pedro (2,14-41) e a terceira é uma síntese idealizada da vida dos primeiros cristãos (2,42-47). O discurso de Pedro é a primeira realização do programa - promessa de 1,8. Pedro começa a dar testemunho de Jesus morto e ressuscitado. O que ele nos diz?

1) O povo deve tomar consciência do seu crime. Os judeus são responsáveis pela morte de Jesus. Foi seu sistema injusto, regido por interesses político-religiosos, que condenou o Filho de Deus.

2) Deus não deixou o Seu Filho na morte. Além de ressuscitá-lo, tornou-o Senhor e Cristo. "Senhor" era título reservado ao Imperador Romano, que dominava o "mundo". Jesus, agora, ocupa o lugar do homem mais poderoso do mundo. E mais; ele é Senhor do universo inteiro. Todo poder, agora, lhe foi dado (Mt 28,18). Ele recebeu a soberania divina.

3) Atemorizado, o povo pergunta: “O que devemos fazer?” Eles sentem sua cumplicidade e, movidos pelo arrependimento, querem romper com o sistema que gera a morte do justo.

4) Pedro aponta duas atitudes e uma oferta: a primeira é a conversão, que é o rompimento com o sistema de morte, a segunda é o batismo para o perdão dos pecados e comprometimento com o novo modo de vida testemunhado por Jesus. Esse novo modo de viver é o projeto de Deus de uma sociedade nova, fraterna, justa, solidária. A oferta é fundamental, sem ela não somos capacitados a participar dessa novidade de vida: é o Espírito Santo. O Espírito Santo é a própria vida da nova comunidade-Igreja. Esse Espírito é o mesmo que deu força e coragem a Jesus de dar a vida na cruz e retomá-la na sua ressurreição.

5) Pedro ainda nos diz que a promessa do Pai de dar a vida em Jesus Cristo é para todos: não exclui ninguém. Deus de fato chama a todos. São excluídos os que preferem a não-vida de uma sociedade corrompida, interesseira e egoísta. O autor termina mostrando, otimistamente, que o projeto de Deus está ganhando numerosas adesões.

2ª LEITURA -1Pd 2,20b-25
A realidade social, em que a comunidade de Pedro está vivendo, se aproxima da realidade do nosso povo. O povo cristão se reúne em comunidade-Igreja, buscando um lar, pois a sociedade é uma máfia interesseira, opressora, egoísta, artífice do mal. São senhores explorando seus escravos, são ricos sugando os pobres e nativos marginalizando os migrantes. Os escravos, os pobres e os migrantes são cristãos. Eles sofrem porque fazem o bem, são perseguidos e maltratados porque se reúnem como irmãos e não participam das ofertas e falsa vida da sociedade. Eles têm seus senhores, mas obedecem antes de tudo ao Senhor Jesus. O Autor diante desta realidade difícil exorta-os à paciência e vai mostrando-lhes o valor religioso de sua vida sofrida em solidariedade com Cristo e os irmãos. Isto é praticamente a vocação cristã. O exemplo eles o têm em Cristo Jesus, que sem ter falta alguma sofreu por todos nós. Como o Servo de Deus (Is 53) confiou profundamente em Deus, não retribuindo injúrias nem ameaçando castigos. Ele carregou na cruz nossos pecados, para que mortos para o pecado vivamos para a justiça. Antes estávamos doentes, feridos e como ovelhas desgarradas, mas o Cristo-Pastor nos reuniu e nos deu um novo lar. Cristo Jesus é o Pastor e guarda de nossas vidas (= almas).

Sabemos sofrer a solidariedade com os mais pobres a exemplo de Cristo ou compactuamos com a sociedade corrupta, quando o nosso bem estar está em jogo?

EVANGELHO - Jo 10, 1-10
Para compreender bem o evangelho do Bom Pastor precisamos recordar três coisas:

1º) O texto de hoje fica mais claro se tivermos em mente Ez 34, onde o profeta fala dos maus pastores, que conduziam mal o povo de Deus; mas, um dia, o próprio Deus virá apascentar seu povo.

2º) No capítulo anterior (Jo 9), que fala da cura do cego de nascença, vemos todo um processo das lideranças de Israel contra uma "ovelha", que foi curada pelo "Bom Pastor". O processo culmina com a expulsão do cego da sinagoga. Nesta expulsão é o próprio Jesus que é rejeitado. No final, os falsos líderes, que julgam, se tornam julgados. Eles são os verdadeiros cegos.

3º) O costume dos pastores. Os pastores guardavam suas ovelhas de noite num único curral, em cuja porta ficava um vigia. De manhã, cada pastor vinha pegar suas ovelhas e levá-las para o pasto. Eles passavam pela porta e chamavam cada uma de suas ovelhas pelo nome. Todas atendiam, e, passando pela porta, eram conduzidas para o pasto.

Na parábola do Bom Pastor, temos de um lado o Bom Pastor, que é Jesus, do outro lado, os maus pastores, que são as lideranças do povo (Ez 34). Estas são chamadas de ladrões e assaltantes. Elas não passam pela porta da Justiça, mas pulam o muro para espoliar e roubar as ovelhas, que elas mantém sob controle, praticamente aprisionadas pelo sistema injusto e opressor. O pior de tudo é que isto é feito em nome da Lei, em nome da religião, em nome de Deus. Estes falsos líderes não conhecem nem cuidam de suas ovelhas e estas não conhecem a sua voz. Muito diferente é a atitude do Bom Pastor. O bom pastor entra pela porta, chama as ovelhas pelo nome e elas atendem, pois conhecem sua voz e ele as conduz para o pasto. Aliás, Jesus o bom pastor não apenas entra pela porta, mas, ele mesmo é a porta (v.7.9). Jesus, bom pastor, não apenas tem zelo, cuidado e carinho pelas suas ovelhas, mas ele veio, exatamente, “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (v.10). No v.11 Jesus diz que ele dá a vida pelas suas ovelhas. Aqueles que não entram pela porta são ladrões e assaltantes, sem o menor cuidado, interesse e respeito pelas ovelhas (veja o episódio do cego de nascença no capítulo 9). Jesus é a porta da salvação para as suas ovelhas do sistema de morte, onde elas foram encurraladas. Nossas lideranças pastorais e políticas estão a serviço do povo ou o manipulam para se servirem dele? Cuidam do bem estar do povo ou dos seus próprios interesses?

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