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Nota da Faculdade Jesuíta sobre o momento político Por Setor de comunicação da Faculdade Jesuíta 09/11/2018 - Atualizado em 09/11/2018 15h31

Nota da Faculdade Jesuíta sobre o momento político
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O Papa Francisco não se cansa de repetir que “a política é uma das formas mais elevadas da caridade”. E acrescenta sempre que envolver-se na política é uma obrigação para todo cristão. Essas frases podem parecer ingênuas para alguns e românticas para outros. Mas, na verdade, o Papa quer resgatar a ideia clássica de que a política é o lugar da busca do bem comum. E o bem comum, fonte de vida para todos, deve ser buscado construindo pontes e discernindo caminhos.

Foi inspirada pelas ideias do Papa Francisco, que a Faculdade Jesuíta vivenciou todo o processo eleitoral deste ano. Primeiramente, incentivando alunos, professores e funcionários a debaterem, investigarem e dialogarem acerca da atual situação sócio-política do Brasil. Depois, apoiando e divulgando a carta "Bem-aventurados os que promovem a paz", da Arquidiocese de Belo Horizonte, onde são apresentados dez princípios para ajudar na hora da escolha dos candidatos. E, finalmente, agora, depois das eleições, voltando a assumir seu papel crítico de formar homens e mulheres para os outros, com um olhar atento à vida política de nosso país, buscando construir pontes e discernir caminhos.

Construir pontes não é fácil. Para isso é preciso superar preconceitos, fantasias e caminhar abertamente em direção ao outro. Outro que é diferente, que tem outras ideias e que escolhe outros caminhos. Mas que é meu irmão, minha irmã! A construção de pontes se faz através de uma atitude de reconhecimento e de consenso, superando medos e projeções, que muitas vezes são frutos de uma longa história. Faz-se também caminhando convictamente na direção do outro, sabendo que, quando isso não acontece, no lugar de pontes construímos muros e nos isolamos. Este não é um caminho político e só pode gerar mais violência, ódio e mortes, como infelizmente vimos nos últimos meses no Brasil.

O processo eleitoral deste ano deu origem a mentiras, ódio, violência, fake news e morte. Irmão contra irmão! Não está aí o caminho da fraternidade e da justiça, tão importantes na construção de um povo, de uma nação. A fraternidade e a justiça, necessárias hoje mais do que nunca, acontecem quando pontes são construídas, mãos são dadas, ideais são partilhados. Esta é a forma de política que propõe o Papa Francisco e que devemos buscar, na atual conjuntura política do Brasil, com muito diálogo, transparência e atenção. Mas também como uma vigilância crítica e respeitosa das instituições, lembrando que "É dever do Estado priorizar o bem-estar dos mais vulneráveis, como os povos indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, crianças e idosos abandonados, pessoas com deficiência, imigrantes, desempregados e todos os que vivem na extrema pobreza. A pessoa humana é fundamento e fim da política" (CONCÍLIO VATICANO II, Gaudium es spes, n.25)

Discernir caminhos é urgente! Vivemos nestas eleições tempos difíceis, de radicalismo, polarizações, isolamentos, violência e incertezas. Urge agora olhar todos esses eventos e discernir. O discernimento, nos ensina a tradição jesuítica, é escolher entre dois bens o melhor, o que mais nos realiza, mais nos humaniza. Muitas das situações vividas nestas eleições são de morte e não de vida. Agora é hora de separá-las e jogá-las fora. Separar o joio do trigo. Por isso, o discernimento exige equilíbrio, paciência e atenção. É colocarmo-nos no caminho do bem comum e não dos interesses individuais que tanto mal fazem ao povo brasileiro. O bem comum, discernido nas situações concretas da vida, é nosso guia, nossa bússola.

O Brasil precisa do discernimento de cada um de nós, desde as pequenas situações da vida cotidiana como pagar uma conta, cuidar de um bem público, reivindicar direitos, até situações mais complexas como eleger representantes, acompanhá-los em suas decisões e pensar de forma abrangente os problemas sociais que temos, buscando soluções criativas e factíveis. Todos nós somos políticos, não apenas nossos representantes eleitos. Todos nós somos políticos e temos a missão de cuidar, criticar e propor caminhos de realização do bem comum, vale dizer, de democracia, de direitos humanos, de direitos sociais e dos trabalhadores, de defesa e promoção das minorias, de combate a todas as formas de discriminação, de promoção da paz e da justiça social, de liberdade religiosa, em suma, caminhos de vida para nosso país, nossa cidade, nossa Igreja, nossas comunidades, nossos grupos, nossa rua e nossa casa.

Portanto, o caminho é o de combater a cultura da violência com a tolerância, o reconhecimento, o diálogo, o consenso, a paz e a justiça. É exigir, democraticamente, que o governo seja um governo de todos, a favor da vida e não da morte, da justiça e não da vingança.

A Faculdade Jesuíta, cujo lema é "Formando Pensadores para o Mundo", possui uma importante missão neste momento histórico em que estamos vivendo. Missão partilhada entre alunos, professores e funcionários, de ser crítica e propositiva. Missão de acompanhar o cenário sócio-político de nosso país e, não se deixando abater pelo pessimismo nem paralisar pela ingenuidade, lançar um olhar atento e atencioso à realidade brasileira de forma abrangente e corajosa. Temos a missão de contribuir estimulando, favorecendo e debatendo os grandes princípios e valores que devem orientar nossa busca do bem comum e nossa vivência cidadã. Missão também das pequenas práticas cotidianas que são nossa vivência diária da vida social e política. Faremos isso acreditando nas pessoas e nas instituições, acreditando nas reais possibilidades presentes no cenário nacional de consolidação da nação brasileira como um Estado Democrático de Direito, e na certeza de que nossa melhor opção é a de construir pontes e discernir caminhos.

FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA
Belo Horizonte, 8 de novembro de 2018

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