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Artigos dos Bispos

Vigiai, com velas acessas!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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14/11/2017 - Atualizado em 14/11/2017 08h39

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Estamos caminhando para a clausura de mais um ano litúrgico, o que chamamos de ano litúrgico A. A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum nos convida à vigilância. Destaca-se que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher.

Na segunda leitura(cf. 1Tes 4,13-18), São Paulo garante aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre. Cristo virá para concluir a história e inaugurar a nova e definitiva realidade. Enquanto isso não acontece, nossa tarefa como cristãos aqui neste mundo é configurar a nossa vida à maneira como Cristo viveu, somente assim estaremos preparados para ir ao encontro com ele. Então, não devemos nos preocupar com “quando” e “como” será a vinda de Cristo, mas em viver bem os seus ensinamentos, praticando o bem na vida cotidiana, a misericórdia, o perdão e tudo o mais que Jesus ensinou.

O Evangelho(cf. Mt 25,1-13) nos lembra que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino. Com o exemplo das cinco jovens “insensatas” que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. Pois Deus nos conhece pelo nome e assim nos trata. No final de tudo haverá a escolha. Deus há de mandar os seus anjos para separar os bons dos maus. As cinco virgens prudentes entraram com o noivo no casamento, enquanto as cinco tolas não puderam entrar. Os servos dos cinco e dos dois talentos entraram na alegria de seu senhor, enquanto o de um talento foi lançado fora, nas trevas. A expressão “Fechou-se a porta”, encontrada na parábola das dez virgens, é uma das expressões mais tristes nas Escrituras para todos aqueles que não estiverem preparando prudentemente a vinda do Senhor.

A primeira leitura(cf 6,12-16) nos apresenta a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. É um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta estar atento, vigilante e disponível para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece. O livro da Sabedoria convida seus contemporâneos, e também a nós, a redescobrir os valores da fé no Deus verdadeiro. A esses valores ele chama de sabedoria, que é a arte de viver de acordo com a vontade divina. Nós devemos nos interessar por esse tipo de sabedoria e considerá-la como uma das coisas mais importantes na vida, muito mais valiosa que os bens terrenos. A sabedoria é um dom que Deus nos dá, um dom do Espírito Santo para sabermos como fazer a vontade divina e assim sermos felizes de verdade.O texto também fala sobre a prudência, tema do evangelho de hoje. Na passagem que ouvimos, a perfeita prudência é uma qualidade de quem tem o dom da sabedoria. A prudência pode ser um sinônimo da sabedoria, mas, neste caso, é uma consequência de quem é sábio. A pessoa prudente sabe esperar, não é imediatista, não se deixa levar pelas ideias erradas da maioria das pessoas, não faz loucuras na vida. A pessoa prudente não é surpreendida pelos reveses da vida.

Neste domingo o Senhor nos está alertando que junto com a possibilidade da salvação final, existe a possibilidade da condenação eterna, que muitos hoje querem negar, tendo como escudo este sofisma: “Deus é tão bom, que não permitirá que ninguém se condene”. Deus é sério. “De Deus ninguém zomba. O que o homem semear, isso colherá” (cf. Gal 6,7). Se estivemos brincando com a lâmpada da fé comprando outras velas no supermercado das seitas, talvez se quebre. Quem não alimentar essa lâmpada com a caridade, se apagará.

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