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Artigos dos Bispos

Frutos de amor, paz, justiça, bondade e misericórdia!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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09/10/2017 - Atualizado em 09/10/2017 10h32

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O tema central da liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem da “vinha de Deus” para falar desse Povo que aceita o desafio do amor de Deus e que se coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia. Não se admite dentro do Povo de Deus quem não tem a capacidade de acolher o diferente, de ajudar o que vive no pecado a procurar uma vida nova, e um compromisso de viver aquilo que prega, nunca demonstrando uma santidade de aparência.

Na primeira leitura(Is 5,1-7), o profeta Isaías dá conta do amor e da solicitude de Deus pela sua “vinha”. Esse amor e essa solicitude não podem, no entanto, ter como contrapartida frutos de egoísmo e de injustiça. O Povo de Deus tem de se deixar transformar pelo amor sempre fiel de Deus e produzir os frutos bons que Deus aprecia – a justiça, o direito, o respeito pelos mandamentos, a fidelidade à Aliança. A vinha não produz os frutos esperados, o povo não realiza obras que agradam a Deus, especificamente a justiça e o direito. Essas palavras da primeira leitura são bem atuais; hoje elas se dirigem a nós, que somos povo de Deus em Jesus Cristo.

No Evangelho(Mt 21,33-43), Jesus retoma a imagem da “vinha”. Critica fortemente os líderes judaicos que se apropriaram em benefício próprio da “vinha de Deus” e que se recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Jesus anuncia que a “vinha” vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera. Essa realidade criticada pelo evangelho está presente na Igreja em todos os tempos, porque o ser humano é sempre tentado a usurpar o lugar de Deus. Para aprendermos a assumir nosso papel na liderança da comunidade, basta olhar para Jesus, que não se apegou a seu ser igual a Deus, mas assumiu a condição de servo (cf. Fl 2,6-7). E ele é o herdeiro da vinha. Por isso, Jesus é o caminho a ser seguido, não somente pelos líderes religiosos, mas também por todos os que queiram realizar, na sua vida, a vocação humana e cristã: ser para Deus. Se realizarmos essa vocação, certamente a vinha do Senhor dará muitos frutos no seu tempo.

Na segunda leitura(Fl 4,609), o apóstolo Paulo exorta os cristãos da cidade grega de Filipos – e todos os que fazem parte da “vinha de Deus” – a viverem na alegria e na serenidade, respeitando o que é verdadeiro, nobre, justo e digno. São esses os frutos que Deus espera da sua “vinha”. E como nossa mente já não está sobrecarregada com preocupações e ansiedades, podemos nos ocupar com o que é essencial (v. 8): levar uma vida exemplar no mundo (dar testemunho), sendo verdadeiros, sabendo respeitar a dignidade do outro, sendo amáveis, sendo puros, enfim, praticando as virtudes.

Neste domingo celebramos o dia do nascituro. Vamos promover a defesa da vida humana desde a concepção até o seu termo natural. Destacamos como o quão é necessário criar uma cultura da vida numa realidade que, muitas vezes, passou a considerar certas condições humanas como descartáveis. Por isso, neste domingo, pegando emprestado de nosso querido irmão Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, rezemos:

Nós vos louvamos, Senhor, Deus da Vida.
Bendito sejais, porque nos criastes por amor.
Vossas mãos nos modelaram desde o ventre materno.
Nós vos agradecemos pelos nossos pais, famílias e todas as pessoas que cuidam da vida humana desde o seu início até o fim.
Em Vós somos, vivemos e existimos.
Abençoai todos e todas que zelam pela vida humana e a promovem.
Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde.
Dai às pessoas e às famílias o pão de cada dia, a luz da fé e o amor fraterno.
Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossos nascituros, nossas crianças, nossos jovens, nossos adultos e nossos idosos, para que tenham vida plena em Jesus, que ofereceu sua vida em favor de todos. Amém.(Dom Orlando Brandes)”.

Que Nossa Senhora Aparecida, cujos 300 anos de pesca iremos celebrar no dia 12, nos ajude a proteger a vida e a edificar com frutos de amor, paz, justiça, bondade e misericórdia, na defesa da vida e no anúncio da salvação e da graça divina, Amém!

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