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Artigos dos Bispos

Cuidar do Povo Jesus o fez e teve compaixão do povo, percebendo que era como ovelhas sem pastor.

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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14/06/2017 - Atualizado em 14/06/2017 10h03

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O olhar sociológico sobre a realidade do povo é importante, mas é só a primeira parte. De fato, precisamos conhecer a realidade ao redor de nós, mas também nos colocarmos dentro dela como protagonistas de sua transformação. Jesus o fez e teve compaixão do povo, percebendo que era como ovelhas sem pastor.

Hoje não podemos ficar cegos e alheios ao que acontece em nossa sociedade, família e comunidade. Temos muito de bom e de ruim, material, ética, moral, política e religiosamente. Vemos lideranças que se deixam corroer e corroem o tecido social e moral da  humanidade.

Por outro lado, é importante o processo “ver, julgar e agir”. Precisamos, depois do olhar sociológico, avaliar comparativamente o que é bom e o que fazer para focalizarmos valores que devem ser colocados e que ainda não o são  na realidade vista e analisada. O que está aí aos nossos olhos pode não estar satisfazendo adequadamente à convivência de cidadãos, criados por Deus para todos viverem e serem tratados com dignidade. Uns parecerem ser mais cidadãos do que os outros, comportando-se como se fossem superiores aos valores humanos e divinos. Vivem sem freios e são demais gananciosos para obterem de modo lícito e ilícito o que deveria ser um bem para maiorias sofredoras, que são lesadas em seus direitos e em sua dignidade! O “julgar” é parte necessária de nossa convivência cidadã.  Ao contrário, tornamo-nos massa  não pensante e não cooperamos para que aconteça justiça e promoção da dignidade humana. Paulo coloca a verdade de Jesus, que se torna como o fiel da balança, para nos ajudar a equilibrar nossa convivência por nos dar o exemplo de doação e reconciliação: “Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho” (Romanos 5,10).

Ainda: não basta ver e refletir. Estamos dentro da realidade que vemos e examinamos. Nós mesmos somos parte do convívio social, que pode ser desumano ou humano, se nós mesmos o ajudarmos ou não a humanizar-se progressivamente. O “agir” deve ser consequente de nossa vida consciente e responsável no planeta. Não podemos nos fixar no pessimismo nem no otimismo sem consistência. Mas vamos ser realistas e perseverantes na certeza de que não estamos sozinhos para superar as crises, os transtornos sociais e mesmo os desmandos de muitos na sociedade. Nossa fé é o grande baluarte de nossa ação de amor. Contamos com a força divina para superar nossos males. Precisamos, é claro, usar de nossas capacidades e da união de esforços para atuarmos de modo responsável em bem de um mundo novo, em que cada uma pense e atue para o benefício de todos. Assim teremos uma sociedade mais justa e solidária.

O próprio Jesus nos estimula: “Tende confiança! Eu venci o mundo”! (João 16,33). Mesmo não sendo muitos os que aderem à pessoa e exemplo dele, com união de esforços dos que trabalham com a fé transformadora, o resultado se torna positivo, como o fermento no meio da massa. Deus não deixa faltar operários para a sua messe (Cf. Mateus 9,37-38).

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