Artigos dos Bispos

O poder radiante da cruz “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34b)

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

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16/04/2019 - Atualizado em 16/04/2019 09h02

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Durante o tempo quaresmal e, especialmente, na Semana Santa, o povo cristão volta-se para a cruz de Cristo com especial devoção e veneração. É perceptível como é forte a sensibilização das pessoas com o sofrimento do Senhor. A sexta-feira da paixão conta sempre com a presença e participação maciça de fiéis. Na verdade, os cristãos reconhecem Jesus como homem das dores, pois sua vida, como nos relatam os evangelhos, foi toda orientada para a cruz. Ele disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34b).

“Creio em Jesus Cristo... que padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia...” Essas palavras do Credo, qual profissão de fé cristã, condensam o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na vida litúrgica da Igreja, essas palavras apontam para o conteúdo de fé celebrado no Tríduo Pascal. A Ceia do Senhor, celebrada na quinta-feira à noite, antecipa o mistério da entrega do corpo e do sangue derramado de Jesus na cruz. Na sexta-feira, a Igreja se recolhe no silêncio para escutar o evangelho da paixão e morte de Jesus. No sábado santo, iluminada com o fogo novo, a mesma Igreja se alegra com o anúncio da ressurreição do Senhor e canta solenemente o aleluia pascal.

Os evangelhos não escondem como Jesus sentiu a proximidade amarga da morte. Os três dias da paixão, morte e ressurreição de Jesus são narrados com riqueza de detalhes pelos evangelistas. Esses três dias ocupam, proporcionalmente, a maior parte de cada evangelho. O julgamento, a flagelação, a coroação de espinhos, o caminho do calvário e, finalmente, a crucifixão revelam, em Jesus Cristo, o amor de Deus. Na dor humana revela-se o coração amoroso do Deus Trino que, em Jesus, despojou-se e assumiu o fato mais doloroso da vida: a morte. A cruz justifica a audácia de pronunciar a palavra, para muitos escandalosa: por amor e comunhão radical com o ser humano, Deus sofre!
A cruz é o lugar em que Deus fala no silêncio. Na solidão da morte, Jesus alcança cada ser humano, que pela morte haverá de passar. De sua cruz brota a ressurreição. Por isso, a Igreja reza: “O universo inteiro, salvo pela Paixão de vosso Filho, pode proclamar a vossa misericórdia. Pelo poder radiante da Cruz, vimos com clareza o julgamento do mundo e a vitória de Jesus crucificado” (Missal Romano, Prefácio da Paixão do Senhor, I).

O cristão é discípulo do Crucificado-Ressuscitado. A cruz é para ele escola de despojamento e esvaziamento. Ele aprende na cruz que nenhum ato de violência é justificável e que nenhuma morte, de quem quer que seja, pode ser comemorada. Contemplando a cruz de Jesus, o cristão compreende sua vocação. Ele, como o Senhor, há de dedicar-se pela causa do Reino para fazer dos calvários da terra lugares de ressurreição, de justiça e de vida plena. Traçando a cruz do Senhor sobre si mesmo o cristão vive sob a sombra dos braços abertos de Cristo, sinal eloquente do amor de Deus que nos banhou com o sangue de Jesus e fez de nós novas criaturas (cf. 2Cor 5,17).

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