Artigos dos Bispos

Vamos ver Jesus e pedir a sua ajuda!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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22/10/2018 - Atualizado em 22/10/2018 11h38

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A liturgia do 30° Domingo do Tempo Comum fala-nos da preocupação de Deus em que o homem alcance a vida verdadeira e aponta o caminho que é preciso seguir para atingir essa meta. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, o homem chega à vida plena, aderindo a Jesus e acolhendo a proposta de salvação que Ele nos veio apresentar.

A primeira leitura (cf. Jr 31,7-9) afirma que, mesmo nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel, quando o Povo parecia privado definitivamente de luz e de liberdade, Deus estava lá, preocupando-se em libertar o seu Povo e em conduzi-lo pela mão, com amor de pai, ao encontro da liberdade e da vida plena.

A segunda leitura (cf. Hb 5,1-6) apresenta Jesus como o sumo-sacerdote que o Pai chamou e enviou ao mundo a fim de conduzir os homens à comunhão com Deus. Com esta apresentação, o autor deste texto sugere, antes de mais, o amor de Deus pelo seu Povo; e, em segundo lugar, pede aos crentes que “acreditem” em Jesus – isto é, que escutem atentamente as propostas que Ele veio fazer, que as acolham no coração e que as transformem em gestos concretos de vida.

No Evangelho, o catequista Marcos (cf. Mc 10,46-52) propõe-nos o caminho de Deus para libertar o homem das trevas e para o fazer nascer para a luz. Como Bartimeu, o cego, os crentes são convidados a acolher a proposta que Jesus lhes veio trazer, a deixar decididamente a vida velha e a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. Dessa forma, garante-nos Marcos, poderemos passar da escravidão à liberdade, da morte à vida. “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim”(cf. Mc 10,47). A história do cego Bartimeu bem poderia ser um resumo da história de cada um de nós, os batizados. Em primeiro lugar ele se encontra cego e mendicante, o que para os padres da Igreja sempre foi um sinal da condição pecadora. Apesar de nossa dignidade de filhos e filhas de Deus, o pecado fere; deixa-nos cegos na busca do bem e impede-nos de contemplar e de ver a face do Senhor que está sempre junto de nós, e nos transforma em mendicantes. Por isso, por sermos pecadores, devemos recorrer ao Filho de Deus, e gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”. Chamar a Deus é importantíssimo. Pode demorar. Pode ser humilhante. Pode causar desconforto, mas, ao tempo do Senhor, Jesus virá ao nosso encontro. E isso exigirá de cada de nós, sacrifício, renúncia, conversão e mudança de vida. Bartimeu, para ir ao encontro de Jesus, teve que deixar para trás a sua capa, talvez, o único bem que dispunha, a capa com que o protegia do frio da noite.

A doença de Bartimeu que oprimia, escravizava e humilhava, a partir de agora deixara de ter sentido. Aquela capa que fora símbolo de exclusão social foi atirada longe. O que importava era levantar-se o mais depressa possível e chegar até Jesus. O cego não é aquele que não vê, mas aquele que não quer ver. Quantos passam a vida sentados à beira do caminho, braços cruzados, olhos perdidos no vazio e na escuridão, acomodados, desencorajados, desesperançados, descrentes de Deus, descrentes do mundo, descrentes das pessoas… Mortos vivos ou vivos mortos? Em qual das duas categorias você se ajusta? Jesus está passando agora na rua do seu coração. Não deixe esta graça passar sem realizar o que Deus quer. Peça, busque, clame, grite, como Bartimeu: Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim! Clama com as palavras que o Espírito Santo te inspirar: Jesus, eu só enxergo as coisas do mundo. O meu coração e os meus olhos encharcados de concupiscências, de pecados, de vícios, de egoísmo, de orgulho, de vaidade, de adultério, de rancor.. Eu sou cego para o amor, para o perdão, para a misericórdia, para a disponibilidade, para o serviço aos irmãos, para a partilha; eu sou cego para a humildade, para o desprendimento, para a renúncia, para o despojamento de mim mesmo. Tem compaixão de mim!

O que nós devemos deixar de lado para ir ao encontro do Salvador? É só no contexto do sacrifício total do que temos e somos, que podemos ser efetivamente curados. Somente Jesus nos cura para fazer de nós seus seguidores, pra nos comprometer consigo. Que Jesus tenha essa piedade de nós e nos faça seus fiéis seguidores – como nosso irmão Bartimeu.

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