Artigos dos Bispos

Levar o Evangelho na humildade e no serviço generoso! A Palavra de Deus que é dirigida ao povo de Deus neste domingo nos fala do serviço a ele em favor dos irmãos.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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15/10/2018 - Atualizado em 15/10/2018 11h01

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Celebramos neste domingo, com a toda a Igreja que caminha em todo o mundo, o Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária. Hoje é o dia de rezarmos, com muita fé, pelas Missões e auxiliar, por meio da nossa coleta, a oferta do ofertório deste domingo, com generosidade colaborando com as obras missionárias da Igreja para que o Evangelho chegue a todos os povos e culturas. É nossa missão ser missionários, levar o Evangelho “in gentibus Evangelizare”, ou seja, levar o Evangelho da todas as pessoas.

A Palavra de Deus que é dirigida ao povo de Deus neste domingo nos fala do serviço a ele em favor dos irmãos. A liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum lembra-nos, mais uma vez, que a lógica de Deus é diferente da lógica do mundo. Convida-nos a prescindir dos nossos projetos pessoais de poder e de grandeza e a fazer da nossa vida um serviço aos irmãos. É no amor e na entrega de quem serve humildemente os irmãos que Deus oferece aos homens a vida eterna e verdadeira.

A primeira leitura (cf. Is 53,10-11) apresenta-nos a figura de um “Servo de Deus”, insignificante e desprezado pelos homens, mas através do qual se revela a vida e a salvação de Deus. Lembra-nos que uma vida vivida na simplicidade, na humildade, no sacrifício, na entrega e no dom de si mesmo não é, aos olhos de Deus, uma vida maldita, perdida, fracassada; mas é uma vida fecunda e plenamente realizada, que trará libertação e esperança ao mundo e aos homens.

No Evangelho (cf. Mc 10,35-45), Jesus convida os discípulos a não se deixarem manipular por sonhos pessoais de ambição, de grandeza, de poder e de domínio, mas a fazerem da sua vida um dom de amor e de serviço. Chamados a seguir o Filho do Homem “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”, os discípulos devem dar testemunho de uma nova ordem e propor, com o seu exemplo, um mundo livre do poder que escraviza. No Evangelho nos deparamos com o inusitado pedido de Tiago e de João a Jesus para terem lugares privilegiados no seu reino messiânico (cf. Mc 10,37). Estes dois apóstolos não fizeram um pedido segundo a vontade de Deus, mas segundo os seus próprios interesses. Buscaram os primeiros lugares,s a honra, a glória, privilégios. Jesus manifesta que este pedido é inoportuno: “Vós não sabeis o que pedis”, e acrescenta um desafio: “Por acaso podeis beber do cálice que vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?”(Mc 10,38). Com a imagem do “Cálice” e do “Batismo”, Jesus instrui Tiago e João acerca do seu sofrimento, do caminho da cruz que ele irá abraçar. Caminho este já anunciado pelo profeta Isaías: “O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação(...) meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas”(cf. Is 53,10.11). Jesus, o Servo do Senhor, nos salva da humilhação e pelos sofrimentos da sua Paixão, e convida os apóstolos, e nós, a batizarmos, ou seja, mergulharmos a nossa vida no mistério da sua morte e ressurreição.

Ser batizado significa morrer para nós mesmos, para nossos próprios interesses, e buscarmos a glória de Deus, isto é, a sua santa vontade, em primeiro lugar. Beber o seu cálice também é uma imagem da participação da sua Paixão: “o cálice da bênção que abençoamos não é comunhão com o Sangue de Cristo?”(Cf. 1Cor 10,16).

Na segunda leitura (cf. Hb 4,14-16), o autor da Carta aos Hebreus fala-nos de um Deus que ama o homem com um amor sem limites e que, por isso, está disposto a assumir a fragilidade dos homens, a descer ao seu nível, a partilhar a sua condição. Ele não Se esconde atrás do seu poder e da sua omnipotência, mas aceita descer ao encontro homens para lhes oferecer o seu amor.

Ser cirstão é conformar-se a Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio para servir e não para ser servido e para dar a sua vida como resgate para muitos (cf. Mc 10,45). O caminho para seguir Jesus é o de conformar-se a ele: o Crucificado-Ressuscitado.

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