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Pessoa, imagem de Deus A pessoa humana existe como ser vivente, porque recebeu de Deus o hálito da vida (Gn 2,7).

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo Metropolitano de Uberaba – MG

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01/10/2018 - Atualizado em 01/10/2018 10h10

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Há uma grande diferença entre ser imagem de Deus e ter atitudes de endeusamento. O humano tem muito de divino, mas não é o divino, um predicado que só pode ser de Deus. Somente Jesus teve a dupla identidade, concebido pela ação do Espírito Santo e gerado com a participação de Maria. Nela o divino se tornou humano, dando possibilidade do humano, em seus atos, se tornar divino.

A pessoa humana existe como ser vivente, porque recebeu de Deus o hálito da vida (Gn 2,7). Mas vida solidária, que depende de convivência, de relacionamento fraterno, realidade que só existe com a presença do outro, formando comunidade de vida. A imagem de Deus existe quando cada pessoa se abre para criar calor humano, proximidade e reconhecimento da presença de Deus em todos.

A convivência humana, principalmente quando acontece no contexto do relacionamento familiar, expressa com precisão o real e verdadeiro sentido da imagem e semelhança de Deus, porque está fundamentada na prática autêntica do amor mútuo. Essa imagem de fraternidade entre as pessoas na família descarta todo tipo de individualismo e fechamento ao outro, que prejudica o calor humano.

A mudança cultural dos povos e os novos costumes que, naturalmente surgem, vão mudança as formalidades do amor. Um amor que parece não realizar as pessoas, ocasionando decepções, frustrações e stress. Alguma coisa de estranho está acontecendo deixando muita gente infeliz e sem auto realização. Significa que não tem sido verdadeiro amor, aquele de doação total.

Realmente não é fácil ser imagem e semelhança de Deus, porque a raiz de tudo é a capacidade de sair de si valorizando a pessoa do outro. Isso vai contra os princípios da modalidade cultural dos últimos tempos. Uma cultura que procura valorizar a pessoa de forma egoísta e interesseira. Isso esvazia o sentido do amor e não permite que o indivíduo se torne realmente feliz.

As exigências do verdadeiro amor não significam fardo muito pesado para quem realmente ama. Assim acontece na vida matrimonial, que é fruto da liberdade e da racionalidade de duas pessoas, quando uma procura fazer tudo pela outra e saber que também poderá receber tudo. É nessa realidade que podemos dizer que as pessoas são realmente imagens e semelhanças do Criador.

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