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A cidade de Liberdade, capital da Misericórdia Torna-se a cidade de Liberdade a capital da Misericórdia Divina para a Igreja Particular juiz-forana. Essas são chuvas de graças que a bondade infinita de Deus derrama sobre o povo fiel, tendo enviado seu Filho para padecer e morrer na cruz a fim de salva

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora - MG

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25/09/2018 - Atualizado em 25/09/2018 13h34

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O território da Arquidiocese de Juiz de Fora abrange 37 municípios e três regiões. A maioria está na Zona da Mata Mineira, alguns no Campo das Vertentes e outros, no Sul de Minas. Nesta última, se localiza a cidade de Liberdade, bela paragem emoldurada por exuberante natureza e habitada por gente simpática, jovial e progressista. Marcada por singular religiosidade de sua gente, centro de peregrinações, venera, em sua tricentenária Matriz, a piedosa imagem do Senhor Bom Jesus do Livramento.

O templo de extraordinária beleza, joia de um barroco tardio, mostra, no teto da capela-mor, nove quadros alusivos à Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, atribuídos ao pincel de Joaquim José da Natividade, nascido em Sabará no século 18 e falecido em Santa Maria do Baependi em 7 de setembro de 1841. Tendo se transformado em Santuário por decisão arquidiocesana em 2008, foi agora agraciado com o título de Basílica, por dádiva da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, sob a autoridade do Papa Francisco. 

A cerimônia de elevação a este nobilíssimo caráter se deu no dia 14 de setembro passado, festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz, numa memorável celebração. Vinda das paróquias, das comunidades, dos movimentos, das associações, das pastorais, uma verdadeira multidão se assomou ao imenso número de peregrinos que todos os anos chegam para o Jubileu do Bom Jesus. Estando o Santuário na proximidade de três Estados (Minas, Rio e São Paulo), era a celebração da catolicidade que ultrapassa limites geográficos, sotaques e costumes. 

Até mesmo a chuva fina que caiu exatamente no momento de se iniciar a Missa foi vista como um sinal de bênçãos que vinham do céu para que, como num verdadeiro batismo, renovasse todas as coisas e todos os corações. A transformação da igreja oitocentista em Basílica Menor representava não só um título honorífico para o artístico edifício, mas novo rosto espiritual para o local.

Novo espírito agora se sente naquele espaço sagrado, sobretudo como sede da Misericórdia, porquanto recebeu o caráter privilegiado das Indulgências Plenárias em vários dias do ano, a saber: 30 de maio, data da consagração do templo; 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo; 6 de agosto, Transfiguração do Senhor, dia em que, em Roma, foram assinados os Decretos de criação da Basílica; o primeiro domingo de setembro, quando se inicia o Jubileu do Bom Jesus, e dia 14 de Setembro, festa patronal e data da instalação da Basílica. Além disso, como prevê a Santa Sé, qualquer dia do ano pode ser escolhido pelo fiel que deseje receber a referida Indulgência, cumpridas as normas para tal. Torna-se a cidade de Liberdade a capital da Misericórdia Divina para a Igreja Particular juiz-forana. Essas são chuvas de graças que a bondade infinita de Deus derrama sobre o povo fiel, tendo enviado seu Filho para padecer e morrer na cruz a fim de salvar a humanidade.

Nunca houve, naquela Paróquia, celebração com presença de tantos ministros ordenados. Eram cerca de 70 presbíteros, inúmeros diáconos permanentes, sob a presidência episcopal. A presença de todos os seminaristas da Arquidiocese de Juiz de Fora, acompanhados pelo Reitor e demais formadores, além de muitos provenientes de outros seminários diocesanos e religiosos, conferiu ao evento litúrgico caráter inédito.

O rito da elevação do templo a Basílica Menor, nos momentos iniciais da Missa, incluindo o canto da ladainha dos Santos, a aspersão do povo, a leitura do Decreto vindo de Roma, a Eucaristia em si, e o lucernário com milhares de velas acesas encheram os corações dos fiéis de tal ardor espiritual que, de muitos se ouviu pelas ruas, ou pelas redes sociais ou outros instrumentos da comunicação: “foi linda, emocionante, enriquecedora, fortalecedora da fé a celebração”. Como Deus é bom!

Belas basílicas sejam também nossos corações e toda a nossa comunidade arquidiocesana, como relicários da misericórdia de Deus que nos liberta do mal e nos acolhe amorosamente em Sua casa a toda hora. 

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