Artigos dos Bispos

Jesus vence o Demônio e anuncia o bem e a graça! O importante no tempo comum é buscar viver em comunhão profunda com Deus já numa preparação mais essencial com os dias solenes na vida da Igreja.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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11/06/2018 - Atualizado em 11/06/2018 15h27

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Vamos caminhando em nosso tempo comum, sempre mirando na vida eterna. O importante no tempo comum é buscar viver em comunhão profunda com Deus já numa preparação mais essencial com os dias solenes na vida da Igreja.

O tema deste 10.º Domingo do Tempo Comum gravita à volta da identidade de Jesus e da comunhão que Ele deseja estabelecer com aqueles que se colocam na disposição de o seguir: fica claro que Jesus não tem qualquer aliança com o Demônio e com o poder do mal e que se quer definir pela sua relação de obediência com Deus Pai, à qual convida todos aqueles que se querem sentir parte da sua família.

No Evangelho (Mc 3,20-35), Jesus demonstra que, na sua atividade de libertação do poder do mal, não pode estar a pactuar com o Demônio, mas vem para libertar os homens e as mulheres de todos os tempos. Também nisso está a fazer a vontade de Deus e convida todos a fazer comunidade centrada na sua pessoa e decidida a construir um mundo que se baseie neste desejo de fazer a vontade de Deus. Jesus tem o poder que vem de Deus, por isso Ele sempre vence o mal. A verdadeira família de Jesus é formada por aqueles  que fazem a  ontade de Deus e se engajam na concretização do Reino de Deus.

Não podendo negar os muitos e poderosos milagres de Jesus, os líderes judaicos tentaram vinculá-los a Satanás. Interiormente, sentiam que esses milagres eram resultado da manifestação divina, mas após terem acusado e perseguido Jesus, ficava difícil admitir a origem divina da obra feita por Ele. O orgulho, ou seja, a falta de humildade, levou tais líderes a essa situação.

O argumento de Cristo permaneceu sem resposta: Como Seus milagres poderiam provir de Satanás, se os destruíam a obra dele? (saúde em vez de doença, libertação de demônios em vez de escravidão a eles). Há aqui uma lição para todos: o orgulho pode obliterar a visão espiritual a ponto de alguém “ao mal chamar bem, e ao bem chamar mal” (Is 5,20). Quando uma pessoa chega a esse ponto, corre o risco de pecar ou “blasfemar contra o Espírito Santo” e “não ter perdão para sempre” (Mc. 3,29). Por quê? O fato é que todo pecado pode ser perdoado, desde que seja confessado (I João 1,9). Mas, se alguém chegar ao ponto de achar que o mal é o bem (de que a falsa acusação deles quanto aos milagres de Cristo era correta), então nunca haverão de se arrepender disto, e por conseguinte, não obterão o perdão. Estarão cometendo o “pecado imperdoável”, pois nunca foi confessado para ser perdoado. Poderíamos dizer, então, que “pecado imperdoável” é pecado não confessado e deixado, como esses dos líderes judaicos.

Os escribas vindos de Jerusalém são os enviados dos chefes religiosos que tinham em mãos o culto sacrifical do Templo e o dinheiro do Tesouro, anexo ao Templo. Eles percebem que Jesus, com seu anúncio da verdade e do amor, é uma ameaça para o poder e os privilégios deles. Jesus já havia expulsado o espírito impuro que dominava um homem em uma sinagoga. Eles se empenham em difamar Jesus, para afastá-lo do povo.

Depois do pecado, a humanidade se sente nua diante de Deus. A pessoa ouve a voz da serpente e se deixa levar por suas propostas; não consegue assumir os próprios atos e joga a culpa nos outros. Deus, porém, não a rejeita nem condena. Ao contrário, vai-lhe ao encontro. Sempre parceiro da humanidade, o Senhor nunca os abandona, nem mesmo quando nos afastamos dele. A primeira leitura(Gn 3,9-15) traz-nos o diálogo de Deus com as figuras poéticas do primeiro homem e da primeira mulher, depois da queda. Este texto procura chamar-nos ao sentido da existência, deixando claro que todos somos chamados a não pactuar com o mal e a estar de sobreaviso diante das tentações do Maligno.

Na segunda leitura (2Cor 4,13-5,1), São Paulo mostra como as tribulações que sofre não abrandam o seu ardor missionário, que se caracteriza pela grande confiança em Deus e na vida eterna que há de conceder; duas grandes atitudes qualificam o ministério de Paulo: a esperança de estar unido com Jesus na ressurreição tal como o está na tribulação terrena e o desejo íntimo de estar em comunhão com os cristãos a quem anuncia o Evangelho de Jesus Cristo. Pela força da fé, o homem pode ver as coisas invisíveis aos olhos humanos, como Deus as vê. Se cremos que Cristo morreu e ressuscitou, encontramos também uma explicação para a ousadia apostólica, pois nada deve nos deter na busca da concretização dos valores perenes. O homem exterior pode se deteriorar, mas o interior se renova em Cristo.

Jesus vem para vencer a Satanás, o adversário que divide. Jesus vem criar uma nova família, a família dos que reconhecem Nele o poder de Deus sobre o mal, sobre a divisão. Jesus vem para formar uma comunidade de gente responsável que, respeitando as diferenças, busca a união e cria pontes de misericórdia e de concórdia. Vem, Senhor Jesus!

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