Artigos dos Bispos

O toque amoroso de Jesus!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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09/02/2018 - Atualizado em 09/02/2018 08h04

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A ressurreição de Jesus nos liberta do pecado e que nos reúne numa só família. A liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.

A primeira leitura (Lv 13,1-2.44-46) apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus. O leproso portava em si um estigma; a sua enfermidade era um sinal externo, visível, patente de uma desordem interna, invisível, latente – o pecado, sinal por excelência da rejeição de Deus. Assim, a lepra era vista mão apenas como consequência direta do pecado, mas também como punição de Deus, e por isso o leproso precisava, sempre que saía pelas ruas, ficar gritando: “Impuro, Impuro! ”, para evitar que outros tocassem nele e viessem assim a entrar em (des) comunhão com a sua condição pecadora.

O Evangelho (Mc 1,40-45) diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projetos todos os mecanismos de opressão dos irmãos. “Se queres, tem o poder de purificar-me”. A purificação que o leproso do Evangelho busca não é apenas uma purificação corporal; ele deseja, também, uma purificação espiritual. Esta cena triste de exclusão do leproso se repetiu de geração em geração, desde Moisés até o dia em que este leproso se encontrou com Jesus. E algo muito profundo nele dizia-lhe: “Para este não preciso gritar ‘Impuro, Impuro! ” E é por isto que, em vez disto ele exclama: “Se queres, tens o poder de purificar-me! ”. E ele acertou certeiramente. Ao tocar em Jesus, o Mestre faz o leproso experimentar a verdadeira misericórdia de Deus. O toque amoroso de Jesus sobre o seu ser chagado cura, de imediato, a primeira e mais terrível lepra de que padecia: a lepra do isolamento, da solidão afetiva, do desamor.

O leproso sabe que foi curado, porque sabe que foi amado por Deus através de Jesus. E a sua cura não para aí. À cura de seu coração segue-se a cura de seu corpo e, finalmente, a cura social: o ex-leproso, amado, já pode reintegrar-se à comunidade dos filhos de Israel, todos eles muito amados por Deus pai.

Jesus ao tocar no leproso passa por uma transformação, porque ele assume sobre si o fardo da lepra – ele, que “assumiu as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”(Mt 8,17). Por isso mesmo Jesus pede ao homem curado que não divulgasse a sua cura, para evitar escandalizar as pessoas pelo fato de ter tocado um “impuro”, tornando-se ele mesmo “impuro”. O leproso, alegre e radiante, anuncia a Boa Nova e só resta a Jesus, como um leproso, retirar-se para os lugares desertos. Mas mesmo assim, as pessoas não param de acorrer a ele (Mc 1,45).

A segunda leitura convida (1Cor 10,31-11,1) os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projetos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.

Neste domingo de Carnaval, em que muitas pessoas estão preocupadas com a folia e com o divertimento, quero unir-me espiritualmente a todos os que padecem as doenças físicas e encontram-se hospitalizadas ou prostradas em seus leitos de sofrimento e de dor. Recebam a minha proximidade espiritual e o meu carinho, particularmente, os que vivem em provação, enfermos do corpo, pedindo a intercessão materna de Nossa Senhora de Lourdes, estes nossos irmãos estejam dispostos a oferecer o seu sofrimento ao Senhor. Louvo e bendigo a Deus pelos médicos, administradores hospitalares, enfermeiros e todos os que trabalham no mundo da saúde, para que imitando a imagem do próprio Cristo façam de seu trabalho uma missão com amor e fidelidade cristã. Que Nossa Senhora de Lourdes abençoe a todos os doentes e cuide de todos os que trabalham no campo da saúde, amém!

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