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Manifestação de Jesus às nações! A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens. Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra.

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG

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05/01/2018 - Atualizado em 05/01/2018 08h24

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Desde muito pequenos aprendemos que o dia 06 de janeiro é o dia da Epifania do Senhor. Neste ano da graça de 2018 ela será celebrada no domingo seguinte, dia 07 de janeiro, em que se comemora a manifestação de Jesus às nações, figuradas pelos reis magos. O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de “uns magos” que, segundo o hagiológio foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A data marca, para nós católicos, o dia para a adoração aos Reis, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, ainda, encerram-se os festejos natalinos – sendo o dia em que são desarmados os presépios e por conseguinte são retirados todos os enfeites natalinos.

Todo o tempo de Natal gira ao redor de três manifestações de Cristo: o seu nascimento em Belém (manifestação na carne), a adoração dos magos (manifestação pela evangelização) e o Batismo no Jordão por São João Batista (manifestação pelos sacramentos). A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens. Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” encarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.

Na primeira leitura (Is 60,1-6) partilha a alegria da luz que chega e que nos ilumina com a sua glória (Is 60,1.2) Isaías anuncia a chegada da luz salvadora de Deus, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

Na segunda leitura (Ef 3,2-3a.5-6) trata-se de um grande mistério que Deus “acaba de revelar agora, pelo Espírito” (Ef 3,5) a todos nós. São Paulo apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.

No Evangelho (Mt 2,1-12) iluminados pela vida de Cristo como os magos somos convidados a assumir com alegria renovada o nosso compromisso batismal no meio da Igreja, no meio das comunidades, sendo sal na terra e fermento no  mundo. São Mateus nos faz ver a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra. Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem excepção.

O tema da luz domina a solenidade do Natal e da Epifania, que antigamente e ainda hoje no Oriente estavam unidas numa só grande “festa das luzes”. No sugestivo clima da Noite Santa apareceu a luz; nasceu Cristo “luz dos povos”. É ele o “sol que surge do alto (cf. Lc, 1, 78). Sol vindo ao mundo para dissipar as trevas do mal e inundá-lo com o esplendor do amor divino. Escreve o evangelista João: “O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina” (1, 9). “Deus é luz”, recorda sempre São João, sintetizando não uma teoria gnóstica, mas “a mensagem que recebemos dele (1 Jo 1, 5), isto é de Jesus. No Evangelho, ele lembra de novo a expressão recolhida dos lábios do Mestre: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).

Fica candente para toda a Comunidade eclesial o oráculo do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: Levanta-te e resplandece, chegou a tua luz; a glória do Senhor levanta-se sobre ti!… As nações caminharão à tua luz, os reis, ao resplendor da tua aurora” (Is 60, 1.3). Acolhendo Jesus, nossa Luz, sejamos como estrelas que o apontem para a humanidade ou levem a humanidade até Ele, para que o conheça e o adore, e o tenha como a Luz de sua vida. O ouro aponta Jesus como o Rei universal; o incenso, como Deus, Mas é Rei e Deus pelo amor e serviço sem reservas nem medidas, até o extremo da morte, lembrada pela mirra!

Que seguindo o exemplo de Belchior, Baltazar e Gaspar nossa vida seja uma peregrinação rumo a Belém, rumo ao lugar onde Cristo continua nascendo – no seio de nossas famílias, de nossas comunidades. Vamos entregar a Jesus todos os nossos dons:  ouro de nossa caridade, o incenso de nossas preces e a mirra de nossos sofrimentos e lutas pela dilatação do Reino de Deus, um Reino de Justiça e de paz!

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